O Livro dos Espíritos

Allan Kardec

"Contendo os Princípios a Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos, suas relações com os homens, as leis morais, a vida futura e o porvir da Humanidade."

(Segundo o ensinamento dos Espíritos Superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec.)

Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita

O processo da comunicação

Desenvolvimento da Psicografia

              No decorrer dos estudos, percebemos, no desenvolvimento do contexto do Homem, uma contínua eclosão da sua independência, através da constante afirmação da individualidade. Como entidade autônoma, descobre a possibilidade de destacar-se na estrutura social, sendo aí ponto imprescindível, capaz de superar a natureza, renovando a própria Humanidade.

              Identificamos nessa série, o comentário de Allan Kardec quando escreve "Assim, a diversidade de aptidões do Homem não se relaciona com a natureza íntima de sua criação, mas com o grau de aperfeiçoamento a que ele tenha chegado, como Espírito. Deus não criou, portanto, a desigualdade das faculdades, mas permitiu que os diferentes graus de desenvolvimento se mantivessem em contato, a fim de que os mais adiantados pudessem ajudar os mais atrasados a progredir. E também a fim de que os Homens, necessitando uns dos outros, compreendam a lei de caridade que os deve unir."

              Assim "vivos", "mortos", homens em todos os tempos, Espíritos comprometidos, incumbidos de tarefas iniciais, das que se seguiriam tudo no tempo e no lugar certos, dentro de um trabalho, que não poderia ficar na dependência de dois ou três, por maiores que fossem.

              Cuidados extremos onde até para eventuais falhas, haveria soluções opcionais, num plano de trabalho que não poderia ficar comprometido por atitudes dúbias.

              Allan Kardec, estando nesse contexto, poderia falhar e se isso acontecesse ou recusasse a tarefa, outro o substituiria.

              Dentro de respeito tão grande, diante do processo histórico, da capacidade de perceber tanta beleza, precisão, encadeamento lógico, as constantes retomadas, onde sem vaidade, sem apropriação o que segue, ampara-se no que o precede e deixa em campo, o melhor de si para que outros prossigam.

              Frente a essas deduções, outros pesquisadores analisando--as, obtiveram outras condições de sucesso que diferem profundamente dessas apontadas pelo Dr. Andée; e que resumidamente afirmam que:

1- Gerais

2- Circunstâncias relativas aos objetos:

3- Circunstâncias relativas aos Experimentadores:

São divididas em duas séries -

  1. fisiológicas - (qualidades físicas como constituição, sexo, estado de saúde e uma predisposição adquirida).
  2. moral - (temperamento, antipatias, sentimentos de ódio, afeição, educação, etc.).

3 - A) Circunstâncias físicas

3:a:a) - Constituição - é um estado de saúde em que um

sistema de economia predomina sobre os outros, influenciando--os. Os fluidos examinados têm sua origem no sistema nervoso, portanto, teoricamente, nas pessoas em que este predomina fornecerão fluido mais enérgico e abundante que indivíduos de outra constituição (não se confundir constituição nervosa com desordens nervosas). Uma constituição nervosa coincide com um perfeito estado de saúde e é portanto, o mais favorável agente para o movimento das mesas.

3:a:b) - Idade - O fluido que envolve extremamente os objetos deriva da ação de alguns dos nossos órgãos e o poder resultante está necessariamente em relação direta com a manifestação e funções desses mesmos órgãos. Os dois extremos da vida - infância e velhice - não contam em suas funções com a energia plena que caracteriza (em tese) a idade adulta - uma porque não se acham inteiramente desenvolvidas e a outra, porque estão em declínio. Consequentemente, exercerão ação menos nítida e explícita do que um homem no vigor da vida "...deduzo que a idade mais favorável varia entre os vinte e cinco e os quarenta anos". Mas repito - nem esta conclusão nem qualquer outra pode ser aceita de modo absoluto no estado atual das coisas, uma vez que a boa ou má influência da idade pode ser contrabalançada, ou mesmo anulada, por outras causas físicas ou morais.

3:a:c) - Sexo - Os primeiros experimentadores, concluíram sem nenhuma prova positiva, que a organização mais delicada e nervosa da mulher, tornava-a mais apta do que os homens para produzir os fenômenos.

O fluido, porém, necessário ao fato, tem sua origem e sede no sistema nervoso, mas, ele depende inteiramente da vontade. A energia do temperamento e a tenacidade da vontade exercem sobre o movimento das mesas ação decisiva, mais intensa do que uma constituição nervosa. Nesse ponto, a mulher por sua impressionabilidade e variação de temperamento podem ser preteridas pelos homens, cuja sensibilidade mais grosseira poderá ter maior firmeza de vontade. Essa seria uma tese. Experiências repetidas várias vezes com grupo idêntico de rapazes e moças, em circunstâncias semelhantes ofereceram sempre os mesmos resultados - o fenômeno acontecia mais rápido no grupo dos homens, demonstrando que o sexo masculino fornece fluido mais prontamente abundante ou mais rico de energia que o feminino.

Recordemos porém que "...estamos ainda no escuro..."

3:a:d) - Estado de saúde - Sem dúvida em homens ou mulheres, qualquer desequilíbrio neste campo influenciará na emissão de fluidos muitas vezes chegando mesmo a comprometer a experiência.

3:a:e) - Predisposição adquirida - Toda pessoa que tenha doado fluidos torna-se capaz de emiti-los mais rápido, abundante e por maior ou menor tempo. É isso que chamaram de predisposição adquirida uma vez que não se origina da constituição, idade sexo ou qualquer circunstância da vida moral. Pode ser adquirida pela prática e quanto mais sobre- excitado tenha sido o sistema nervoso pela repetição da experimentação mais aumenta a predisposição.

Essa predisposição adquirida é a condição mais favorável para produzir o fenômeno com prontidão e energia.

Continua em Abril / 2002

Leda Marques Bighetti
Março / 2002

Bibliografia
  • Allan Kardec - "O Livro dos Espíritos" - Introdução - q. 805 com.
  • Allan Kardec - "O Livro dos Médiuns" - cap. V - IV - XIV - X - XVI
  • Allan Kardec - "Revista Espírita" - outubro e agosto 1859 - junho e agosto 1958 maio e junho 1863
  • Arthur C. Doyle - "A História do Espiritismo"- V - VIII
  • Hermínio C. Miranda - Nas Fronteiras do Além 1 a 4

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