O Livro dos Espíritos

Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade (Segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec)

Livro Primeiro: As Causas Primárias

Capítulo II: Elementos Gerais do Universo

III – Propriedades da Matéria
Questões 29 à 34a

 

 

30 – A material é formada de um só ou de muitos elementos?

De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais como corpos simples não são verdadeiros elementos, mas transformações da matéria primitiva.

“(...) O começo absoluto das coisas remonta a Deus. As sucessivas aparições delas no término da existência constituem a ordem da criação perpétua.”¹.

Até agora estudamos que se definem como matéria as várias formas de energia, isto é, um modo de ser da substância que nasce da energia por condensação ou concentração e que regressa a forma original por desagregação, após haver percorrido uma série evolutiva de formas cada vez mais complexa e diferenciadas que reencontram a unidade em realocações coletivas.
A matéria possui como unidade funcional o átomo que é divisível em várias partículas, denominadas como subatômicas, entre elas: elétrons, prótons e nêutrons, essas, por sua vez, também podem ser subdivididas.
A combinação entre os átomos, forma as moléculas que pela diversidade de associações bioquímicas podem compor matéria perceptível ou não.
Em resumo, o átomo pode apresentar – se na natureza na forma estável (em equilíbrio energético) ou, na forma instável onde há um excesso de energia no núcleo. Na condição instável, há uma tendência do núcleo em doar energia para o meio, conhecida por radioatividade, isso por que o átomo busca sempre o equilíbrio energético, ou seja, liberar o excesso para tornar – se estável.
Sendo assim, o átomo faz – se com uma estrutura dinâmica, composto, basicamente, por um núcleo composto por prótons e nêutrons e uma eletrosfera, composta por elétrons dispostos em diferentes camadas que ficam girando em torno do núcleo.
Energia, palavra derivada do grego que quer dizer força, potência, atividade e capacidade de realizar trabalho, propagando – se no meio, na forma de partícula ou onda eletromagnética, dependendo da fonte geradora. Ela é assim, o substrato, isto é a parte essencial do Universo.
O termo Universo também é próprio, referindo – se à unidade: variedade, isto é, a mesma energia diversificada, transformada. A ciência que estuda essas transformações é a física quântica que também encontra – se em constante reciclagem de conceitos.
Recordada esta estrutura básica, voltemos ao texto no momento em que revestido das leis reguladoras e da impulsão inicial, a matéria cósmica primitiva propiciou a que, sucessivamente, nascessem aglomerações desse fluido, dividindo – se e se separando por si próprios, modificando – se ao infinito, originado por sua vez, outros tantos centros de criações simultâneas ou sucessivas.
Em virtude das forças que predominaram, umas sobre as outras, e de várias outras circunstâncias que certamente pré – existiram, esses núcleos primitivos se tornaram focos de uma vida especial; uns mais ricos e atuantes começaram logo um existir astral com características próprias. Outros, ocupando espaços ilimitados, caminharam lentamente, ou, novamente, se dividiram formando outros centros secundários.
Não há acidentalidade, acaso ou coincidência, mas, o encadeamento de fatos mostrando uma realidade equacionável no qual o aspecto fluídico remonta à anterioridade do fenômeno que se repete sob o antecedente de fixação fluídica sutil, sem o que, nada disso seria possível.
Daí porque no estudo passado da questão vente e sete, os Espíritos ensinaram a Allan Kardec: - “Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classifica – lo como elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais...”.

“(...) é fluido como a matéria é matéria, e suscetível pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.”
“(...) é o princípio sem o qual a matéria estará em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá”.

Sem esses raciocínios configura – se o que Leon Denis chama de “o grande enigma”² questionando se há uma finalidade para o Universo ou se é ele apenas um abismo no qual o pensamento se perde por falta de apoio “(...) folha morta ao influxo do vento...”².
Matéria, movimento, substância e força... Matéria que por si mesma é inerte, não se move. Mas ela se movimenta. O que a aciona? A inteligência do homem? Nesse caso, essa inteligência, seria por si só, a própria causa e o homem poderia criar manter e conservar o poder da vida.
A realidade, porém, mostra que há variações e desfalecimentos que fogem, ultrapassam a vontade humana.
Tudo isso ocorre, aliado aos progressos da ciência, para demonstrar a ação de leis naturais, sábias e profundas, ordinárias e conservadoras do Universo, uma “(...) inteligência soberana que revela a razão mesma das coisas, Razão consciente, Unidade universal para onde convergem, ligando – se e fundindo – se todas as relações, aonde todos os seres vêm haurir a força, a luz e a vida; ser absoluto e perfeito, fundamento imutável e fonte eterna de toda a ciência, de toda a verdade, de toda a sabedoria, de todo amor”².

Bibliografia:

MARTINS, MiApi – “Primeira Lição – Uma cartilha metafísica” – Vida e Consciência Editora LTDA. 1ª ed., 1998. Pág. 18 a 21.
2- DENIS, Leon – “O Grande Enigma” – FEB – Rio de Janeiro, RJ. 7ªedição, 1983. Cap. I. Pág. 17 a 31.
Consultas:
1- KARDEC, Allan – “A Gênese” – FEB – Rio de Janeiro, RJ. 18ª edição, 1976. Cap. VI itens 12 a 16. Pág. 112 a 115.
 
Leda Marques Bighetti
Maio / 2007

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