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O
Livro dos Espíritos
Livro
Primeiro
As
Causas Primárias
Capítulo
I
Deus
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- Deus
e o Infinito
-
Provas da Existência de Deus
-
Atributos da Divindade
-
Panteísmo
IV - Panteísmo q. 14 a 16
Frente
a todo uma proposta em buscas que até certo momento confundem
apresenta-se o pensamento espírita quando propõe:
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À
medida que se amplia o conhecimento da Natureza, faz-se necessário
desenvolver a concepção do seu Autor. São noções
paralelas, que participam, necessariamente, dos mesmos movimentos.
Assim como nada existe de absoluto em os nossos conhecimentos da
criação, assim, também, nada absoluto podemos
idealizar sobre o Criador. E a Ciência, longe de destruir
a velha idéia da existência de Deus, desenvolve-a e
torna-a gradualmente menos indigna da majestade que lhe é
apanágio2". |
| "(...)
14 - |
Deus
é um ser distinto, ou seria, segundo a opinião de
alguns, o resultante de todas as forças e de todas as inteligências
do Universo, reunidas?
Se assim fosse não existiria, porque seria efeito
e não causa; ele não pode ser ao mesmo tempo, uma
coisa e outra.
Deus existe, não o podeis duvidar, e isso é
o essencial. Acreditai no que vos digo e não queirais ir
além. Não vos percais num labirinto, de onde não
poderíeis sair. Isso não vos tornaria melhores,
mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis
saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, pois,
de lado, todos esses sistemas; tendes que voz desembaraçar
de muitas coisas que vos tocam mais diretamente. Isto vos será
mais útil do que quere penetrar o que é impenetrável1".
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| "(...)
16 - |
Os
que professam esta doutrina (a panteísta) pretendem nela
encontrar a demonstração de alguns dos atributos de
Deus. Sendo os mundos infinitos, Deus é, por isso mesmo,
infinito; o vácuo e o nada não existindo em parte
alguma, Deus está em toda parte; Deus estando em toda parte,
pois que tudo é parte integrante de Deus, dá a todos
os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente.
O que se pode opor a este raciocínio?
A razão. Refleti maduramente e não vos será
difícil reconhecer-lhe o absurdo".1
Comenta
Allan Kardec:
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| "(...)
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Esta
doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de inteligência
suprema, seria em ponto grande aquilo que somos em ponto pequeno.
Ora, a matéria se transformando sem cessar. Deus, nesse caso,
não teria nenhuma estabilidade e estaria sujeito a todas
as vicissitudes e mesmo a todas as necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia
um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. As propriedades
da matéria não podem ligar-se à idéia
de Deus, sem que o rebaixemos em nosso pensamento, e todas as sutilezas
do sofisma não conseguirão resolver o problema da
sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que ele é,
mas sabemos aquilo que não pode ser, e este sistema está
em contradição com as suas propriedades mais essenciais,
pois confunde o criador com a criatura, precisamente como se quiséssemos
que uma máquina engenhosa fosse parte integrante do mecânico
que a concebeu.
A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de
um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são
o próprio Deus, como o quadro não é o pintor
que concebeu e executou."1
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| "(...)
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A ordem universal reinante na Natureza,
a inteligência revelada na construção dos
seres, a sabedoria espalhada em todo o conjunto, qual uma aurora
luminosa e, sobretudo, a universidade do plano geral regido
pela harmoniosa lei da perfectibilidade constante, apresenta-nos,
já agora, a onipotência divina, como sustentáculo
invisível da Natureza, lei organizadora, força
essencial, da qual derivam todas as forças físicas,
como outras tantas manifestações particulares,
suas".2 (grifos mantidos)
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Pelas
idéias que o passar pelo conhecimento nos permite perceber,
vemos a mente embrionária do homem, incapaz naquele momento
de compreender a unidade da exteriorização divina.
Até
entender que "(...) a Inteligência Suprema, causa
primária de todas as coisas"1 não
se define, mas mostra imanente na Vida, longo caminho será
percorrido.
O
Espiritismo propõe a visão da divindade presente na
vida, componente fundamental dela. Não tenta explicá-lo,
mas apresenta todo um conteúdo que leva o homem a percebê-Lo
segundo o estagio intelectual em que se detém, vindo a redefini-lo
constantemente, conforme avança sobre suas próprias
limitações.
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| "(...)
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O
que a Doutrina Espírita faz, é equacionar como Deus
estabeleceu suas Leis, de que maneira dispôs para que os elementos
constitutivos do Universo - Espírito e matéria - interagissem;
para que os seres inteligentes povoassem os mundos, expandissem
a inteligência e encontrassem canais para exprimir o amor".
7 |
Desse
modo, sentir Deus, crer em deus, saber da existência de Deus,
vai além das cerimônias, cultos, rituais, igrejas e
rezas, uma vez que o homem descobre, na reavaliação
de seus valores frente ao existir, ser imprescindível que
em tudo descubra a relação moral como fator de integração
na sua relação homem - Deus - Deus homem, na qual
Deus é trazido, faz parte do dia-a-dia como fato natural
que justificam a Vida. |
| "(...) |
Deus
se mostra na sua obra e o conjunto de Leis que regulam o crescimento
do indivíduo no tempo e no espaço, que o Espiritismo
revela, é bem a prova de sua Inteligência Suprema.
Imortalidade, reencarnação, progresso constante, comunicabilidade
intercambial entre pessoas encarnadas e desencarnadas e uma projeção
cósmica, pela habitabilidade dos mundos, constituem os pilares
dessa estrutura filosófico-científico-moral, à
disposição do homem. O Espiritismo propõe uma
reavaliação na adoração a Deus, para
que a religiosidade autentica seja a reconciliação
do homem consigo mesmo e com os seus semelhantes, com o abandono
de divisões entre o divino e o profano, reafirmando a presença
de Deus".
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| "(...) |
Hoje
é preciso que ele (o homem) encontre em Deus o seu aliado,
aquele que, tendo o poder, supre-o de condições para
crescer. O que, dispondo de Sabedoria, permite-lhe a busca da verdade;
sendo Amor, enche o Universo de encantos, organiza um festival de
beleza, como nos colossos do equilíbrio da mecânica
celeste.
A procura de Deus é a procura de si mesmo. É vã
a presunção de penetrar-lhe a essência, mas
é justa a tentativa de encontrá-Lo, a fim de vivenciar
com Ele o desafio da Vida".7
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Nosso
estudo nas reflexões que se estruturaram sobre pesquisas
e pensamentos dos estudos consultados funcionam como subsídios,
não tendo a pretensão de esgotar o tema.
Desse modo, nesse suspender do tema nada nos parece melhor do que
a transcrição que segue.
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FOI
DEUS
(Luiz Ramalho)
Foi
Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia minha estrada de sorriso
Fez o sol que sempre aquece e ilumina meu caminho
Foi! Foi Deus!
Foi
Deus que fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade o momento de carinho
Fez até o anonimato dos afetos escondidos
E a saudade dos amores
Que já foram destruídos, foi Deus
Foi
Deus que fez o vento que sopra os teus cabelos
Foi Deus que fez o orvalho
Que molha o teu olhar,teu olhar
Foi Deus que fez a noite, e o violão plangente
Foi Deus que fez a gente somente para amar
Só para amar, só para amar
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Bibliografia:
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - 14 a 16
2. AURÉLIO, Dicionário Básico da Língua
Portuguesa - pág. 478
3. MÉRITO, Enciclopédia Brasileira - vol. 13
- pág. 390
4. MÉRITO, Enciclopédia Brasileira - vol. 14
- pág. 605
5. MÉRITO, Enciclopédia Brasileira - vol. 1
- pág. 76 - 77 |
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Leda
Marques Bighetti
Maio / 2005
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