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INTRODUÇÃO
AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA
O
tema alude a um tempo, onde a ocorrência dos fenômenos físicos
era intensa, contínua, gerando explicações pessoais, desconfianças,
embustes, lucros, promoção própria, mesclada de oportunistas,
ilusionistas, prestidigitadores em meio a médiuns sérios, idôneos
comprometidos com a busca de algo mais além do fenômeno em si.
Nesse clima, o número dos que duvidavam era grande, o que se faz perfeitamente compreensível. O grave é que, muitos desses em dúvida, arrogavam para si, a posse ou o privilégio de serem os únicos com capacidade para discernir entre o verdadeiro e o falso, na aplicação da razão para julgar e raciocinar. Como tal, agrediam os valores morais, dos que não lhes aceitavam o veredicto. Tachava-os de ineptos, tolos, sem inteligência, idiotas a ponto de afirmarem tolices e absurdos. Apesar desse clima descortês, o movimento dos objetos era fato comprovado bem como a ação inteligente nas manifestações. Estes dois aspectos não eram os que recebiam tanta agressão. A celeuma concentrava-se ostensivamente na escrita, obtida com a cesta ou prancheta munidas de um lápis. Recorde-se que as primeiras manifestações inteligentes são observadas através da movimentação dos objetos que no seu ir e vir, nos ruídos provocados, demonstravam determinação. Constituem-se estas, como as mais simples e freqüentes: barulhos, batidas que se repetiam por determinado número de vezes obedecendo ou de acordo com a vontade do observador. Mais tarde, dentro das convenções estabelecidas, entre ambos, determinado número de pancadas indicava esta ou aquela letra com as quais se formavam as palavras ou frases bem simples. Outras vezes, esses objetos, sem contato com ninguém, passeavam de um lado para outro, conforme lhes era solicitado. Nessa mecânica, as comunicações eram difíceis: respostas insignificantes, limitadas em um sim ou não. Mesmo a indicação das letras não atendia por ser cansativo, moroso, lento. Buscando aperfeiçoar os próprios Espíritos indicaram que se adaptasse um lápis ao pé de uma mesa leve colocada sobre folha de papel. Posta em movimento, pela influência de um médium, a mesa, ou melhor o lápis, começa a traçar sinais, caracteres, depois palavras e frases. Constroem-se mesinhas do tamanho de uma mão o que simplificou e facilitou o processo. Dai sob o mesmo princípio, passou-se para as cestas, as caixas de papelão até a simples prancheta. A escrita agora é corrente, rápida, muito mais fácil. Mais tarde, muito mais tarde, é que irá se perceber, exatamente no uso e aplicação dos processos científicos da observação e pesquisa, que todos aqueles objetos não passavam de apêndices da mão do médium dos quais se podia prescindir. O médium, segurava entre seus dedos o lápis e escrevia a idéia que captava em seu campo mental ou o Espírito, acionando por um efeito da sua vontade, a mão do médium, escrevia sem que o médium tivesse idéia do conteúdo. As comunicações, nesse estilo tornar-se-ão sem limites, como a correspondência habitual entre os encarnados. Voltando à polêmica da escrita nas lousas ou mesinhas, o médium levemente colocava seus dedos nas bordas. Após algum tempo, leve rumor e a vibração do lápis escrevendo. Denominou-se psicografia ou escrita direta pois a mensagem era escrita diretamente sobre um papel ou sobre a ardósia. A ação inteligente de uma inteligência invisível era facilmente comprovada pela diferença e variedade dos assuntos abordados, bem como o serem grafadas em língua desconhecida do médium e dos assistentes. Duas ou três pancadas indicavam que a operação terminara, provando a presença estranha ao médium ou aos assistentes. Também não se vê ninguém escrevendo "A força oculta age sobre a pessoa, transmite-se aos objetos, o qual se torna uma espécie de apêndice da mão e lhe imprime um movimento necessário para traçar os caracteres. É conhecido como psicografia indireta". Tais fatos colocava as opiniões em extremos: - ou reconhece-se a realidade dos fatos, aceita-os afrontando os preconceitos e parte para o estudo procurando conhecer a causa ou atribui a ação ao homem, na montagem, no engodo, na prestidigitação onde todos se deixam ou são iludidos, enganados. Em meio a realidade, as oposições, controvérsias e acusações caracterizou-se o que foi chamado de "monopólio do bom senso" quando o Barão Carl Du Prel, de Munich, após inúmeras pesquisas e experiências relata que Bosco, Houdíni, Bellachini e outros hábeis ilusionistas usados nessa pesquisa ao lado dos vários médiuns, declararam que na produção do fenômeno não usavam esses médiuns nenhuma técnica ou se elas existiam eram-lhes desconhecidas. Colocavam o médium acima de qualquer suspeita ou impostura. Nesse mesmo objetivo, trabalha o Barão com Eglinton e mais tarde com Eusapia Palladino, nessa especial atenção às escritas nas lousas e assim se exprime: "Uma coisa é clara - é que a psicografia deve ser aceita como de origem transcendente. Verificaremos:
Du Prel, no transcrever do texto que se segue faz questão de frizar que suas convicções não se baseiam em resultados conseguidos com médiuns profissionais. Declara conhecer três médiuns particulares ... "em cuja presença não só se verifica a escrita direta no lado interno de duas lousas, mas que é feita em lugares inacessíveis." Nessas circunstâncias a pergunta - "Médium ou Mágico ?", ao que parece, levanta mais poeira do que deve". Maio / 2003 Bibliografia
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