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De acordo com isso, o sabor, o odor, as cores, as qualidades venenosas
ou salutares dos corpos, não seriam mais do que modificações
de uma única e mesma substância primitiva?
Sim, sem dúvida,
e só existem pela disposição dos órgãos
destinados a percebe-las.
“Esse princípio é demonstrado pelo fato de nem todos
perceberem as qualidades dos corpos da mesma maneira: enquanto um acha
uma coisa agradável ao gosto, outro a acha má; uns vêem
azul o que outros vêem vermelho; o que para uns é veneno,
para outros é inofensivo ou salutar”.
Ensina-nos a Codificação
que a matéria elementar primitiva continha os elementos materiais,
fluídicos e vitais de todos os universos, sendo a eterna geratriz.
A substância etérea, mais ou menos condensada ou rarefeita
que se difunde pelos espaços interplanetários, enche o
mundo nas regiões imensas, modificando-se por diversas combinações,
é a substância primitiva na qual estão inseridas
forças universais de onde a Natureza sob ação de
leis, forças e condições, compõe toda a
diversidade do cosmos.
“(...)
Se perguntásseis qual o princípio dessas forças
e como pode esse princípio estar na substância mesma que
o produz, responderíamos que a mecânica, numerosos exemplos
nos fornecem desse fato. A eletricidade, que faz com que uma mola se
distenda, não está na própria mola e não
depende do modo de agregação das moléculas? O corpo
que obedece à força centrífuga recebe a sua impulsão
do movimento primitivo que lhe foi impresso¹”.
Esse fluido penetra os corpos e nele reside o princípio vital
que dá origem à vida dos seres e os caracteriza como específicos
em cada globo, conforme as condições próprias de
cada um.
Toda criatura, seja ela dos reinos conhecidos ou de outros que nem supomos
existir, em virtude desse princípio vital e universal, apropriam-no
às condições de sua existência e duração.
Desse modo, matéria cósmica, mais fluido vital e leis
de estabilidade, configuram a evolução.
Os vários estados da matéria, resultante de todo esse
movimento universal a que se acha submetido e de uma impulsão
latente que lhe é característica, fez surgir considerável
número de princípios e nas mais várias combinações
possíveis, as diversas substâncias e corpos interagindo,
simultaneamente, segundo leis e proporções realizadas,
estão no grande laboratório da Natureza. Deram origem
ao que se convencionou chamar de “corpos simples”, indicados
como primitivos e impossíveis de reduzi-los a frações
mais simples que eles próprios como, por exemplo, o oxigênio,
o hidrogênio entre outros. Porém, estes, quando combinam-se
ao infinito em proporções e sob ação de
leis e forças, apresentam toda variação de corpos
materiais, perceptíveis ou não, ao sensório físico.
Depreende–se que há eterna transformação
guiada por lei matematicamente exata que procede de um princípio
único. Cada fenômeno é regido por uma lei que lhe
determina o ciclo. Todos se movem de um ponto de partida para um ponto
de chegada e se movem dentro de uma linha de desenvolvimento que lhes
constitui a trajetória. Cada fase percorrida, vivida, abre-se-à
novas fases cada vez mais amplas e abrangentes.
Não há limites que sufocam na constante expansão
na qual tudo é sempre mais aberto, sem limites. Em tudo, subida,
progresso e conquista.
Para tudo isso e muito, muito mais real e existente, o sensório
é restrito. Quando tiver o homem sentidos diferentes, abrangerá
a realidade que é existente, com outro entendimento, penetrando-lhe
os domínios com visão diferente da que se detém
hoje. Cada um é, de certo modo, frente à esse existente,
um ser relativo, fechado nas limitações do seu campo de
concepções que de certa forma se mantém dentro
de horizontes circunscritos.
É difícil para esse homem romper esse estado de coisas,
subitamente, adentrando a uma realidade na qual não dispõe
de elementos para dominar, comparar e usar. Daí, a beleza do
processo evolutivo, impulsionando à longínquos horizontes
que pouco a pouco, consegue trazer à medida do concebível,
gerado este, pelos mecanismos da evolução na qual a consciência
vai se superpondo em aberturas abrangentes.
Observa a imensa diversidade da matéria e descobre racionalmente
que estão interagindo ali número ilimitado de forças
prescindindo transformações, sob condições
e combinações que não podem deixar de ser ilimitadas.
“(...)
Logo, quer a substância que se considere pertença aos fluidos
propriamente ditos, isto é, aos corpos imponderáveis,
quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria,
não há, em todo o Universo, senão uma única
substância primitiva: o cosmo, ou a matéria cósmica
dos uranógrafos¹”.
| Bibliografia: |
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1
– KARDEC, Allan – “A Gênese”
– FEB – Rio de Janeiro, RJ. 18°edição,
1976. Cap. VI, itens 1 a 19; pág. 105 a 118. |
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Leda
Marques Bighetti
Junho / 2007 |
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