O Livro dos Espíritos

Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade (Segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec)

Livro Primeiro: As Causas Primárias

Capítulo II: Elementos Gerais do Universo

III – Propriedades da Matéria
Questões 29 à 34a

31 – De onde provêm as diferentes propriedades da matéria?

Das modificações que as moléculas elementares sofrem, ao se unirem, e em determinadas circunstâncias.

 

32 – De acordo com isso, o sabor, o odor, as cores, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos, não seriam mais do que modificações de uma única e mesma substância primitiva?

Sim, sem dúvida, e só existem pela disposição dos órgãos destinados a percebe-las.
“Esse princípio é demonstrado pelo fato de nem todos perceberem as qualidades dos corpos da mesma maneira: enquanto um acha uma coisa agradável ao gosto, outro a acha má; uns vêem azul o que outros vêem vermelho; o que para uns é veneno, para outros é inofensivo ou salutar”.

Ensina-nos a Codificação que a matéria elementar primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos, sendo a eterna geratriz. A substância etérea, mais ou menos condensada ou rarefeita que se difunde pelos espaços interplanetários, enche o mundo nas regiões imensas, modificando-se por diversas combinações, é a substância primitiva na qual estão inseridas forças universais de onde a Natureza sob ação de leis, forças e condições, compõe toda a diversidade do cosmos.

“(...) Se perguntásseis qual o princípio dessas forças e como pode esse princípio estar na substância mesma que o produz, responderíamos que a mecânica, numerosos exemplos nos fornecem desse fato. A eletricidade, que faz com que uma mola se distenda, não está na própria mola e não depende do modo de agregação das moléculas? O corpo que obedece à força centrífuga recebe a sua impulsão do movimento primitivo que lhe foi impresso¹”.

Esse fluido penetra os corpos e nele reside o princípio vital que dá origem à vida dos seres e os caracteriza como específicos em cada globo, conforme as condições próprias de cada um.
Toda criatura, seja ela dos reinos conhecidos ou de outros que nem supomos existir, em virtude desse princípio vital e universal, apropriam-no às condições de sua existência e duração.
Desse modo, matéria cósmica, mais fluido vital e leis de estabilidade, configuram a evolução.
Os vários estados da matéria, resultante de todo esse movimento universal a que se acha submetido e de uma impulsão latente que lhe é característica, fez surgir considerável número de princípios e nas mais várias combinações possíveis, as diversas substâncias e corpos interagindo, simultaneamente, segundo leis e proporções realizadas, estão no grande laboratório da Natureza. Deram origem ao que se convencionou chamar de “corpos simples”, indicados como primitivos e impossíveis de reduzi-los a frações mais simples que eles próprios como, por exemplo, o oxigênio, o hidrogênio entre outros. Porém, estes, quando combinam-se ao infinito em proporções e sob ação de leis e forças, apresentam toda variação de corpos materiais, perceptíveis ou não, ao sensório físico.
Depreende–se que há eterna transformação guiada por lei matematicamente exata que procede de um princípio único. Cada fenômeno é regido por uma lei que lhe determina o ciclo. Todos se movem de um ponto de partida para um ponto de chegada e se movem dentro de uma linha de desenvolvimento que lhes constitui a trajetória. Cada fase percorrida, vivida, abre-se-à novas fases cada vez mais amplas e abrangentes.
Não há limites que sufocam na constante expansão na qual tudo é sempre mais aberto, sem limites. Em tudo, subida, progresso e conquista.
Para tudo isso e muito, muito mais real e existente, o sensório é restrito. Quando tiver o homem sentidos diferentes, abrangerá a realidade que é existente, com outro entendimento, penetrando-lhe os domínios com visão diferente da que se detém hoje. Cada um é, de certo modo, frente à esse existente, um ser relativo, fechado nas limitações do seu campo de concepções que de certa forma se mantém dentro de horizontes circunscritos.
É difícil para esse homem romper esse estado de coisas, subitamente, adentrando a uma realidade na qual não dispõe de elementos para dominar, comparar e usar. Daí, a beleza do processo evolutivo, impulsionando à longínquos horizontes que pouco a pouco, consegue trazer à medida do concebível, gerado este, pelos mecanismos da evolução na qual a consciência vai se superpondo em aberturas abrangentes.
Observa a imensa diversidade da matéria e descobre racionalmente que estão interagindo ali número ilimitado de forças prescindindo transformações, sob condições e combinações que não podem deixar de ser ilimitadas.

“(...) Logo, quer a substância que se considere pertença aos fluidos propriamente ditos, isto é, aos corpos imponderáveis, quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não há, em todo o Universo, senão uma única substância primitiva: o cosmo, ou a matéria cósmica dos uranógrafos¹”.

Bibliografia:

1 – KARDEC, Allan – “A Gênese” – FEB – Rio de Janeiro, RJ. 18°edição, 1976. Cap. VI, itens 1 a 19; pág. 105 a 118.
 
Leda Marques Bighetti
Junho / 2007

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