Por
Apresentação
Junto, apresenta o Deus
Necessários, naquele tempo, a um povo rude, de coração duro, com um raciocínio que jamais entenderia, conceberia ou aceitaria a autoridade sem temor.
No entanto, Cristo acrescenta: - Muitas coisas que lhes digo, não podem ainda compreender; seria muito mais a lhes dizer que não compreenderiam e é por isso que lhes falo em parábolas.Mais tarde, porém, enviarei o Consolador, o Espírito da Verdade, que restabelecerá e explicará todas as coisas João XIV XVI MT XVII Ao falar desse modo, Jesus afirma o caráter incompleto, não no sentido de que lhe seriam acrescentadas verdades novas, pois tudo ali se acha em germe, mas incompleto, porque não estão contidas todas as explicações, desenvolvidas, aprofundados os assuntos em termos de raciocínio claros. Da mesma forma que o Cristo disse: Eu não vim destruir a Lei mas dar-lhe cumprimento, o Espiritismo diz igualmente: Eu não vim destruir a Lei cristã, mas cumpri-la. Ele não ensina nada de contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todo o mundo, o que não foi dito senão sob forma alegórica; vem cumprir nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. É; pois, obra do Cristo que o preside, como igualmente anunciou, a regeneração que se opera, e prepara o reino de Deus sobre a Terra. Essas colocações todas, justamente porque faltava ao Homem conhecimentos que estes só poderiam alcançar com o tempo. Não havia desenvolvimento cientifico que possibilitasse aprofundar no conhecimento das leis que regem a matéria faltava a chave uma vez que Ciência e Espiritismo se completam: a Ciência sem o Espiritismo acha-se impotente para explicar certos fenômenos apenas pelas leis da matéria. Espiritismo sem Ciência falta apoio e controle. O estudo das leis da matéria devia preceder o da espiritualidade, porque é a matéria que atinge primeiro os sentidos. O Espiritismo vendo antes das descobertas cientificas, teria sido uma obra abortada, como tudo o que vem antes do seu tempo. 1.1. Que tempo era esse? Século dezenove. Cumprir-se-ai importante revelação mostrando sobretudo, a comunicabilidade com seres do mundo espiritual. Esse conhecimento não é novo, mas chegava à essa época no tempo, sem proveito para a Humanidade. A ignorância das leis que regem essas relações, sufocaram sob superstição e o homem não tirava dai qualquer dedução salutar. O Espiritismo, explicando as leis que regem o fenômeno, dando a conhecer o mundo invisível que nos rodeia e no meio do qual vivíamos sem suspeitar, as relações, o estado dos seres que o habitam e por conseqüência o destino do homem depois da morte, constitui-se como revelação cientifica, na acepção da palavra.
3) Revelação Pela sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: provém simultaneamente da revelação divina e a revelação cientifica. Provém da primeira, no que seu advento é providencial, e não o resultado da iniciativa e de um intento premeditado do homem.
Provém da segunda, isto é, da revelação cientifica, pelo fato de que este ensino não é privilégio de nenhum individuo, mas é dado a todos pela mesma via:
Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente do mesmo modo que as Ciências positivas isto é aplica-se lhe o método experimental. Apresentam-se os fatos de uma natureza nova que não podem ser explicadas pelas leis conhecidas: ele as observa, compara, analisa, remonta dos efeitos às causas chega à lei que as rege depois deduz conseqüências e procura aplicações úteis. Não estabelece nenhuma teoria pré-concebida. Desse modo, não colocou como hipóteses, a existência, a intervenção dos Espíritos, a reencarnação ou qualquer dos princípios doutrinários. Só conclui pela existência de Espíritos, quando tal se evidenciou pela observação dos fatos. Da mesma forma, procedeu em relação aos outros pontos básicos. Não foram os fatos que vieram confirmar a teoria, mas a teoria que veio subseqüentemente explicar e resumir os fatos. Rigorosamente, por esses raciocínios, é exato dizer que o Espiritismo é uma ciência de observação. O grande progresso da Ciência inclusive vai acontecer a partir da aplicação desse método experimental, acreditando-se primeiro que ele só era aplicável à matéria e comprovando-se que também é imprescindível para a realidade metafísica.
1.2. Enquanto tudo isso estava se processando, como se caracterizava a época?
Temos que estudá-la sob dois contextos: - o contexto religioso e o cientifico. Nesse tempo, o contexto religioso tinha e mantinha a fé alicerçada no dogma. Quando Allan Kardec em O Livro dos Espíritos usa a palavra dogma, não tem nada a ver com esse dogma conceito religioso da época. Desde a Grécia antiga já existiam os filósofos dogmáticos que pregavam que a Verdade pode ser alcançada. Opunham-se aos céticos, que prega o contrário o homem nunca alcançará a Verdade. Na concepção filosófica grega dogma quer dizer: uma verdade fundante, isto é, que se apóia na razão; uma verdade que alicerça e que não poderia ser alcançada nem filosófica, nem cientificamente. Por ser fundante, um dia a constatação daquele pressuposto, daquela verdade, seria percebida, alcançada pela Humanidade. A palavra dogma, como fé cega, como se entende ainda nos dias atuais vai começar a existir como dogma religioso a partir do século IX.
1.3. O que teria motivado, ou acontecido nesse século?
Surge, nesse século IV da era cristã, em Alexandrina, grande polêmica: os cristãos dessa época acreditavam nas características divinas de Deus, de seu filho Jesus Cristo que se encarnou e do Espírito Santo que era um enviado de Deus. Ário, sacerdote de Alexandria formula e divulga o seguinte pensamento: Não pode existir três deuses Deus Pai Deus Filho Deus Espírito Santo, portanto os dois últimos são criaturas, sendo só Deus, o primeiro, o criador. Ao lançar essas idéias, causa grande confusão nos meios religiosos que aceitavam a Santíssima Trindade. Anastácio, que também era um sacerdote grego, assume liderança e se posiciona contra Ário, contra suas idéias heréticas, uma vez que as três entidades da Santíssima Trindade Deus Filho e Espírito Santo constituiram-se como uma só pessoa. Ário rebate, partidos se formam, discussões se acirram até que em 325 o Concílio de Nicéia confirma o dogma da Santíssima Trindade. A partir daí, a palavra dogma adquire o sentido que se guarda dela até hoje ou seja: é dogma, todas verdades já contidas na revelação e que foi objeto de explicação e interpretação oficial da Igreja. Decorre disso, a fé dogmática, existente no conceito religioso do séc. XVIII e XIX e que apresenta a religião sob três aspectos:
Decorrente desses dois fatores, o que prega é infalível, isto é, não é passível de erro. é indiscutível, seus pontos são para serem aceitos sem qualquer tipo de discussão ou contestação. Descarta-se portanto, qualquer análise lógica ou cientifica do que está sendo dito ou ensinado dogma de fé, acredita-se; não se discute; não se detém nas evidências sendo esse então panorama da crença, da religião. Só para que melhor nos situemos, a partir dos séculos XV e XVI, o movimento cientifico já começava, de alguma forma, contestar algumas dessas proposições Galileu Galilei, por exemplo, com as lunetas que possuía, observando o firmamento, localiza Júpiter e percebendo uma lua girando ao seu redor conclui: - se um astro gira ao redor do outro, então a Terra, não é o centro do Universo. Divulga seus raciocínios criando confusão, principalmente na Igreja de então. Se a Terra gira, onde fica o céu, que era em cima e o inferno, que era em baixo? Em meio a toda uma confusão, é julgado herege, ia ser morto, abjura e renega suas conclusões. Esses movimentos, percebe-se eram bastante tímidos e o profº. Herculano Pires comentando o Discurso do Método de René Descartes, que até hoje serve de embasamento cientifico das ciências naturais comenta que Descartes teve que fazer muitas concessões com o pensamento religioso da época, constantemente perseguido pelo medo de cair nas malhas da Igreja. Quando formula a proposição... penso, logo existo...tentou explicar de forma a não colidir com os interesses dominantes, uma vez que a Inquisição vigiava atenta. Na realidade, a grande contribuição da Ciência, só vai aparecer com mais ênfase no século XVIII com o movimento Iluminista este colocava como pressuposto básico e assim se auto- denominava porque a razão tem que ser a luz a iluminar todos os pensamentos. Tudo quanto não pudesse ser considerado à luz da razão não devia ser aceito.
Os iluministas franceses vão somar à esse principio uma
característica muito importante: achando que o único
meio de despertar o povo para pensar era falar-lhes em sua língua
nativa, para que entendessem, discutissem, pensassem, passam a
divulgar seus conhecimentos na língua do país. Até
então, o conhecimento, as colocações filosóficas
ou cientificas eram em grego ou latim, línguas desconhecidas
do povo em geral.
Esses enciclopedistas engrossam o movimento Iluminista, uma vez que também acreditavam que sem conhecer não se tem elementos de razão para refletir. Possuíam eles, uma característica interessante: eles nao só compunham e publicavam livros: nas reuniões dos salões de Franca, faziam leitura, interpretavam e comentavam o conteúdo das enciclopédias afim de que as pessoas fossem, pouco a pouco reunindo elementos de reflexão racional e lógica. Constituiu-se esse movimento e essas técnicas, principalmente esse iluminismo francês em fato importante nesse encadeamento, nessa alteração da posição mental do mundo. Todos esses fatos não passavam despercebidos. A Igreja exercia forte oposição. Os jesuítas eram perseguidores implacáveis. Diderot e DAlembert foram presos inúmeras vezes. Os últimos números das Enciclopédias só vão ser publicados graças à intervenção de Mme. Pompadour quando em 1766 intervem, usa sua influencia, solta os enciclopedistas que estavam presos. Com seu prestigio, possibilita que os últimos volumes sejam editados. |