Estudo 94 –
INFLUÊNCIA DO EXERCÍCIO DA MEDIUNIDADE SOBRE A SAÚDE,
SOBRE O CÉREBRO E SOBRE AS CRIANÇAS
A Mediunidade na Criança
e no Jovem
Mediunidade
é faculdade humana natural pela qual se estabelecem as relações
entre os homens e os Espíritos; pertence ao campo da comunicação.
Natural constatá-la na criança e no jovem, pois são
Espíritos em experiências no mundo material, em processo
de desenvolvimento físico, intelectual e moral, através
dos quais serão ampliadas as suas potencialidades.
Analisando
o aflorar da mediunidade em diferentes ciclos do desenvolvimento humano,
o Prof. Herculano Pires no livro Mediunidade, esclarece que as crianças
possuem a mediunidade, por assim dizer, à flor da pele, porém
são resguardadas pela influência benéfica dos espíritos
protetores, que as religiões chamam de anjo da guarda. Nessa
fase infantil, as manifestações, em sua maioria são
mais de caráter anímico; a criança projeta a sua
alma nas coisas e nos seres que a rodeiam, recebem inspirações
de amigos espirituais, às vezes vêem e denunciam a presença
de espíritos. Quando passam dos sete ou oito anos, integram-se
melhor no condicionamento da vida terrena, desligando-se progressivamente
das relações espirituais e dando mais importância
às relações com os encarnados. Encerra-se o primeiro
ciclo mediúnico para abrir o segundo. Considera-se então
que a criança não tem mediunidade, a fase anterior é
levada à conta da imaginação e da fabulação
infantil.
Allan
Kardec, pergunta aos Espíritos na questão 221. de O Livro
dos Médiuns, nos seguintes itens:
Item
6: “Será inconveniente desenvolver a mediunidade das crianças?”.
—
Certamente. E sustento que é muito perigoso. Porque estes
organismos frágeis e delicados seriam muito abalados e sua imaginação
infantil muito superexcitada. Assim, os pais prudentes as afastarão
dessas idéias, ou pelo menos só lhes falarão a
respeito no tocante às consequências morais.
Item
7: “Mas há crianças que são médiuns
naturais, seja de efeitos físicos, de escrita ou de visões.
Haveria nesses casos o mesmo inconveniente?”
—
Não. Quando a faculdade se manifesta espontânea numa
criança, é que pertence à sua própria natureza
e que sua constituição é adequada. Não se
dá o mesmo quando a mediunidade é provocada e excitada.
Observe-se que a criança que tem visões, geralmente pouco
se impressiona com isso. As visões lhe parecem muito naturais,
de maneira que ela lhe dá pouca atenção e quase
sempre as esquece. Mais tarde a lembrança lhe volta à
memória e é facilmente explicada, se ela conhecer o Espiritismo.
Item
8: “Qual a idade em que se pode, sem inconveniente, praticar a
mediunidade?”
—
Não há limite preciso na idade. Depende inteiramente do
desenvolvimento físico e mais particularmente do desenvolvimento
psíquico. Há crianças de doze anos que seriam menos
impressionadas que algumas pessoas já formadas. Refiro-me à
mediunidade em geral, pois a de efeitos físicos é mais
fatigante para o corpo. Quanto à escrita há outro inconveniente,
que é a falta de experiência da criança, no caso
de querer praticá-la sozinha ou fazer dela um brinquedo.
Analisando
essas explicações, entendemos que a questão da
idade está subordinada tanto às condições
do desenvolvimento físico, quanto às do caráter
ou amadurecimento moral. No entanto, o que ressalta claramente das respostas
acima é que não se deve forçar o aflorar mediúnico
das crianças, e que, caso haja o aflorar espontâneo, deve-se
empregá-la com grande seriedade, sendo necessário dar
às crianças em geral, o ensino moral do Espiritismo, preparando-as
para uma vida bem orientada pelo conhecimento doutrinário, sem
qualquer excitação prematura das faculdades psíquicas
que se desenvolverão no tempo devido.
É
geralmente na adolescência, a partir dos doze ou treze anos que
se inicia o segundo ciclo. No primeiro ciclo só se deve intervir
no processo mediúnico com preces e passes, para abrandar as excitações
naturais da criança, quase sempre carregadas de reminiscências
estranhas do passado carnal ou espiritual. Na adolescência o seu
corpo já amadureceu o suficiente para que as manifestações
mediúnicas se tornem mais intensas e positivas, necessitando
de esclarecimentos e condução adequados sobre a mediunidade.
As
reuniões de estudo, especificamente as de Mocidade, voltadas
para a integração do adolescente e jovem à Vida,
quando conduzidas por evangelizadores preparados, representam importante
fator de esclarecimento e desmistificação das nossas relações
com os Espíritos. Há adolescentes que se integram rápida
e naturalmente à nova situação e se preparam seriamente
para a atividade mediúnica. Outros rejeitam a mediunidade, por
associá-la a inúmeras renúncias. Muitos rejeitam
as diretrizes espirituais instaladas em suas consciências, criando
desvios e perturbações que trarão conseqüências
mais tarde.
Nesse
período, o adolescente se abre para contatos mais profundos com
a vida e o mundo, sendo necessário ampliar sua visão da
Vida, à luz da Doutrina Espírita. Estimulá-lo a
fazer escolhas adequadas, mostrando-lhe que há renúncias
necessárias, principalmente as relacionadas a si mesmo. Os exemplos
dos familiares influem mais em suas opções do que ensinos
e exortações. Começa a tomar conta de si mesmo
e a firmar sua personalidade, necessitando ser respeitado, amado e compreendido,
a fim de estruturar mais facilmente, o caminho que percorrerá
com destino à Perfeição.
O
adolescente e o jovem, este se enquadrando no terceiro ciclo, podem
e devem ser estimulados a se descobrirem como Espíritos, plenos
de potencialidades a serem desenvolvidas, vivenciando diversas experiências
que lhes possibilitem crescimento espiritual. Merecem orientação
adequada que os preparem para trabalhar com Jesus, onde quer que estejam,
aprendendo a servir, participando como agentes modificadores do meio,
independente da idade cronológica, mas cientes da responsabilidade
espiritual de fazer o melhor e ser feliz.
Muitos
jovens creem existir incompatibilidade entre o descobrir e experimentar
as belezas e alegrias naturais da vida e a vivência mediúnica;
falta-lhes, por ausência de conhecimento, o entendimento de que
por serem Espíritos, vivem em constante relação
com outros Espíritos, encarnados e desencarnados, sendo imprescindível
disciplinar essa convivência, colocando o Evangelho em seu sentir,
pensar e agir.
Quanto
antes a criança e o jovem receberem esclarecimentos sobre a realidade
espiritual da qual fazem parte, mais prontamente se tornarão
aptos a trabalhar com Jesus, o que não implica exclusão
de vivências no mundo; significa estar no mundo sem ser do mundo,
daí a mediunidade fundamentar-se na vida de relação,
estabelecendo convivências, exigindo definição de
propósitos, atitudes diferentes, possibilitando crescimento moral
e espiritual, que tornarão esses Espíritos, hoje crianças
ou jovens, em homens de bem, construtores do Mundo Melhor, ao qual todos
aspiramos.
| Bibliografia: |
| |
KARDEC, Allan -
O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo:FEESP, 1989 -
Cap. XVIII , q. 221, itens 6, 7 e 8 |
| |
PIRES, J. Herculano
- Mediunidade: 2. ed. São Paulo: PAIDÉIA, 1992 - Cap
I |
| |
Tereza Cristina D'Alessandro
Setembro / 2009 |