O LIVRO DOS MÉDIUNS
(Guia dos Médiuns
e dos Doutrinadores)
por
ALLAN KARDEC
Contém o
ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros
de manifestações, os meios de comunicação
com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades
e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES
ESPIRITAS
CAPITULO VI
MANIFESTAÇÕES
VISUAIS
Estudo 38 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES
Itens 105 a 107
Nesse estudo sobre as aparições
vimos que podem ocorrer de forma vaporosa e diáfana, algumas
vezes vaga e indecisa. Outras vezes formam-se a partir de um clarão
esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos;
de outras vezes são formas claramente acentuadas, distinguindo-se
os menores traços do rosto. As maneiras, o aspecto é semelhante
aos do Espírito quando encarnado.
O Espírito
que deseja ou pode aparecer se reveste algumas vezes de uma forma ainda
mais nítida, com todas as aparências de um corpo sólido,
a ponto de fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Trata-se
de uma aparição tangível,
isto é, a tangibilidade pode se tornar real, o que quer
dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor
de um corpo vivo, o que não impede a aparição de
esvanecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já
não é só pelos olhos que se verifica a presença,
mas também pelo tato.
Se podemos atribuir à ilusão ou a uma espécie de
fascinação a ocorrência de uma aparição
simplesmente visual, já não há mais dúvida
se a podemos tocar, ou ela nos toca, mesmo considerando que as aparições
tangíveis são mais raras. Mas, também esses fenômenos,
por mais extraordinários que pareçam, perdem o caráter
de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se
compreende que, longe de representarem uma derrogação
de leis naturais, apresentam uma nova aplicação dessas
leis.
A causa
desses fenômenos está nas propriedades
do perispírito. O perispírito, por sua
própria natureza, é invisível no seu estado normal.
Isso é comum a uma infinidade de fluidos que sabemos existirem
e que jamais vimos. Mas ele pode também, à semelhança
de certos fluidos, passar por modificações que o tornem
visível, seja por uma espécie de condensação
(os Espíritos explicam ter utilizado essa palavra apenas a título
de comparação) ou por uma mudança em suas disposições
moleculares, e é então que nos aparece de maneira vaporosa.
A condensação pode chegar ao ponto de dar ao perispírito
as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas que
pode, instantaneamente, voltar ao seu estado etéreo e invisível.
Este processo pode ser comparado ao do vapor, que pode passar da invisibilidade
a um estado brumoso, depois ao líquido,a seguir ao sólido
e vice-versa.
O que provoca esses diversos estados do perispírito é
a vontade do Espírito e não causas físicas e exteriores
como acontece com os gases. Para que ocorra uma aparição,
além da vontade do Espírito, são necessárias,
a combinação dos seus fluidos com os fluidos específicos
do médium, resultante de uma afinidade entre eles, e a emissão
fluídica abundante do médium, para operar a transformação
do perispírito, além de outras condições
que provavelmente desconhecemos. Considerando todos esses fatores, compreendemos,
por que a visibilidade dos Espíritos não é comum.
Explica Allan Kardec que não nos basta querer ver um Espírito
e também que ele queira se mostrar; é preciso que ele
tenha permissão de nos aparecer, o que nem sempre nos é
concedido, ou pelo menos não nas circunstâncias em que
queremos, devido às nossas provas, aos inconvenientes emocionais
que causariam e assim por diante.
Outra propriedade
do perispírito é a penetrabilidade,
inerente à sua natureza etérea. Nenhuma espécie
de matéria lhe serve de obstáculo: ele atravessa a todas
como a luz atravessa os corpos transparentes, o que mostra não
haver, pois, meios de impedir a entrada dos Espíritos nos ambientes,
exceto através de recursos morais oferecidos pelo próprio
ambiente mental que construímos e que resulta da qualidade de
nossos sentimentos e pensamentos. Vale ressaltar que, quanto mais elevados
moralmente, mais os Espíritos respeitam nossas escolhas e apenas
entram em nossos ambientes se os convidarmos, contrariamente ao que
acontece com os Espíritos mais imperfeitos que se imiscuem em
nossas vidas, dividindo conosco espaços e assuntos os mais banais,
desde que sejam de interesse comum.
Concluindo nosso estudo, compreendemos que as aparições
no estado de vigília não são raras e nem constituem
novidade. Sempre existiram e, sem remontar ao passado, as encontramos
em nossos dias, sobretudo nos casos de morte de pessoas distantes, que
vêm visitar parentes e amigos. Muitas vezes não tem um
objetivo claro, mas podemos dizer que em geral os Espíritos que
assim aparecem são atraídos por simpatia. Recomenda Allan
Kardec que examine cada um as suas lembranças e verá que
são poucos os que não conhecem fatos dessa espécie,
cuja autenticidade não se poderia por em dúvida.
Em nosso
próximo estudo examinaremos alguns efeitos óticos que
deram lugar ao estranho sistema dos Espíritos Glóbulos.
BIBLIOGRAFIA
KARDEC, Allan - O Livro dos
Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª
Parte
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos,edição
especial. Capivari: EME, 1997 - Cap VIII e IX
Ver também estudo - Propriedades
do Perispírito de março/03
Tereza Cristina D'Alessandro
Setembro/04