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Estudo 73 - 190. Médiuns
especiais para efeitos intelectuais. Aptidões diversas.
Médiuns videntes: os que, em estado de vigília,
vêem os Espíritos. A visão acidental e fortuita
de um Espírito, numa circunstância especial, é muito
freqüente, mas, a visão habitual ou facultativa dos Espíritos,
sem distinção, é excepcional. (N. 167.)
Em nota Allan Kardec explica: "É uma aptidão a que
se opõe o estado atual dos órgãos visuais. Por
isso é que cumpre nem sempre acreditar na palavra dos que dizem
ver os Espíritos”.
Afirma Allan Kardec que “(...) A faculdade consiste na possibilidade,
senão permanente, pelo menos muito freqüente de ver qualquer
Espírito que se apresente, ainda que seja absolutamente estranho
ao vidente. A posse dessa faculdade é que constitui propriamente
falando, o médium vidente(...)”.
No livro Mediunidade o professor Herculano Pires esclarece que “(...)
a vidência, como todas as formas de mediunidade, pode ocorrer
ocasionalmente a qualquer pessoa, mas a sua ação permanente,
nos casos de mediunato, pode bloquear a razão e excitar o misticismo.
Nesses casos o místico está sujeito a enganos fatais.
O espírito encarnado está condicionado à vida do
plano material, não dispondo de segurança para lidar com
os problemas do plano espiritual. No desdobramento, com fins de pesquisa
no outro plano, esse problema se agrava, pois o deslocamento do espírito
para um campo de ação que não é o seu, durante
a encarnação, o coloca no plano espiritual como um estrangeiro
que precisaria de um tempo para ajustar-se a ele. Por isso Kardec preferiu
o estudo e a investigação através das manifestações
mediúnicas, onde é possível controlar-se a legitimidade
das informações dadas pelos habitantes do plano espiritual.
Ressalta ainda o autor que Charles Richet, o fundador da metapsíquica,
levantou o problema do condicionamento da vidência à crença
do vidente. Relembra também que Frederic Myers demonstrou que
a nossa mente está condicionada para a interpretação
das percepções sensoriais. A consciência supraliminar,
onde funciona a nossa mente de relação, está voltada
para as condições do mundo em que vivemos, e que a consciência
subliminar, que equivale ao inconsciente, destina-se a funcionar normalmente
na vida futura, ou seja, no plano espiritual.
Para Allan Kardec nada disso passou despercebido, como se pode
ver nos relatos de pesquisa nas comunicações mediúnicas
de encarnados que se encontram na Revista Espírita. Os próprios
espíritos recém-desencarnados referem-se às dificuldades
que enfrentam para adaptar-se as condições do mundo espiritual.
Como entender a existência do mediunato de vidência? A razão
nos mostra, ressalta o prof. Herculano Pires, que esse mediunato jamais
será concedido para aventuras de Espíritos encarnados
no plano espiritual, porque isso seria condenar o médium a uma
situação de dualidade perigosa na vida terrena. Esse mediunato
existe, afirma ele, para fins de auxílio às pesquisas
ou para demonstrações da verdade espírita, mas
não para criar condições anômalas no campo
mediúnico.
Todas essas reflexões nos levam a entender a mediunidade de vidência
como uma tarefa que está, como as outras, condicionada ao aspecto
moral, a uso que o médium dela fará, considerando a sua
condição moral. Sabemos que é uma expressão
mediúnica que coloca o médium em evidência, daí
a necessidade de cuidados.
Relembramos Allan Kardec: “(...) A faculdade de ver os Espíritos
pode, sem dúvida, se desenvolver, mas é uma dessas faculdades
cujo desenvolvimento deve processar-se naturalmente, sem que se provoque,
se não quiser expor-se às ilusões da imaginação.
Quando temos o germe de uma faculdade, ela se manifesta por si mesmo.
Devemos, por princípio, contentar-nos com aquelas que Deus nos
concedeu, sem procurar o impossível, porque, então, querendo
ter demais, arrisca-se a perder o que tem (...)”
O Codificador chama a atenção também para o fato
de que médiuns videntes, propriamente ditos, são ainda
mais raros e que é prudente não lhes dar fé senão
mediante provas positivas. Algumas pessoas podem, sem dúvida,
enganar-se de boa fé, mas outras podem simular essa faculdade
por amor próprio ou interesse e nesse caso, deve-se levar em
conta o caráter, a moralidade e a sinceridade habituais da pessoa.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan - O Livro
dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVI
- 2ª Parte – itens 167 e 190 |
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BIGHETTI, Leda Marques
– Educação Mediúnica “Teoria e
Prática” 1º volume: 1.ed Ribeirão Preto:
BELE, 2005 – pág 208 a 210 |
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PIRES, José Herculano
– Mediunidade: 1.ed. São Paulo: PAIDÉIA,1986
- Cap III |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Outubro/2007 |
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