Estudo 114 – Questão
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Por
nossos estudos anteriores, percebemos que todas as imperfeições
morais são portas abertas aos Espíritos maus, sendo o
orgulho a que eles exploram com mais habilidade, por ser este a que
menos se admite sobre si mesmo. Por esta razão, o orgulho tem
posto a perder numerosos médiuns dotados das mais belas faculdades,
que, sem ele, seriam instrumentos excelentes e muito úteis, pois
se tornando presa de Espíritos mentirosos, suas faculdades são
primeiramente pervertidas, depois aniquiladas, o que os leva às
mais amargas decepções.
Vimos
no estudo anterior que o orgulho começa a tomar conta do médium
quando este começa a desenvolver cega confiança na superioridade
das comunicações recebidas e na infalibilidade do Espírito
que as transmite, do que resulta certo desprezo por tudo o que não
procede dele, que julga possuir o privilégio da verdade.
Dessa
forma o orgulho se manifesta no médium por sinais inequívocos,
para os quais é necessário chamar a atenção,
mas além dele, outros também são destacáveis,
como o prestígio dos grandes nomes com que se apresentam os Espíritos
que se dizem seus protetores ou se comunicam através dele.
Destaca
Allan Kardec que sob a ação do orgulho, o médium
sofreria em seu amor próprio se tivesse de se admitir enganado,
sendo esta a razão pela qual repele toda espécie de conselhos
e até mesmo os evita, afastando-se dos amigos e de quem quer
que lhe possam abrir os olhos. Acredita o médium que seria quase
uma profanação duvidar da superioridade do Espírito
que o guia se ouvisse tais conselhos, o que o leva a chocar-se com a
menor discordância, com a menor crítica que receba, indispondo-se
então com aqueles que tentam esclarecê-lo.
Envolvido
por Espíritos que querem mantê-lo no isolamento, o médium
perde-se em meio às ilusões criadas para distraí-lo
e fazê-lo acreditar ingenuamente nos maiores absurdos como sendo
coisas sublimes.
Merecem
destaque e muito estudo as características do médium orgulhoso
definidas por Alla Kardec:
- confiança absoluta na superioridade das comunicações
obtidas;
- desprezo por aquelas que não vierem por seu intermédio;
- consideração irrefletida pelos grandes nomes;
- rejeição de conselhos;
- repulsa a qualquer crítica;
- afastamento dos que podem dar opiniões desinteressadas;
- confiança na própria habilidade apesar da falta de
experiência;
Ainda
Allan Kardec: “Necessário lembrar ainda que o orgulho é
quase sempre excitado no médium pelos que dele se servem. Se
possui faculdades um pouco além do comum, é procurado
e elogiado, julgando-se indispensável e logo afetando ares de
importância e desdém, quando presta o seu concurso. Já
tivemos de lamentar, várias vezes, os elogios feitos a alguns
médiuns, com a intenção de encorajá-los”.
E
concluímos estas reflexões relembrando que são
atuais os exemplos de médiuns que se creem investidos de tarefas
renovadoras, servindo a Espíritos mistificadores, os quais, através
de mensagens e livros confundem o público e estimulam críticas
levianas à Doutrina Espírita. É necessário
que médiuns e iniciantes se conscientizem da existência
dessas armadilhas, que podem inclusive torná-los presas de processos
obsessivos, levando-os a prestarem um desserviço à divulgação
do Espiritismo.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan.
O Livro dos Médiuns, 2.ed. São Paulo, FEESP. 1989,
Cap. XX, q. 228 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Novembro / 2011 |