O LIVRO DOS MÉDIUNS
(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)

por

ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO XX

INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS

QUESTÕES DIVERSAS

DISSERTAÇÃO DE UM ESPÍRITO SOBRE A INFLUÊNCIA MORAL

Estudo 114 – Questão 228

             Por nossos estudos anteriores, percebemos que todas as imperfeições morais são portas abertas aos Espíritos maus, sendo o orgulho a que eles exploram com mais habilidade, por ser este a que menos se admite sobre si mesmo. Por esta razão, o orgulho tem posto a perder numerosos médiuns dotados das mais belas faculdades, que, sem ele, seriam instrumentos excelentes e muito úteis, pois se tornando presa de Espíritos mentirosos, suas faculdades são primeiramente pervertidas, depois aniquiladas, o que os leva às mais amargas decepções.
             Vimos no estudo anterior que o orgulho começa a tomar conta do médium quando este começa a desenvolver cega confiança na superioridade das comunicações recebidas e na infalibilidade do Espírito que as transmite, do que resulta certo desprezo por tudo o que não procede dele, que julga possuir o privilégio da verdade.
             Dessa forma o orgulho se manifesta no médium por sinais inequívocos, para os quais é necessário chamar a atenção, mas além dele, outros também são destacáveis, como o prestígio dos grandes nomes com que se apresentam os Espíritos que se dizem seus protetores ou se comunicam através dele.
             Destaca Allan Kardec que sob a ação do orgulho, o médium sofreria em seu amor próprio se tivesse de se admitir enganado, sendo esta a razão pela qual repele toda espécie de conselhos e até mesmo os evita, afastando-se dos amigos e de quem quer que lhe possam abrir os olhos. Acredita o médium que seria quase uma profanação duvidar da superioridade do Espírito que o guia se ouvisse tais conselhos, o que o leva a chocar-se com a menor discordância, com a menor crítica que receba, indispondo-se então com aqueles que tentam esclarecê-lo.
             Envolvido por Espíritos que querem mantê-lo no isolamento, o médium perde-se em meio às ilusões criadas para distraí-lo e fazê-lo acreditar ingenuamente nos maiores absurdos como sendo coisas sublimes.

                 Merecem destaque e muito estudo as características do médium orgulhoso definidas por Alla Kardec:
  • confiança absoluta na superioridade das comunicações obtidas;
  • desprezo por aquelas que não vierem por seu intermédio;
  • consideração irrefletida pelos grandes nomes;
  • rejeição de conselhos;
  • repulsa a qualquer crítica;
  • afastamento dos que podem dar opiniões desinteressadas;
  • confiança na própria habilidade apesar da falta de experiência;

             Ainda Allan Kardec: “Necessário lembrar ainda que o orgulho é quase sempre excitado no médium pelos que dele se servem. Se possui faculdades um pouco além do comum, é procurado e elogiado, julgando-se indispensável e logo afetando ares de importância e desdém, quando presta o seu concurso. Já tivemos de lamentar, várias vezes, os elogios feitos a alguns médiuns, com a intenção de encorajá-los”.
             E concluímos estas reflexões relembrando que são atuais os exemplos de médiuns que se creem investidos de tarefas renovadoras, servindo a Espíritos mistificadores, os quais, através de mensagens e livros confundem o público e estimulam críticas levianas à Doutrina Espírita. É necessário que médiuns e iniciantes se conscientizem da existência dessas armadilhas, que podem inclusive torná-los presas de processos obsessivos, levando-os a prestarem um desserviço à divulgação do Espiritismo.

Bibliografia:

 KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, 2.ed. São Paulo, FEESP. 1989, Cap. XX, q. 228
 
Tereza Cristina D'Alessandro
Novembro / 2011

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