Estudo 64 - Item 185 e 186
Aptidões especiais dos médiuns
Além
das categorias de médiuns que já estudamos, a mediunidade
apresenta uma variedade infinita de matizes, afirma Allan Kardec, que
constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões
particulares, ainda não definidas, abstração feita
das qualidades e conhecimentos do Espírito que se manifesta.
A
natureza das comunicações está sempre relacionada
com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação,
ou da sua inferioridade, de seu saber, ou de sua ignorância. Mas,
apesar da semelhança de grau, do ponto de vista hierárquico,
há sempre entre eles uma tendência maior para este ou aquele
campo. Os Espíritos batedores, por exemplo, raramente se afastam
das manifestações físicas e, entre os que dão
comunicações inteligentes, há Espíritos
poetas, músicos, desenhistas, moralistas, sábios, médicos
etc.
Falamos
dos Espíritos de mediana categoria, porque, chegando eles a um
certo grau, as aptidões se confundem na unidade da perfeição.
Porém, junto com a aptidão do Espírito, há
a do médium, que é, instrumento mais ou menos cômodo,
mais ou menos flexível e no qual descobre ele qualidades particulares
que não podemos apreciar.
Façamos
uma comparação: um músico muito hábil tem
ao seu alcance diversos violinos, que todos, para o vulgo, são
bons instrumentos, mas que são muito diferentes uns dos outros
para o artista consumado, o qual descobre neles matizes de extrema delicadeza,
que o levam a escolher uns e a rejeitar outros, matizes que ele percebe
por intuição, visto que não os pode definir. O
mesmo se dá com relação aos médiuns. Em
igualdade de condições quanto à potência
mediúnicas, o Espírito preferirá um ou outro, conforme
o gênero da comunicação que queira transmitir. Assim,
por exemplo, indivíduos há que, como médiuns, escrevem
admiráveis poesias, sendo certo que, em condições
ordinárias, jamais puderam ou souberam fazer dois versos; outros,
ao contrário, que são poetas e que, como médiuns,
nunca puderam escrever senão prosa, independente do desejo que
nutrem de escrever poesias. Outro tanto sucede com o desenho, com a
música, etc. Alguns há que, sem possuírem de si
mesmos conhecimentos científicos, demonstram especial aptidão
para receber comunicações eruditas; outros, para os estudos
históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes
aos Espíritos moralistas. Numa palavra, qualquer que seja a flexibilidade
do médium, as comunicações que mais facilmente
recebe, trazem geralmente um cunho especial; alguns existem mesmo que
não saem de uma certa ordem de idéias e, quando destas
se afastam, só obtêm comunicações incompletas,
lacônicas e, não raro, falsas.
Além
das causas de aptidão, os Espíritos também se comunicam
mais ou menos dando preferência por tal ou qual médium,
de acordo com as suas simpatias. Assim, em perfeita igualdade de condições,
o mesmo Espírito será muito mais explícito com
certos médiuns, apenas porque estes lhe convêm mais.
Seria
errôneo querer obter-se, simplesmente por ter ao seu alcance um
bom médium, ainda mesmo com a maior facilidade para escrever,
boas comunicações de todos os gêneros. A primeira
condição é de certificar-se da fonte dessas comunicações,
isto é, das qualidades do Espírito que as transmite; porém,
não é menos necessário ter em vista as qualidades
do médium. Necessário, portanto, se estude a natureza
do médium, como se estuda a do Espírito, porquanto são
esses os dois elementos essenciais para a obtenção de
um resultado satisfatório. Um terceiro existe, que desempenha
papel igualmente importante: é a intenção, o pensamento
íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga.
Isto facilmente se concebe.
Para
que uma comunicação seja boa é necessário
que proceda de um Espírito bom; para que esse Espírito
bom POSSA transmiti-la, é indispensável dispor de um bom
instrumento. Para que QUEIRA transmiti-la, é necessário
que o objetivo lhe convenha.
O
Espírito que lê o pensamento julga se a questão
que lhe propõem merece resposta séria e se a pessoa que
a formula é digna dessa resposta. Casão contrário,
não perde seu tempo em lançar boas sementes em cima de
pedras e, é quando os Espíritos levianos e zombeteiros
entram em ação, porque, pouco lhes importando a verdade,
não a encaram de muito perto e se mostram geralmente pouco escrupulosos,
quer quanto aos fins, quer quanto aos meios.
Todos
esses critérios são, sem dúvida alguma, aplicáveis
aos outros gêneros de comunicação, como , por exemplo,
a psicofonia. O bom senso indicado por Allan Kardec deve prevalecer
sempre e, por isso, relembramos suas palavras quando afirma que os Espíritos
zombeteiros e levianos não se importam com a verdade e, baseando-se
em processos de afinidade, de interesses comuns, atendem aos "chamados"
dos encarnados, não se importando com meios que justifiquem os
fins.
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Bibliografia:
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KARDEC, Allan
- O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP,
1989 - Cap XVI - 2ª Parte |
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Tereza
Cristina D'Alessandro
Novembro / 2006 |