O LIVRO
DOS MÉDIUNS
(Guia dos
Médiuns e dos Doutrinadores)
por
ALLAN KARDEC
Contém
o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os
gêneros de manifestações, os meios de comunicação
com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as
dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática
do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES
ESPIRITAS
CAPITULO XIII
PSICOGRAFIA
Estudo 51 -
Item 157 e 158
Em
estudo anterior, vimos que a escrita tem a vantagem de demonstrar de
maneira mais material a intervenção os Espíritos,
deixando traços que podemos conservar, como fazemos com nossa
correspondência. O primeiro meio empregado foi o das pranchetas
e das cestas munidas de lápis, e era chamado de psicografia indireta.
A seguir, veremos a psicografia direta ou manual, conforme descrição
feita por Allan Kardec.
A
psicografia direta ou manual é obtida pelo próprio
médium. Para se compreender este processo, é necessário
saber como se verifica a operação. O Espírito comunicante
atua sobre o médium que, sob essa influência, move maquinalmente
o braço e a mão para escrever, sem ter (é pelo
menos o caso mais comum) a menor consciência do que escreve; a
mão atua sobre a cesta e a cesta sobre o lápis. Assim,
não é a cesta que se torna inteligente; ela não
passa de um instrumento manejado por uma inteligência; não
passa, realmente, de uma lapiseira, de um apêndice da mão,
de um intermediário, entre a mão e o lápis. Suprima-se
esse intermediário, coloque-se o lápis na mão e
o resultado será o mesmo, com um mecanismo muito mais simples,
pois que o médium escreve como o faz nas condições
ordinárias. Dessa maneira, toda pessoa que escreve com a cesta,
prancheta, ou qualquer outro objeto, pode escrever diretamente. De todos
os meios de comunicação, a escrita manual, que
alguns denominam escrita involuntária, é, sem contestação,
a mais simples, a mais fácil e a mais cômoda, porque nenhum
preparativo exige e se presta, como a escrita comum, às dissertações
mais extensas. Esse assunto será aprofundado quando estudarmos
os médiuns.
No
começo dessas manifestações, quando ainda não
se tinha idéias precisas a respeito, muitas publicações
foram feitas com os títulos: Comunicações de
uma mesa, de uma cesta, de uma prancheta, etc. Hoje, tais
expressões são impróprias, ou errôneas, abstração
feita do caráter pouco sério que revelam. Efetivamente,
como acabamos de ver, as mesas, pranchetas e cestas não são
mais do que instrumentos inteligentes, embora animados, por instantes,
de uma vida factícia. Nada dizem por si mesmas e entender o contrário
seria tomar o efeito pela causa, o instrumento pelo princípio.
Fora o mesmo que um autor declarar, no título da sua obra, tê-la
escrito com uma pena metálica ou com uma pena de pato. Esses
instrumentos, aliás, não são exclusivos. Tem-se
o conhecimento de alguém que, em vez da cesta-pião,
usava um funil, em cujo gargalo introduzia o lápis. Poderia,
pois, haver comunicações através de um funil, do
mesmo modo que de uma caçarola ou de uma saladeira. Se elas são
obtidas por meio de pancadas com uma cadeira, ou uma bengala, já
não há uma mesa falante, mas uma cadeira, ou uma bengala
falantes. Como se vê, o que importa conhecer não é
o instrumento e, sim, o modo de obtenção das comunicações.
Se a obtemos pela escrita, qualquer que seja o aparelho que sustente
o lápis trata-se de psicografia; se por meio de pancadas,
tiptologia. Tomando o Espiritismo as proporções de
uma ciência, indispensável se lhe torna uma linguagem científica.
Recordando
que o Espiritismo não inventou e nem descobriu essas manifestações,
mas as estudou em profundidade, inclusive através da psicografia
utilizada pelos Espíritos para diminuir a distância entre
os mundos Material e Espiritual, derramando sobre a Terra páginas
de consolação e esperança, esclarecimentos e orientações,
é que percebemos a importância desse meio de comunicação
e o que ele representou para a própria divulgação
da Doutrina Espírita.
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2. ed. São
Paulo: FEESP, 1989 - Cap XIII - 2ª Parte.
Tereza
Cristina D'Alessandro
Novembro / 2005