O LIVRO DOS MÉDIUNS
(Guia dos Médiuns
e dos Doutrinadores)
por
ALLAN KARDEC
Contém o
ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros
de manifestações, os meios de comunicação
com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades
e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES
ESPIRITAS
CAPITULO VI
MANIFESTAÇÕES
VISUAIS
Estudo 40 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES
Itens 109 e 110
Concluindo
os estudos referentes ao Ensaio Teórico sobre as Aparições
(itens 101 a 110), recordamos, então: os Espíritos têm
um corpo fluídico, a que se dá o nome de perispírito,
cuja substância é haurida do fluido cósmico, e que
ele é mais ou menos etéreo, conforme os mundos e o grau
de depuração do Espírito; que durante a encarnação,
o Espírito conserva seu perispírito, sendo o corpo apenas
um segundo envoltório mais grosseiro, mais resistente, apropriado
aos fenômenos a que tem de prestar-se e do qual se despojará
por ocasião da morte.
O perispírito serve de intermediário ao Espírito
e ao corpo, sendo o órgão de transmissão de todas
as sensações. Não se acha encerrado nos limites
do corpo, como numa caixa, e sim, por sua natureza fluídica,
é expansível, irradiando-se para o exterior e forma, em
torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a
vontade podem dilatar mais ou menos.
Nos
Espíritos desencarnados, devido a sua natureza e em seu estado
normal, o perispírito é invisível, tendo isso de
comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, mas que nunca
vimos. Pode também, como alguns fluidos, sofrer modificações
que o tornam perceptível à vista, quer por uma espécie
de condensação, quer por uma mudança na disposição
molecular. Pode mesmo adquirir as propriedades de um corpo sólido
e tangível e retomar instantaneamente seu estado etéreo
e invisível. São as aparições.
Esses diferentes estados do perispírito resultam de vontade do
Espírito e não de uma causa física exterior, como
acontece com os gases. Entretanto, nem sempre basta ao Espírito
a vontade de tornar-se visível: é necessário, para
que se opere a modificação, o concurso de uma série
de circunstâncias que dele independem. É preciso, inclusive,
lhe seja permitido, fazer-se visível, o que nem sempre lhe é
concedido, ou somente o é em determinadas circunstâncias,
por motivos que nos escapam.
Podendo assumir todas as aparências, o Espírito se apresenta
sob aquela que mais reconhecível o possa tornar, se o quiser.
Geralmente os Espíritos se apresentam com os atributos característicos
de sua elevação, como: resplandecentes demonstrando sua
elevação moral, enquanto que outros trajam as que recordam
suas ocupações terrenas.
O Espírito que quer ou pode realizar uma aparição
toma por vezes uma forma ainda mais precisa, de semelhança perfeita
com um sólido corpo humano, podendo, em alguns casos e sob certas
circunstâncias, a tangibilidade tornar-se palpável, Istoé,
pode-se tocar a aparição, senti-la resistente como um
corpo sólido, o que não impede que ela se desvaneça
com a rapidez do relâmpago.
Todos
os fenômenos citados foram estudados mais profundamente nos itens
anteriores, e Allan Kardec afirma que, o perispírito
é o princípio de todas as manifestações,
sendo que o seu conhecimento nos traz a explicação de
numerosos fenômenos, permitindo grande avanço à
Ciência Espírita, colocando-a numa nova senda, ao tirar-lhe
qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças
aos próprios Espíritos, - pois foram eles que indicaram
o caminho, - a explicação da possibilidade de ação
do Espírito sobre a matéria, da movimentação
de corpos inertes, dos ruídos e das aparições e,
certamente, como explicação de muitos outros fenômenos
ainda por serem estudados, inclusive o das comunicações.
Estas serão melhor compreendidas, se nos inteirarmos de suas
causas fundamentais.
Reflete ainda o Codificador que, longe de considerar a teoria que apresenta
como absoluta e última palavra na questão, ela será,
mais tarde, completada ou retificada através de novos estudos.
Mas, por mais incompleta ou imperfeita que se apresente, pode sempre
ajudar a compreender os fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural.
Se é uma hipótese, não se lhe pode negar o mérito
da racionalidade e da probabilidade.
Por essas reflexões percebemos a postura científica de
Allan Kardec e porque foi chamado, por Camille Flammarion, de "o
bom senso encarnado", pois razão reta e judiciosa, aplicava
sem cessar às suas pesquisas e obras.
Em
nosso próximo estudo abordaremos a Teoria
da Alucinação.
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos
Médiuns: 2. ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI -
2ª Parte.
KARDEC, Allan - A Gênese: 26.ed.Brasília: FEB, 1984
- Discurso pronunciado por Camille Flammarion junto ao
túmulo de Allan Kardec.
Tereza Cristina
D'Alessandro
Novembro/ 2004