Estudo 108– Questão 225 – Conclusão
2
Seguindo
as conclusões sobre o capítulo XIX, transcrevemos mais
uma parte da mensagem dos Espíritos Erasto e Timóteo,
onde esclarecem:
“(...)
Quando somos obrigados a servir-nos de médiuns pouco adiantados,
nosso trabalho se torna mais demorado e penoso, pois temos de recorrer
a formas imperfeitas de expressão, o que é para nós
um embaraço. Somos então forçados a decompor os
nossos pensamentos e ditar palavra por palavra, letra por letra, o que
nos é fatigante e aborrecido, constituindo verdadeiro entrave
à presteza e ao bom desenvolvimento de nossas manifestações.
É
por isso que nos sentimos felizes ao encontrar médiuns bem apropriados,
suficientemente aparelhados, munidos de elementos mentais que podem
ser prontamente utilizados, bons instrumentos numa palavra, porque então
o nosso perispírito, agindo sobre o perispírito daquele
que mediunizamos, só tem de lhe impulsionar a mão que
serve de porta-caneta ou porta-lápis. Com os médiuns mal
aparelhados somos obrigados a realizar um trabalho semelhante ao que
temos para comunicar-nos por meio de pancadas, ou seja, indicando letra
por letra, palavra por palavra, para formar as frases que traduzem o
pensamento a transmitir. Essa a razão de nossa preferência
pelas classes esclarecidas e instruídas, para a divulgação
do Espiritismo e o desenvolvimento da mediunidade escreventes, embora
seja nessas classes que se encontram o indivíduo mais incrédulo,
mais rebelde e mais destituído de moralidade. E é também
por isso que, se hoje deixamos aos Espíritos brincalhões
e pouco adiantados a transmissão das comunicações
tangíveis por meio de pancadas e os fenômenos de transporte,
também entre vós os homens pouco sérios preferem
os fenômenos que lhes tocam os olhos e os ouvidos aos de natureza
puramente espiritual, puramente psicológica.
Quando
queremos ditar mensagens espontâneas agimos sobre o cérebro,
nos arquivos do médium, e juntamos o nosso material com os elementos
que ele nos fornece. E tudo isso sem que ele o perceba. É como
se tirássemos da bolsa do médium o seu dinheiro e dispuséssemos
as moedas, para somá-las. Na ordem que nos parecesse melhor.”
Em
nota, o tradutor Herculano Pires observa: “Note-se
a precisão deste exemplo: o médium possui os elementos
materiais da comunicação, que no caso são as moedas;
o Espírito os toma e utiliza segundo as suas idéias, para
exprimir o seu pensamento. Os exemplos anteriores são também
de extrema clareza. Mas devemos ressaltar neste capítulo o perfeito
esclarecimento das relações entre os Espíritos
e os médiuns. Graças a esse esclarecimento, compreende-se
a função mediúnica como de verdadeiro intérprete
espiritual e os problemas tantas vezes levantados pela crítica,
como o da marca pessoal do médium nas mensagens, o da trivialidade
da maioria destas, o da dificuldade na obtenção de comunicações
de teor elevado no campo das Ciências ou da Filosofia, e outros
que tais ficam perfeitamente esclarecidos. Vê-se que os críticos
do Espiritismo, em sua esmagadora maioria, nada conhecem de todos esses
problemas, expostos de maneira precisa e didática há mais
de um século.”
| Bibliografia: |
| |
KARDEC, Allan.
O Livro dos Médiuns, 2.ed. São Paulo, FEESP. 1989,
Cap. XIX, q. 225 |
| |
|
Tereza Cristina D'Alessandro
Março / 2011 |