Estudo 89 – Desenvolvimento
da Mediunidade (continuação)
Ainda estudando os processos
de formação dos médiuns, relembramos que até
o momento não conhecemos outros mais eficazes do que os indicados
por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, conforme transcritos
a seguir (questões de 211 a 213).
A dificuldade encontrada pela
maioria dos médiuns iniciantes é a de ter que tratar com
os Espíritos inferiores, e eles devem considerar-se felizes quando
se trata de Espíritos apenas levianos. Toda a sua atenção
deve ser empregada para não os deixar tomar pé, porque
uma vez firmados nem sempre é fácil afastá-los.
Esta é uma questão capital, sobretudo no início,
quando, sem as precauções necessárias poder-se-á
por a perder as mais belas faculdades.
A primeira precaução é armar-se o médium
de uma fé sincera, sob a proteção de Deus, pedindo
a assistência do seu anjo guardião. Este é sempre
bom, enquanto os Espíritos familiares, simpatizando com as boas
ou más qualidades do médium, podem ser levianos ou até
mesmo maus.
A segunda precaução é dedicar-se com escrupuloso
cuidado a reconhecer, por todos os indícios que a experiência
oferece, a natureza dos primeiros Espíritos comunicantes, dos
quais é sempre prudente desconfiar. Se esses indícios
forem suspeitos, deve-se apelar com fervor ao anjo guardião e
repelir com todas as forças o mau Espírito, provando-lhe
que não conseguiu enganar, para o desencorajar. Eis porque o
estudo prévio da teoria é indispensável, se o médium
pretende evitar os inconvenientes inseparáveis da falta de experiência.
As instruções a respeito, bem desenvolvidas, estão
nos capítulos sobre a Obsessão e a Identidade dos Espíritos
(O Livro dos Médiuns).
Aqui nos limitaremos a dizer que, além da linguagem, podemos
considerar como provas infalíveis da inferioridade dos Espíritos:
todo os sinais, figuras, emblemas inúteis ou pueris; toda escrita
bizarra, irregulares, intencionalmente deformadas, de tamanho exagerado
ou em formas ridículas e estranhas. Mas a escrita pode ser muito
ruim, até mesmo pouco legível, o que depende mais do médium
que do Espírito, sem ter nada de insólita. Temos visto
médiuns enganados de tal maneira que medem a superioridade dos
Espíritos pelo tamanho das letras, dando grande importância
às letras bem modeladas, como caracteres de imprensa, puerilidade
realmente incompatível com a superioridade real.
Se o médium deve evitar cair, sem querer, na dependência
de Espíritos maus, mais ainda deve evitar de entregar-se voluntariamente
a eles. Uma vontade incontrolada de escrever não deve levá-lo
a crer no primeiro Espírito que se apresente, a menos que pretenda
livrar-se dele mais tarde, quando não mais lhe convier. Mas não
se pede impunemente a assistência, seja para o que for, de um
Espírito mau, que pode exigir pagamento muito caro dos seus serviços.
Algumas pessoas, impacientes com o seu desenvolvimento mediúnico,
que acham muito lento, lembram-se de pedir auxílio de qualquer
Espírito, mesmo que seja mau, contando mandá-lo embora
depois. Muitas foram atendidas e escreveram imediatamente. Mas o Espírito,
não se importando de haver sido chamado nessas condições,
mostrou-se indócil na hora de sair. Sabemos das que foram punidas
em sua presunção, julgando-se fortes para afastá-los
à vontade, por anos de obsessão de toda a espécie,
pelas mistificações mais ridículas, por uma fascinação
tenaz ou mesmo por desastres materiais e pelas mais cruéis decepções.
O Espírito mostrou-se de início francamente mau, depois
se tornou hipócrita, tentando fazer crer na sua conversão
ou fingindo acreditar no pretenso poder do seu subjugado para expulsá-lo
quando quisesse.
A escrita é, às vezes, bem legível, as palavras
e as letras perfeitamente destacadas. Mas com certos médiuns
é difícil de decifrar por outras pessoas, sendo necessário
habituar-se a ela. Muito freqüentemente é formada por grandes
traços. Os Espíritos economizam pouco o papel. Quando
uma palavra ou uma frase é pouco legível, pede-se ao Espírito
o favor de recomeçá-las, o que geralmente faz de boa vontade.
Quando a escrita é habitualmente ilegível, mesmo para
o médium, este quase sempre consegue torná-la mais nítida,
por meio de exercícios freqüentes e regulares, feitos com
muita força de vontade e rogando com ardor ao Espírito
que seja mais correto. Alguns Espíritos adotam muitas vezes sinais
convencionais que usam nas reuniões habituais. Para mostrar que
uma pergunta os desagrada e que não querem respondê-la,
farão, por exemplo, um comprido risco ou outra coisa semelhante.
Quando o Espírito chegou ao fim do que tinha a dizer, ou não
quer mais responder, a mão se imobiliza e o médium, qualquer
que seja o seu poder ou a sua força de vontade, não consegue
obter mais nem uma palavra. Ao contrário, quando ainda não
terminou o lápis prossegue sem que a mão possa detê-lo.
Se quiser dizer espontaneamente alguma coisa, a mão pega convulsivamente
o lápis e começa a escrever, sem poder opor-se. Aliás,
o médium sente quase sempre algo que lhe indica se houve apenas
uma parada ou se o Espírito terminou. É raro que não
sinta quando o Espírito partiu.
São estas as explicações mais importantes que tínhamos
a dar no tocante ao desenvolvimento da psicografia. A experiência
mostrará, na prática, certos detalhes que seriam inúteis
tratar aqui e que os princípios gerais orientarão. Que
muitos experimentem, e aparecerão mais médiuns do que
se pensa.
Todas as orientações
acima são de Allan Kardec e estão em O Livro dos Médiuns.
| Bibliografia: |
| |
KARDEC, Allan - O Livro
dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVII
- 2ª Parte – itens 211 a 213 |
| |
|
|
Tereza Cristina D'Alessandro
Março / 2009
ARTIGO PUBLICADO COM AUTORIZAÇÃO
DO AUTOR |