Estudo 90 –
Desenvolvimento da Mediunidade (continuação)
Continuando o estudo sobre o processo de formação dos
médiuns, relembramos que até o momento não conhecemos
outros mais eficazes do que os indicados por Allan Kardec em O Livro
dos Médiuns, conforme transcritos a seguir (questões de
214 a 218).
Tudo
o que dissemos se refere à escrita mecânica. É a
faculdade que todos os médiuns, com razão, querem desenvolver.
Mas função mecânica pura é muito rara, juntando-se
a ela, muito freqüentemente, em maior ou menor grau, a intuição.
O médium, tendo consciência do que escreve, é naturalmente
levado a duvidar da sua faculdade: não sabe se a escrita é
dele mesmo ou de outro Espírito. Mas ele não deve absolutamente
inquietar-se com isso e deve prosseguir apesar da dúvida. Observando
com cuidado a si mesmo, facilmente reconhecerá nos escritos muitas
coisas que não lhe pertencem, que são mesmo contrárias
aos seus pensamentos, prova evidente de que não procedem da sua
mente. Que continue, pois, e a dúvida se dissipará com
a experiência.
Se
o médium não pode ser exclusivamente mecânico, todas
as tentativas de obter esse resultado serão inúteis, mas
ele erraria se por isso se julgasse deserdado. Se possuir apenas mediunidade
intuitiva, deve contentar-se com ela, que não deixará
de lhe prestar grandes serviços, se souber aproveitá-la
ao invés de repudiá-la.
Se
depois de inúteis tentativas, realizadas durante algum tempo,
não houver nenhum indício de movimento involuntário,
ou se esses movimentos forem muito fracos para produzir resultados,
não deve hesitar em escrever o primeiro pensamento que lhe for
sugerido, nem se inquietar se é dele ou de outro: a experiência
lhe ensinará a fazer distinção. Muito freqüentemente,
aliás, o movimento mecânico se desenvolve mais tarde.
Dissemos
acima que há casos em que é indiferente saber se o pensamento
provém do médium ou de um Espírito. Isso acontece,
sobretudo, quando um médium puramente intuitivo ou inspirado
realiza por si mesmo um trabalho de imaginação. Pouco
importa que então se atribua um pensamento que lhe foi sugerido.
Se boas idéias lhe ocorrem, que as agradeça ao seu bom
gênio e ele lhe sugerirá outras. Essa é a inspiração
dos poetas, dos filósofos e dos cientistas.
Suponhamos
agora a faculdade mediúnica completamente desenvolvida. Que o
médium escreva com facilidade, que seja o que se chama um médium
feito. Seria um grande erro de sua parte considerar-se dispensado de
novas instruções. Ele só teria vencido uma resistência
material, e é então que começam as verdadeiras
dificuldades. Mais do que nunca necessitará dos conselhos da
prudência e da experiência, se não quiser cair nas
mil armadilhas que lhe serão preparadas. Se quiser voar muito
cedo com suas próprias asas, não tardará a ser
enganado por Espíritos mentirosos que procurarão explorar-lhe
a presunção.
Uma
vez desenvolvida a faculdade, o essencial para o médium é
não abusar dela. A satisfação que proporciona a
alguns iniciantes provoca um entusiasmo que precisa ser controlado.
Devem pensar que ela lhes foi dada para o bem e não para satisfazer
a curiosidade vã. É conveniente, portanto, que só
a utilizem nos momentos oportunos e não a todo instante. Os Espíritos
não estão constantemente às suas ordens e eles
correm o risco de ser enganados pelos mistificadores. É bom escolherem
dias e horas determinados para a prática mediúnica, de
maneira a se preparem com maior recolhimento, e para que os Espíritos
que desejam comunicar-se estejam prevenidos e também se coloquem
em melhores disposições.
Se,
apesar de todas as tentativas, a mediunidade não se tiver revelado
de maneira alguma, é necessário renunciar a ela, como
se renuncia a cantar quando não se tem voz. Quem não sabe
uma língua serve-se de um intérprete. Neste caso faz-se
o mesmo recorrendo a outro médium. Mas na falta do médium
não se deve julgar sem assistência dos Espíritos.
A mediunidade é para eles um meio de comunicação,
mas não o motivo único de atração. Os que
nos dedicam afeição estão juntos de nós,
quer sejamos médiuns ou não. Um pai não abandona
o filho porque este é surdo e cego e não o pode ver nem
ouvir. Pelo contrário, envolve-o na sua solicitude, como os Espíritos
bons fazem conosco. Se eles não podem transmitir-nos materialmente
o seu pensamento, ajudam-nos com a sua inspiração.
Todas
as orientações acima são de Allan Kardec e estão
em O Livro dos Médiuns.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan -
O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989
- Cap XVII - 2ª Parte – itens 214 a 218 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Maio / 2009 |
| ARTIGO
PUBLICADO COM AUTORIZAÇÃO DO AUTOR |