O LIVRO DOS MÉDIUNS
(Guia dos Médiuns
e dos Doutrinadores)
por
ALLAN KARDEC
Contém o
ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros
de manifestações, os meios de comunicação
com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades
e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES
ESPIRITAS
CAPITULO VI
MANIFESTAÇÕES
VISUAIS
Estudo 35 - Item 100 (itens 12 a 18) - Perguntas sobre as Aparições
Continuando nossa análise das questões
apresentadas por Allan Kardec aos Espíritos, identificamos a
objetividade e simplicidade com que foram tratados assuntos que ainda
hoje nos chegam revestidos do "sobrenatural e maravilhoso",
o que mostra a necessidade de estudá-los à luz da Doutrina
Espírita.
12ª Os Espíritos que
aparecem com asas, realmente as têm ou essas asas são apenas
uma aparência simbólica?
Os Espíritos não têm asas. Não precisam
delas, pois podem transportar-se por toda parte como Espíritos.
Aparecem da maneira por que querem impressionar a pessoa a que se mostram.
Uns aparecerão em trajes comuns, outros envoltos em amplas roupagens,
alguns com asas, como atributo da categoria espiritual a que pertencem.
13ª As pessoas que vemos em sonho são sempre as que parecem
ser?
São quase sempre as mesmas pessoas que o teu Espírito
vai encontrar ou que vêm te encontrar.
14ª Não poderiam os Espíritos zombeteiros tomar as
aparências das pessoas que nos são caras e nos iludirem?
Tomam aparências fantasiosas para se divertirem à
vossa custa, mas há coisas com as quais não lhes é
permitido.
15ª Como o pensamento é uma espécie de evocação
, compreende-se que possa atrair Espíritos. Mas por que, quase
sempre, as pessoas em que pensamos, que ardentemente desejamos rever,
jamais aparecem nos sonhos, enquanto vemos outras que não nos
interessam e nas quais nunca pensamos?
Os Espíritos nem sempre podem manifestar-se visivelmente,
mesmo em sonho e apesar do desejo que tenhamos de vê-los. Causas
independentes da sua vontade podem impedi-los. Freqüentemente é
também uma prova que o mais ardente desejo não pode afastar.
Quanto às pessoas que não interessam, se é certo
que não pensais nelas, é possível que pensem em
vós. Aliás, não podeis fazer idéia das relações
no mundo dos Espíritos. Lá tendes uma multidão
de conhecidos íntimos, antigos e novos, de que não suspeitais
quando acordados.
NOTA - Quando nenhum meio tenhamos de verificar a realidade das visões
ou aparições, podemos sem dúvida lançá-las
à conta da alucinação. Quando, porém, os
sucessos as confirmam, ninguém tem o direito de atribuí-las
à imaginação. Tais, por exemplo, as aparições,
que temos em sonho ou em estado de vigília, de pessoas em quem
absolutamente não pensávamos e que, produzindo-as no momento
em que morrem, vem, por meio de sinais diversos, revelar as circunstâncias
totalmente ignoradas em que faleceram. Têm-se visto cavalos empinarem
e recusarem caminhar para a frente, por motivo de aparições
que assustam os cavaleiros que os montam. Embora se admita que a imaginação
desempenhe aí algum papel, quando o fato se passa com os homens,
ninguém, certamente, negará que ela nada tem que ver com
o caso, quando este se dá com os animais. Acresce que, se fosse
exato que as imagens que vemos em sonho são sempre efeito das
nossas preocupações quando acordados, não haveria
como explicar que nunca sonhemos, conforme se verifica freqüentemente,
com aquilo em que mais pensamos (Allan Kardec).
16ª Por que razão certas visões ocorrem com mais
freqüência quando se está doente?
Elas ocorrem do mesmo modo no estado de perfeita saúde.
Simplesmente, no estado de doença, os laços materiais
se afrouxam; a fraqueza do corpo permite maior liberdade ao Espírito,
que, então, se põe mais facilmente em comunicação
com os outros Espíritos.
17ª As aparições espontâneas parecem mais freqüentes
em certos países. Será que alguns povos estão mais
bem dotados do que outros para receberem esta espécie de manifestações?
Fizestes um registro histórico de cada aparição?
As aparições, como os ruídos e todas as manifestações,
produzem-se igualmente em todos os pontos da Terra; apresentam, porém,
caracteres distintos, de conformidade com o povo em cujo seio se verificam.
Entre estes, por exemplo, a escrita é pouco desenvolvida e não
há médiuns escreventes; entre outros eles abundam; além
disso, observam-se mais os ruídos e os movimentos de objetos
do que as manifestações inteligentes, por serem estas
menos apreciadas e procuradas.
18ª Por que as aparições se verificam mais à
noite?
Pela mesma razão que vês as estrelas à noite
e não em pleno dia.. A claridade intensa pode ofuscar uma aparição
delicada. Mas é errôneo supor que a noite tenha algo de
espacial para isso. Interroga os que as viram e constatarás que
a maioria ocorre de dia.
Concluímos nosso estudo com nota de Allan Kardec colocada após
o item 18:
Os fenômenos de aparição são muito mais
freqüentes e gerais do que se pensa, porém, muitas pessoas
não os revelam por medo do ridículo e outras os atribuem
à ilusão. Se parecem mais numerosas entre alguns povos,
é porque esses conservam com mais cuidado as tradições
verdadeiras ou falsas, quase sempre ampliadas pelo poder do maravilhoso,
a que mais ou menos se preste o aspecto das localidades. A credulidade
então faz que se vejam efeitos sobrenaturais nos mais vulgares
fenômenos: o silêncio da solidão, o íngreme
caminho, o rumorejar da floresta, as rajadas da tempestade, o eco das
montanhas, a forma fantástica das nuvens, as sombras, as miragens,
tudo enfim se presta à ilusão das imaginações
simples e ingênuas, que de boa-fé narram o que viram, ou
julgaram ver. Porém, ao lado da ficção, há
a realidade, que o estudo sério do Espiritismo consegue livrar
dos acessórios das superstições ridículas.
BIBLIOGRAFIA
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns:
2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte
KARDEC, Allan - Revista Espírita, 1861 - Julho: Brasília:
EDICEL. Ensaio sobre a teoria da alucinação; Variedades
- As visões do Sr. O.
Tereza
Cristina D'Alessandro
Junho / 2004