Estudo 92 –
PERDA E SUSPENSÃO DA MEDIUNIDADE
Ao
tratarmos da perda e suspensão da mediunidade é necessário
relembrar que a mediunidade não é uma improvisação
nem um acontecimento fortuito. Pelo contrário, ela faz parte
da constituição do homem e tem suas raízes plantadas
em causas e decisões anteriores ao momento de sua eclosão.
Constitui relevante instrumento de evolução, porém,
mesmo sendo percebida, assim, como qualidade, sabemos que o grau de
intensidade dessa faculdade não é proporcional ao desenvolvimento
moral de seu detentor, do qual independe.
O
uso que o médium faz da sua faculdade é o que mais influi
sobre os Espíritos bons, sendo ele o responsável pela
condução adequada ou não, das suas experiências
mediúnicas, favorecendo intermitências e suspensões
momentâneas.
Explicam os Espíritos em O Livro dos Médiuns,
questão 220, que o médium pode ter o exercício
mediúnico suspenso, momentaneamente, por diversas razões,
caracterizadas pelo afastamento dos Espíritos Bons que não
querem ou não podem servir-se dele.
São
considerados motivos para o afastamento dos Bons Espíritos:
- Mau uso da mediunidade:
- Futilidades;
- Finalidades ambiciosas;
- Recusa-se a transmitir
mensagens;
- Recusa-se a colaborar
no esclarecimento ou ajuda aos necessitados;
- Quando não
aproveita as instruções e orientações
recebidas.
- Possibilitar ao médium
servir como instrumento de outros Espíritos ?
- Demonstração de solicitude do Amigo Espiritual pelo
médium que necessita de repouso. Nesse caso, ele não
permite que outros Espíritos o substituam junto ao médium.
- Para experimentar a
paciência e avaliar a perseverança de médiuns
bons.
O
afastamento do Espírito Bom deve sempre levar o médium
a reflexões sobre como pode melhorar a sua relação
de trabalho com o mundo espiritual; deve ajudá-lo a refletir
sobre os próprios procedimentos, sobre a necessidade de estudo
e principalmente sobre o seu trabalho pessoal no Bem.
Ainda em O Livro dos Médiuns os Espíritos esclarecem
que a suspensão da atividade mediúnica não implica
afastamento dos Espíritos Amigos: “(...) O médium
se acha na situação da pessoa que tivesse perdido a vista
momentaneamente, mas não foi abandonada pelos amigos, embora
não os veja.” . A seguir completam “(...)
Se a falta da mediunidade pode privá-lo das comunicações
por meio material com certos Espíritos, não o priva das
comunicações mentais.”
Acrescentam ainda que nem sempre a suspensão é uma censura,
pois pode ser uma demonstração de benevolência,
e que o médium deve consultar a sua consciência, perguntar
a si mesmo que uso tem feito de sua faculdade, que bem tem resultado
disso para os outros, que proveito tem tirado dos conselhos que lhe
deram, e saberá distinguir a censura da ação benevolente.
Constata-se que o maior obstáculo à utilização
da mediunidade é o conjunto das imperfeições do
médium. Allan Kardec ao identificar o caráter de missão
conferido à mediunidade, perguntou aos Espíritos por que
Deus a designa a homens imperfeitos e não aos homens de bem,
sendo que eles responderam que são os imperfeitos que dela necessitam
para se aperfeiçoarem, e para que tenham a possibilidade de receber
bons ensinamentos.
Podemos concluir que, ante a constatação de que se é
portador da mediunidade, tem o indivíduo o direito de consultar
o seu livre-arbítrio, decidindo-se entre assumir o seu exercício,
ou não. Se optar pelo exercício mediúnico, deve
o médium investir no seu aperfeiçoamento moral, criando
condições para se tornar um médium educado, com
desempenho mediúnico voluntário e disciplinado. Se preferir
recusar a mediunidade, estará rejeitando uma dádiva da
vida para o seu desenvolvimento espiritual, abandonando excelente roteiro
evolutivo.
Quando surgem motivos de ordem existencial involuntários e incontroláveis,
tais como doenças, deveres profissionais, desequilíbrios
emocionais, desestruturando a mente do médium , os próprios
Amigos Espirituais providenciam interrupções temporárias,
as quais também podem servir como provas, visando chamar a atenção
do trabalhador quanto à correta vivência dos seus deveres.
A mediunidade não constitui obstáculo na caminhada do
seu portador, porém não é aquisição
apressada que se obtém por meio de facilidades humanas. Quando
aceita com alegria e responsabilidade, transforma-se em instrumento
de crescimento e evolução, pois encaminha o médium
ao trabalho com Jesus.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan - O Livro
dos Médiuns: 2.ed. São Paulo:FEESP, 1989 - Cap. XVII,
q. 220, itens 1-16 |
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NEVES, J.; AZEVEDO, G.; CALAZANS,
N.; FERRAZ, J. - “Reuniões Mediúnicas - Projeto
Manoel P. de Miranda”, 2.ed. Salvador:LEAL, 1993, 7. Vivência
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Tereza Cristina D'Alessandro
Julho / 2009 |