Estudo 87 –
Desenvolvimento da Mediunidade (continuação)
Allan
Kardec oferecendo seguras orientações para a educação
mediúnica de médiuns escreventes/psicógrafos ressalta
ser necessário abster-se o médium de chamar um determinado
Espírito, porque muitas vezes acontece não ser com ele
que as relações fluídicas se estabeleçam
com maior facilidade, por maior simpatia que lhe devote. Antes, pois,
de pensar em obter comunicações deste ou daquele Espírito,
é necessário tratar do desenvolvimento da faculdade, fazendo
para isso um apelo geral e se dirigindo, sobretudo, ao seu anjo guardião.
Não há para isso fórmulas sacramentais. Quem pretender
oferecer uma fórmula pode ser firmemente taxado de impostor,
porque para o Espírito a forma nada vale. Entretanto a evocação
deve ser feita sempre em nome de Deus.
Transcrevemos
a seguir as questões 205 a 207 de O Livro dos Médiuns
205.
Para evitar tentativas inúteis, pode-se interrogar, por outro
médium, um Espírito sério e elevado. Mas é
bom lembrar que, quando se propõe aos Espíritos a questão
de saber se temos ou não mediunidade, eles quase sempre respondem
afirmativamente, o que não impede que as tentativas sejam muitas
vezes infrutíferas. Isso se explica naturalmente. Propõe-se
ao Espírito uma questão geral e ele responde de maneira
geral. Como se sabe, nada há mais elástico do que a faculdade
mediúnica, pois ela pode se apresentar sob as mais variadas formas
e nos mais diverso graus. Pode-se, portanto, ser médium sem o
perceber e num sentido diferente do que se pensa.
A
esta questão vaga: Sou médium? O Espírito responde:
Sim. A esta mais precisa: Sou médium escrevente? Ele pode responder:
Não. Deve-se ainda conhecer a natureza do Espírito interrogado.
Há Espíritos tão levianos e tão ignorantes
que respondem a torto e a direito, como verdadeiros estúrdios.
Eis porque aconselhamos dirigir-se a Espíritos esclarecidos,
que geralmente respondem de boa vontade a essas perguntas e indicam
o melhor caminho a seguir, se houver possibilidades de êxito.
206.
Um meio que dá quase sempre bom resultado é o emprego,
como auxiliar momentâneo, de um bom médium escrevente flexível
e já formado. Se ele puser a mão ou os dedos sobre a mão
que deve escrever, é raro que ela não se mova imediatamente.
Compreende-se o que então se passa: a mão que segura o
lápis torna-se uma espécie de apêndice da mão
do médium, como o seria a cesta ou a prancheta. Mas isso não
impede que esse exercício seja realmente útil quando se
pode empregá-lo, pois que, freqüente e regularmente repetido,
ajuda a vencer o obstáculo material e provoca o desenvolvimento
da faculdade.
Às
vezes, também, basta magnetizar com essa intenção
o braço e a mão do que deseja escrever. Muitas vezes o
magnetizador se limita a pousar sua mão no ombro da pessoa, e
temos visto escrever prontamente sob essa influência. O mesmo
efeito se pode ainda produzir sem nenhum contato e pelo simples efeito
da vontade. Compreende-se facilmente que a confiança do magnetizador
em seu poder, para produzir esse resultado, deve exercer um grande papel,
e que um magnetizador incrédulo exerceria fraca ou nenhuma ação.
O
concurso de um guia experimentado é também muito útil
algumas vezes, para indicar ao iniciante uma série de pequenas
precauções que ele costuma negligenciar, em detrimento
da rapidez do seu progresso. É útil, sobretudo, para esclarecê-lo
quanto à natureza das primeiras perguntas e a maneira de fazê-las.
Seu papel é o de um professor que se dispensa quando a gente
se tornou bastante hábil.
207.
Outro meio que pode também contribuir poderosamente para o desenvolvimento
da faculdade consiste em reunir um certo número de pessoas, todas
animadas do mesmo desejo e da mesma intenção. Todas, guardando
absoluto silêncio, num recolhimento religioso, simultaneamente
experimentam escrever, apelando cada qual ao seu anjo guardião
ou a algum Espírito simpático. Uma delas pode também
fazer, sem designação especial e por todos os membros
da reunião, um apelo geral aos Espíritos bons, dizendo,
por exemplo: Em nome de Deus Todo Poderoso rogamos aos bons Espíritos
que se dignem comunicar-se pelas pessoas aqui presentes. É raro
que entre elas não haja algumas que dêem prontamente sinais
de mediunidade ou mesmo escrevam de maneira fluente em pouco tempo.
Fácil
compreender o que se passa nessa circunstância. As pessoas unidas
por uma mesma intenção formam um todo coletivo cujo poder
e cuja sensibilidade aumentam por uma espécie de influência
magnética que auxilia o desenvolvimento da faculdade. Entre os
Espíritos atraídos por essa conjugação de
vontades há os que encontram em meio aos assistentes o instrumento
que lhes convém. Se não for um, será outro e eles
o aproveitam.
Esse
meio deve, sobretudo, ser empregado pelos grupos espíritas que
não dispõem de médiuns, ou que não os têm
em número suficiente.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan -
O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989
- Cap XVII - 2ª Parte – item 205 a 207 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Janeiro / 2009 |