Estudo 107– Questão
225 – Conclusão 1
Iniciando as conclusões sobre os estudos
do capítulo XIX, transcrevemos mensagem dos Espíritos
Erasto e Timóteo:
“Qualquer
que seja a natureza dos médiuns escreventes, mecânicos,
semimecânicos ou simplesmente intuitivos, nossos processos de
comunicação por meio deles não variam na essência.
Com efeito, nossas comunicações com os Espíritos
encarnados, diretamente, ou com os Espíritos propriamente ditos,
se realizam unicamente pela irradiação do nosso pensamento”.
Nossos
pensamentos não necessitam das vestes da palavra para que os
Espíritos os compreendam. Todos os Espíritos percebem
o pensamento que desejamos transmitir-lhes, pelo simples fato de o dirigirmos
a ele, e isso na razão do grau de suas faculdades intelectuais.
Quer dizer que determinado pensamento pode ser compreendido por estes
e aqueles, segundo o respectivo adiantamento, enquanto para outros o
mesmo pensamento, não despertando nenhuma lembrança, nenhum
conhecimento no fundo do seu coração ou do seu cérebro,
não é perceptível. Nesse caso, o Espírito
encarnado que nos serve de médium é mais apropriado para
transmitir o nosso pensamento a outros encarnados, embora não
o compreenda, o que um Espírito desencarnado mas pouco adiantado
não poderia fazer, se fôssemos obrigados à sua mediação.
Porque o ser terreno põe o seu corpo, como instrumento, à
nossa disposição, o que o Espírito errante não
pode fazer.
Assim,
quando encontramos num médium o cérebro cheio de conhecimentos
adquiridos na sua vida atual, e o seu Espírito rico de conhecimentos
anteriores, latentes, próprios a facilitar as nossas comunicações,
preferimos servir-nos dele, porque então o fenômeno da
comunicação nos será muito mais fácil do
que através de um médium de inteligência limitada,
e cujos conhecimentos anteriores fossem insuficientes. Vamos nos fazer
compreender por meio de algumas explicações claras e precisas.
Com
um médium cuja inteligência atual ou anterior esteja desenvolvida,
nosso pensamento se comunica instantaneamente, de Espírito a
Espírito, graças a uma faculdade peculiar à essência
mesma do Espírito. Nesse caso encontramos no cérebro do
médium os elementos apropriados à roupagem de palavras
correspondentes a esse pensamento, quer o médium seja intuitivo,
semimecânico ou mecânico. É por isso que apesar de
diversos Espíritos se comunicarem através do médium,
os ditados por eles recebidos trazem sempre o cunho pessoal do médium,
quanto à forma e ao estilo. Porque embora o pensamento não
seja absolutamente dele, o assunto não se enquadre em suas preocupações
habituais, o que desejamos dizer não provenha dele de maneira
alguma, ele não deixa de exercer sua influência na forma,
dando-lhe as qualidades e propriedades características da sua
individualidade. É precisamente como quando olhamos diversos
lugares através de binóculos coloridos, de lentes brancas,
verdes ou azuis, e embora os lugares e objetos vistos pertençam
ao mesmo trecho mas tenham aspectos inteiramente diferentes, aparecem
sempre com a coloração dada pelas lentes.
Melhor
ainda: comparemos os médiuns a esses botijões de vidros
com líquidos coloridos e transparentes que se vêem nos
laboratórios farmacêuticos. Pois bem, nós somos
como focos luminosos voltados para certos trechos de paisagens morais,
filosóficas, iluminando-os através de médiuns azuis,
verdes ou vermelhos, de maneira que os nossos raios luminosos tomam
essas colorações. Ou seja, obrigados a atravessar vidros
mais ou menos bem lapidados, mais ou menos transparentes, o que vale
dizer médiuns mais ou menos apropriados, esses raios só
atingem os objetos que desejamos iluminar tomando a coloração
ou a forma própria e particular desses médiuns.
Enfim,
para terminar com mais uma comparação: nós, os
Espíritos, somos como os compositores de música que tendo
composto ou querendo improvisar uma ária só dispõem
de um destes instrumentos; um piano, um violino, uma flauta, um fagote
ou um apito comum. Não há dúvida que com o piano,
com a flauta ou com o violino executaremos a ária de maneira
satisfatória. Embora os sons do piano, do fagote ou da flauta
sejam essencialmente diferentes entre si, nossa composição
será sempre a mesma nas diversas variações de sons.
Mas se dispomos apenas de um apito comum ou mesmo de um sifão
de esguicho, eis-nos em dificuldade.
Através
destes ensinamentos, entendemos a importância de o médium
ser estudioso, responsável no uso da faculdade mediúnica,
pois sempre será ele quem escolherá suas companhias espirituais
e a quais Espíritos servirá como intermediário.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan.
O Livro dos Médiuns, 2.ed. São Paulo, FEESP. 1989,
Cap. XIX, q. 225 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Fevereiro / 2011 |