Estudo 115 – Questão
229
Através
dos estudos anteriores compreendemos que o orgulho começa a tomar
conta do médium quando este começa a desenvolver cega
confiança na superioridade das comunicações recebidas
e na infalibilidade do Espírito que as transmite, do que resulta
certo desprezo por tudo o que não procede dele, que julga possuir
o privilégio da verdade.
Assim
considerando, torna-se difícil encontrar um médium perfeito,
porque não há perfeição sobre a Terra. O
médium perfeito seria aquele a quem os maus Espíritos
jamais ousassem fazer uma tentativa de enganar; assim, o melhor é
o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, seja enganado
menos vezes.
Aqui
cabe uma pergunta: Por que os bons Espíritos permitem que
o médium seja enganado?
Para
que exercite seu julgamento e aprenda a discernir o verdadeiro do falso.
Além disso, por melhor seja um médium, jamais é
tão perfeito que não tenha um lado fraco, pelo qual possa
ser atacado. As comunicações falsas que recebe de quando
em quando são advertências para que não se julgue
infalível e se torne orgulhoso.
Portanto,
quem é o bom médium?
Recorremos
a O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3, O Homem
de Bem, para responder a esta questão:
“O
verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça,
amor e caridade na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência
sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei,
se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não
deixou escapar nenhuma ocasião de ser útil. Se ninguém
tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo aquilo que
queria que os outros fizessem por ele.”
Assim
podemos compreender que sendo a mediunidade processo de vida, o médium
não pode apresentar duplicidade de comportamento, isto é,
o bom médium e o homem de bem são a mesma pessoa. Se a
vida exige de cada pessoa disciplina e responsabilidade frente aos inúmeros
estímulos que recebe, se espera equilíbrio e brandura
no lidar com o próximo além de resistência nas provas,
a mediunidade e o médium se enriquecem de modo idêntico
com essas conquistas. Não há educação mediúnica
sem crescimento moral; se a mediunidade é para toda a vida, por
que não o seria para todas as horas? Quem é médium
não o é somente nas reuniões de intercâmbio
espiritual. O médium não é alguém que possui
uma chave “liga/desliga” que lhe permite estar ou não
médium.
A
faculdade mediúnica é um sentido profundo acompanhando
seu detentor onde ele esteja. Isto não quer dizer que se deva
entrar em transe a qualquer hora e lugar, porém perceber o que
seja permitido, reservando-se o direito de permanecer lúcido
e ativo no cumprimento de suas tarefas e compromissos sociais, permanecendo
em sintonia com os Bons Espíritos, criando condições
para servir de instrumento ao Bem onde e quando esse seja necessário.
Através
destas reflexões, compreende-se que o bom médium é
aquele que torna sua existência um processo educativo, pelo aproveitamento
de suas experiências, procurando assimilar e construir valores
éticos e morais elevados.
Allan
Kardec e os Espíritos Superiores recomendaram que, tão
logo se constatem os sintomas da mediunidade, deve o médium buscar
o estudo a desdobrar-se em duas frentes distintas: Doutrina Espírita
e suas relações com as diversas áreas do conhecimento,
a primeira, e psicologia do comportamento, a segunda.
Praticar
a mediunidade sem conhecer os mecanismos básicos da faculdade
é como manipular substâncias sem o conhecimento de Química,
como explica Kardec em O Que é o Espiritismo, Segundo Diálogo.
Não há como trabalhar com segurança sem compreender
importantes assuntos, tais como: finalidade do intercâmbio, a
influência pessoal e moral do médium e do meio, a metodologia
para distinguir a qualidade moral dos Espíritos e os obstáculos
a superar ao longo do exercício etc.
Por
sua vez, a análise do comportamento íntimo propicia, no
início, o autodescobrimento, depois o autodomínio e posteriormente
a auto-iluminação. Sendo o médium uma pessoa ultrassensível,
com emoções que oscilam mais que o habitual, o que lhe
exige maior atenção e equilíbrio no lidar com as
próprias impressões, deve sobrepor-se às emoções
mais grosseiras, bem como disciplinar as sensações do
campo físico.
Este
é um aprendizado lento, porém constante, mostrando uma
estreita relação entre a educação para a
mediunidade e a educação para a vida, e que o Homem de
Bem e o Bom Médium são a mesma pessoa.
| Bibliografia: |
| |
KARDEC, Allan -
O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo, FEESP.
1989 - Cap. XX, q. 229 – 230 |
 |
O Evangelho segundo o Espiritismo:
6.ed. São Paulo: FEESP, 1990 – cap.XVII -3 |
 |
NEVES,J.; AZEVEDO, G.; CALAZANS,
N.; FERRAZ, J. Vivência Mediúnica - Projeto
Manoel P. de Miranda, Salvador: LEAL, 1994, Cap. 8 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Dezembro / 2011 |