Estudo 86 –
Desenvolvimento da Mediunidade
Allan
Kardec considerando a mediunidade como porta de comunicação
entre o plano espiritual e o material e que se queira conversar com
os entes queridos que já retornaram à pátria espiritual,
apresentou orientações para o médium e para aqueles
que poderiam se utilizar de recursos mediúnicos para essa finalidade,
nos itens 203 e 204, os quais transcrevemos a seguir:
O desejo de todo aspirante a médium é naturalmente poder
conversar com Espírito de pessoas queridas, mas essa impaciência
deve ser moderada, porque a comunicação com determinado
Espírito apresenta quase sempre dificuldades materiais que a
tornam impossíveis para o iniciante. Para que um Espírito
possa comunicar-se é necessário haver entre ele e o médium
relações fluídicas que nem sempre se estabelecem
de maneira instantânea. Somente na proporção em
que a mediunidade se desenvolve o médium vai adquirindo a aptidão
necessária para entrar em relação com o primeiro
Espírito comunicante.
Pode
ser, portanto, que o Espírito desejado não esteja em condições
propícias, apesar de se encontrar presente. Como pode ser, ainda,
que ele não tenha possibilidade nem permissão de atender
ao apelo. Convém, pois, no princípio, abster-se o médium
de chamar um determinado Espírito, porque muitas vezes acontece
não ser com ele que as relações fluídicas
se estabeleçam com maior facilidade, por maior simpatia que lhe
devote. Antes, pois, de pensar em obter comunicações deste
ou daquele Espírito, é necessário tratar do desenvolvimento
da faculdade, fazendo para isso um apelo geral e se dirigindo, sobretudo,
ao seu anjo guardião.
Não
há para isso fórmulas sacramentais. Quem pretender oferecer
uma fórmula pode ser firmemente taxado de impostor, porque para
o Espírito a forma nada vale. Entretanto a evocação
deve ser feita sempre em nome de Deus. Pode-se fazê-la nos termos
seguintes ou em outros equivalentes: Rogo a Deus todo poderoso permitir
a um bom Espírito comunicar-se comigo, fazendo-me escrever; rogo
também ao meu Anjo guardião que me assista e afaste de
mim os Espíritos maus.
Espera-se
então que um Espírito se manifeste, fazendo escrever alguma
coisa. Pode acontecer que seja aquele que se deseja como pode ser um
Espírito desconhecido ou o Anjo da Guarda. Num caso ou noutro,
geralmente ele se dá a conhecer escrevendo o nome. Apresenta-se
então o problema da identidade, uma das que requerem maior experiência,
pois são poucos os iniciantes que não estejam expostos
a ser enganados. Tratamos disso logo mais, em capítulo especial.
Quando
se quer chamar determinados Espíritos, é essencial dirigir-se
inicialmente aos que se sabe serem bons e simpáticos e que podem
ter um motivo para atender, como os de parentes e amigos. Nesse caso
a evocação pode ser feita assim: Em nome de Deus todo
poderoso, rogo ao Espírito de fulano que se comunique comigo.
Ou ainda: Rogo a Deus todo poderoso permitir ao Espírito de fulano
que se comunique comigo. Ou por outras palavras correspondentes a esse
mesmo pensamento.
É
também necessário que as primeiras perguntas sejam formuladas
de maneira que as respostas sejam dadas simplesmente por um sim ou não.
Por exemplo: Estás aí? – Queres responder? –
Pode fazer-me escrever? etc. Mais tarde, essa precaução
será desnecessária. No começo, trata-se de estabelecer
uma relação. O essencial é que a pergunta não
seja fútil, que não se refira a coisas de interesse privado,
e, sobretudo, que seja a expressão de um sentimento benevolente
e simpático para o Espírito ao qual se dirige.
Mais
importante a se observar, do que a maneira de fazer o apelo é
a calma e o recolhimento que se deve ter, juntos a um desejo ardente
e uma firme vontade de êxito. E por vontade não entendemos
aqui um desejo efêmero e inconseqüente, a cada momento interrompido
por outras preocupações, mas uma vontade séria,
perseverante, sustentada com firmeza, sem impaciência nem ansiedade.
O recolhimento é favorecido pela solidão, pelo silêncio
e afastamento de tudo o que possa provocar distrações.
Nada
mais resta então a fazer, senão isto: renovar todos os
dias a tentativa, durante dez minutos, um quarto de hora ou mais de
cada vez, durante quinze dias, um mês, dois meses e mais se necessário.
Conhecemos médiuns que só se formaram depois de seis meses
de exercício, enquanto outros escrevem corretamente desde a primeira
vez.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan -
O Livro dos Médiuns: 2. ed. São Paulo: FEESP, 1989
- Cap XVII - 2ª Parte – item 203 e 204 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Dezembro / 2008 |