Estudo 65 - Item 187 e 188
Quadro sinóptico das diferentes espécies
de médiuns
São resumidos a seguir os principais gêneros de mediunidade,
a fim de apresentar, por assim dizer, o quadro sinóptico de todas,
compreendidas as que já foram descritas nos estudos precedentes.
Foram reunidas as diferentes espécies de médiuns por analogia
de causas e efeitos, sem que esta classificação algo tenha
de absoluto. Algumas se encontram com facilidade; outras, ao contrário,
são raras e excepcionais, o que será indicado. Afirma
Allan Kardec que estas últimas indicações foram
todas feitas pelos Espíritos, que, aliás, reviram este
quadro com particular cuidado e o completaram por meio de numerosas
observações e novas categorias, de modo que o dito quadro
é, a bem dizer, obra deles. Mediante aspas, destacamos as suas
observações textuais, sempre que nos pareceu conveniente
assiná-las. São, na sua maioria, de Erasto e de
Sócrates.
Podem dividir-se os médiuns em duas grandes categorias:
Médiuns de efeitos físicos, os que têm
o poder de provocar efeitos materiais, ou manifestações
ostensivas. Possuem essa aptidão para produzirem fenômenos
que se traduzem por exteriorizações sensíveis,
como ruídos, movimentos, deslocamento de corpos sólidos.
Para que tais efeitos se processem, faz-se necessária a intervenção
de uma ou mais pessoas dotadas dessa especial aptidão, e que
por efeito de sua constituição, possibilitam a maior emanação
de fluido animalizado, mais ou menos fácil de combinar-se com
o fluido universal, com fluidos próprios do plano dos Espíritos,
com os quais, por ação da vontade, dão vida factícia
ou momentânea a determinados objetos, produzindo fenômenos
(ver item 160 de O Livro dos Médiuns).
Médiuns de efeitos intelectuais, os que são
mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes.
Para caracterizar-se como tal, há que se expressar como ato livre
e voluntário demonstrando intenção ou respondendo
a um pensamento. O primeiro efeito inteligente observado foi, no movimento
das mesas, que esse atendia a uma determinação mudando
de lugar, erguendo-se, alterando-se em número de pancadas conforme
combinação prévia, respondendo a perguntas formuladas
ou mentais, indicando letras do alfabeto para que se compusessem palavras
e frases, reafirmando que "(...) todo efeito inteligente há
de ter por força derivar de uma causa inteligente(...)"(ver
item 65 e seguintes de O Livro dos Médiuns).
Todas as demais variedades se prendem mais ou menos diretamente a uma
ou outra dessas duas categorias e algumas participam de ambas. Se analisarmos
os diferentes fenômenos produzidos sob a influência mediúnica,
veremos que, em todos, há um efeito físico e que aos efeitos
físicos se alia quase sempre um efeito inteligente. Difícil
é muitas vezes determinar o limite entre os dois, mas isso nenhuma
conseqüência apresenta. Sob a denominação de
médiuns de efeitos intelectuais abrangemos os que podem,
mais particularmente, servir de intermediários para as comunicações
regulares e fluentes. (ver item 133 de O Livro dos Médiuns)
Variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade:
Médiuns sensitivos: pessoas suscetíveis
de sentir a presença dos Espíritos, por uma sensação
geral ou local, vaga ou material. A maioria dessas pessoas distingue
os Espíritos bons dos maus, pela natureza da sensação
que causam. (ver item 164)
Observação de Allan Kardec: "Os médiuns
delicados e muito sensitivos devem abster-se das comunicações
com os Espíritos violentos, ou cuja impressão é
penosa, por causa da fadiga que daí resulta".
Médiuns naturais ou inconscientes: os que produzem
espontaneamente os fenômenos, sem intervenção da
própria vontade e, as mais das vezes, à sua revelia. (ver
item 161)
Médiuns facultativos ou voluntários: os
que têm o poder de provocar os fenômenos por ato da própria
vontade. (N. 160.)
"Por maior que seja essa vontade, eles nada podem, se os Espíritos
se recusam, o que prova a intervenção de uma potência
estranha"(1).
Obs (1): Herculano Pires na tradução de O Livro dos
Médiuns anota que quando Kardec se refere ao poder
dos médiuns, à sua força ou potência,
trata-se apenas da capacidade maior ou menor para servir de instrumentos
aos Espíritos. Como se vê nessa observação,
nenhum médium tem poder para provocar fenômenos ou comunicações
se os Espíritos não concordarem. O poder dos médiuns,
propriamente dito, decorre de sua elevação moral e conseqüente
relação com Espíritos bons.
Em nosso próximo estudo analisaremos as variedades especiais
para os efeitos físicos.
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Bibliografia:
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KARDEC,
Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP,
1989 - Cap XVI - 2ª Parte |
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BIGHETTI,
Leda Marques - Educação Mediúnica " Teoria
e Prática" 1º volume: 1.ed Ribeirão Preto:
BELE, 2005 - pág 151 e 201 |
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Tereza
Cristina D'Alessandro
Dezembro / 2006
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