Estudo 93 –
INFLUÊNCIA DO EXERCÍCIO DA MEDIUNIDADE NA SAÚDE
Muitos
prognosticam, alarmados, evidenciando ignorar a excelência do
conteúdo da doutrina espírita que o exercício da
mediunidade gera várias desordens emocionais, comprometendo o
equilíbrio psicológico do homem.
Allan
Kardec, se antecipando a estas questões, perguntou aos Espíritos
na questão 221. 1. de O Livro dos Médiuns:
— A faculdade mediúnica é indício
de algum estado patológico ou simplesmente anormal?
— Às vezes anormal, mas não patológico.
Há médiuns de saúde vigorosa. Os doentes o são
por outros motivos, responderam os Espíritos.
A mediunidade, como qualquer
outra faculdade orgânica, exige cuidados específicos para
um desempenho eficaz e tranquilo.
Os distúrbios que lhe são atribuídos decorrem dos
desequilíbrios emocionais de seu portador que, espírito
imperfeito, reencarna ligado ao passado de comprometimentos, dos quais
derivam seus conflitos, suas perturbações, sua intranquilidade.
Pessoas nervosas apresentam-se inquietas, instáveis em qualquer
lugar, não em razão do que fazem, porém, pelo fato
de serem enfermas. Atribuir-se, no entanto, à mediunidade a origem
desses distúrbios é dar um perigoso e largo passo na área
da conceituação equivocada.
O homem deseducado apresenta-se perturbado e incorreto onde se encontre.
Nada tem a ver essa conduta com a filosofia, a aptidão e o trabalho
a que se entrega, porquanto o comportamento resulta dos seus hábitos
e não do campo onde se localiza.
O exercício da mediunidade não traz inconvenientes em
si mesmo, excetuando–se os casos de abusos, porém o médium
responsável saberá abster-se da prática mediúnica
quando necessário, pois identificará no próprio
estado físico e moral, em desequilíbrio, as razões
que não lhe permitem servir de instrumento ao mundo espiritual.
Muitas pessoas, ao acusarem a prática mediúnica de perturbadora,
justificam-se alegando que os médiuns sempre se apresentam com
episódios de desequilíbrios, de depressão ou exaltação,
sem complementarem que os mesmos são inerentes à personalidade
humana e não componentes das faculdades psíquicas.
Outrossim, estabelecem que os médiuns são portadores de
personificações arbitrárias, duplas ou várias,
favorecendo as catarses psicanalíticas, considerando-as personalidades
esdrúxulas do inconsciente do próprio médium, a
se apresentarem nas comunicações. Todavia, dá-se
exatamente o contrário: são comunicações
de individualidades que retornam ao convívio humano procedentes
do mundo espiritual, demonstrando a sobrevivência à morte,
e, fazendo-se identificar de foram clara, consolando e esclarecendo,
e, nos casos das obsessões, trazendo valiosa contribuição
às ciências da mente, interessadas na saúde do homem.
De fato, aparecem manifestações da personalidade ou anímicas
que não são confundidas com as de natureza mediúnica,
decorrentes das fixações que permanecem no inconsciente
do indivíduo.
Certamente, ocorrem, no médium, estados oscilantes de comportamento
psicológico, o que é perfeitamente compreensível
e normal, já que a mediunidade não o libera da sua condição
humana e frágil.
A interação espírito-matéria, cérebro-mente,
sofre influências naturais, inquietantes, quando se lhe associam,
psiquicamente, outras mentes, em particular aquelas que se encontram
em sofrimento, vitimadas pelo ódio, portadoras de rebeldia, de
desequilíbrio.
A tempestade vergasta a natureza, que logo se recompõe, passada
a ação danosa. Também no médium, cessada
a força perturbadora, atuante, desaparecem-lhe os efeitos danosos.
Isso igualmente acontece entre os indivíduos não dotados
de mediunidade ostensiva, em razão dos mecanismos de sintonia
psíquica.
O homem, de uma maneira geral, dependendo do tipo de atividade desenvolvida,
do perfil de personalidade e do estado de saúde, em certas circunstâncias
pode desenvolver um quadro clínico de estafa, habitualmente rotulado
de “estress”. O médium ostensivo, além de
estar sujeito, como homem, a todas essas possibilidades e, por manifestar
uma sensibilidade psíquica mais aflorada, responde prontamente
às agressões ambientais e psicológicas do dia-a-dia.
Dependendo da duração e da intensidade da ação
desarmonizante, os mais suscetíveis e influenciáveis,
desenvolvem em tempo relativamente curto, sintomas característicos,
considerando os seguintes fatores predisponentes:
- Distúrbios Psíquicos e Orgânicos
- Influências espirituais transitórias ou obsessivas
Respondem
pelos distúrbios psíquicos as dificuldades
encontradas na luta pela sobrevivência, gerando reações
ansiosas e depressivas; acrescente-se a isso, os conflitos gerados por
relacionamentos insatisfatórios, os desentendimentos entre familiares,
dificuldades profissionais; acresça-se ainda, as possíveis
influências espirituais obsessivas, que desencadeiam perturbações
emotivas, levando o médium a buscar a necessária ajuda médica
e espiritual.
Os
distúrbios orgânicos, quando provocados
por infecções viróticas e bacterianas e exigem cuidados
específicos dos profissionais da saúde, pois refletem a
queda temporária dos mecanismos de defesas orgânica. Os sintomas
encontrados nas enfermidades infecciosas e caracterizados por febre, calafrios,
dores musculares, indisposição e cansaço, incapacitam
o indivíduo para suas atividades normais e, sobretudo para o exercício
mediúnico. Considerando o leque de enfermidades naturais da Terra,
o médium, não sendo alguém em estado de privilégio,
pode sofrer ou apresentar os mais diferentes distúrbios emocionais
e/ou orgânicos, daí o bom senso sugerir que os problemas
orgânicos devam ser tratados com os recursos ofertados pela Medicina,
pois quanto mais saudável o trabalhador se sentir, melhor o seu
rendimento na atividade mediúnica.
Influências
espirituais e obsessivas: Perturbações transitórias
decorrem da absorção de fluidos enfermiços de espíritos
sofredores que, de forma inconsciente, ligam-se a psicosfera do médium
desencadeando sintomas opressivos, através dos quais transfere
para seu hospedeiro, a própria carga de angústia e sofrimentos
que vivencia, inclusive, os sintomas da doença que o vitimou, muito
embora se beneficie com a absorção dos fluidos vitais em
processo de troca. Caracteriza-se assim a influência espiritual
não obsessiva, porque acontece na ausência da intenção
propositada. Esse fenômeno é denominado indução
espiritual.
Nas obsessões espirituais, propriamente ditas, os mecanismos
indutores são mais sofisticados por serem intencionais e executados
com técnicas altamente aprimoradas. O envolvimento obsessivo
pode se instalar sorrateira mente, evoluindo aos poucos, sem que a vítima
se aperceba, ou ao contrário, surgir de forma abrupta, comprometendo,
quer as faculdades mentais, quer algumas das funções desempenhadas
pelo organismo físico. Naturalmente para que a obsessão
se instale é necessária a existência de fatores
predisponentes, facilitadores do desencadeamento do processo. A mediunidade
pode, nestes casos, funcionar como canal mais intenso de ligação
entre obsessor e obsediado, porém não é a responsável
pelo processo obsessivo, que certamente está sedimentado em imperfeições
morais do médium.
“Da
mesma forma que as doenças são resultado de imperfeições
físicas que tornam o corpo acessível às influências
perniciosas exteriores, a obsessão é sempre resultado
de uma imperfeição moral que expõe a um mau espírito.”
Allan Kardec “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,
Preces pelos obsediados.
Se ocorrerem desequilíbrios
emocionais ou físicos, estes não serão causados
pela prática mediúnica, e para que haja esse entendimento,
é necessário que médiuns e coordenadores de trabalho,
amparados no estudo, utilizem bom senso na condução desses
processos. Haverá momentos em que o médium em desequilíbrio
necessitará de acompanhamento médico e espiritual, com
afastamento momentâneo das atividades mediúnicas, a fim
de se restabelecer. Cabe aos coordenadores e também aos médiuns
não subestimarem estas ocorrências com interpretações
inadequadas, colocando em risco, o equilíbrio do próprio
trabalho.
O
Espiritismo oferece metodologia segura para a prática mediúnica,
com resultados benéficos e saudáveis para o médium,
não causando prejuízos à sua economia moral ou
física.
A
mediunidade é ferramenta de progresso para o Espírito
que através do estudo e vivência, estabelece para si um
roteiro seguro, tendo em Jesus, o Modelo e Guia.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan -
O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo:FEESP, 1989 -
Cap. XXI , q. 221. 1 - 4 |
 |
FRANCO, Divaldo P., Pelo Espírito
Vianna de Carvalho – Médiuns e Mediunidades: 5.ed.
Salvador:LEAL, 1990, cap XI, XII |
 |
COSTA, Vitor Ronaldo, - Mediunidade
e Medicina – Vasto Campo de Pesquisas: 1.ed. Matão:
O CLARIM, 1996, pg 139-160 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Agosto / 2009 |