O LIVRO DOS
MÉDIUNS
(Guia dos Médiuns
e dos Doutrinadores)
por
ALLAN KARDEC
Contém o
ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros
de manifestações, os meios de comunicação
com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades
e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES
ESPIRITAS
CAPITULO VI
MANIFESTAÇÕES
VISUAIS
Estudo 37 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES
Itens 101 A 104
No
estudo destes itens é feita a distinção entre as
chamadas visões que ocorrem durante o sono, pelos sonhos
e as aparições propriamente ditas, as quais ocorrem
no estado de vigília, em pleno gozo e completa liberdade da faculdade
da pessoa que as vê.
As aparições
apresentam-se geralmente com forma vaporosa e diáfana, algumas
vezes vaga e indecisa. Formam-se a partir de um clarão esbranquiçado,
cujos contornos vão se desenhando aos poucos; de outras vezes
são formas claramente acentuadas, distinguindo-se os menores
traços do rosto. As maneiras, o aspecto é semelhante aos
do Espírito quando encarnado.
Quanto à
aparência, o Espírito se apresenta com aquela que melhor
possa ser identificado, se esse for o seu desejo. Pode apresentar-se
com defeitos corporais, apesar do Espírito não apresentar
nenhuma deformidade. Uma particularidade a notar é que, exceto
em circunstâncias especiais, as partes menos precisas das aparições
são os membros inferiores, enquanto a cabeça, o tronco,
os braços e as mãos aparecem nitidamente. As vestes variam
de roupões que terminam em pregas flutuantes, de Espíritos
mais elevados, às de Espíritos comuns, das pessoas que
conhecemos, e que se vestem geralmente como o faziam nos últimos
anos de sua existência. Os Espíritos superiores apresentam
uma figura bela, nobre e serena. Os mais imperfeitos têm algo
de feroz e bestial e algumas vezes trazem ainda os vestígios
dos crimes que cometeram ou dos suplícios que sofreram.
As aparições
têm algo de vaporoso, permitindo se veja através delas.
É geralmente assim que os médiuns videntes as distinguem.
Eles as vêm ir e vir, entrar num ambiente, circular por entre
a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos
vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por
tudo e ouvirem o que se diz. Muitas vezes se aproximam de uma pessoa
para lhe "assoprar" idéias, influenciá-la, quando
Espíritos bons; quando são maus, mostrando-se tristes
ou contentes com o que obtiveram.
È
assim o mundo oculto que nos envolve, no meio do qual vivemos sem o
perceber, como vivemos entre as miríades de seres do mundo microscópico.
O Espírito,
que quer ou pode fazer-se visível, reveste às vezes uma
forma ainda mais precisa, com todas as aparências de um corpo
sólido, a ponto de causar completa ilusão e dar a crer,
aos que observam a aparição, que têm diante de si
um ser corpóreo. Em alguns casos e dentro de algumas circunstâncias,
a tangibilidade pode tornar-se real, isto é, possível
se torna ao observador tocar, palpar, sentir, na aparição,
a mesma resistência, o mesmo calor que num corpo vivo, o que não
impede que a aparição se desvaneça com a rapidez
do relâmpago. Nesses casos, já não é somente
com o olhar que se nota a presença do Espírito, mas também
pelo tato.
Se podemos
atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação
a aparição simplesmente visual, o mesmo já não
ocorre quando se consegue segurá-la, palpá-la, e quando
ela própria segura e abraça o observador. As aparições
tangíveis são as mais raras, porém, os registros
existentes na literatura espírita, como também os fatos
atuais, constantes de experiências e observações
parapsicológicas, provam e explicam os relatos históricos
sobre pessoas que reapareceram após a morte com todas as aparências
da realidade. De resto, como acentua Allan Kardec, por mais extraordinário
que sejam semelhantes fenômenos, perdem todo o caráter
de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se
compreende que, longe de representarem uma derrogação
de leis naturais, apresentam apenas uma nova aplicação
dessas leis.
Tal é
esse mundo oculto que nos cerca, dentro do qual vivemos sem o perceber,
como vivemos, também sem darmos por isso, em meio das miríades
de seres do mundo microscópico. O microscópio nos revelou
o mundo dos infinitamente pequenos, de cuja existência não
suspeitávamos; o Espiritismo nos revelou o mundo dos Espíritos,
que, por seu lado, também constitui uma das forças ativas
da Natureza. Com o concurso dos médiuns videntes, possível
foi estudar o mundo invisível, conhecer-lhe os costumes, como
um povo de cegos poderia estudar o mundo visível com o auxílio
de alguns homens que gozassem da faculdade de ver.
Em nosso
próximo estudo veremos quais são as causas e como ocorrem
as aparições.
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos
Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª
Parte
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos, edição
especial. Capivari: EME, 1997 - Cap VIII - Emancipação
da alma
Tereza Cristina D'Alessandro
Agosto / 2004