Estudo 109–
Questão 225 – Conclusão 3
Seguindo
as conclusões sobre o capítulo XIX, transcrevemos mais
uma parte da mensagem dos Espíritos Erasto e Timóteo,
encerrando nossas reflexões:
“(...)
Mas quando o próprio médium quer interrogar-nos, seja
por que meio for, seria bom que refletisse seriamente a fim de nos fazer
as perguntas de maneira metódica, facilitando-nos assim o trabalho
de responder. Porque, segundo já foi dito em anterior instrução,
vosso cérebro está frequentemente numa desordem inextricável,
sendo para nós tão difícil quanto penoso mover-nos
no dédalo dos vossos pensamentos.
Quando
as perguntas devem ser feitas por terceiro, é bom e conveniente
que sejam antes comunicadas ao médium para que ele se identifique
com o Espírito do interrogante, impregnando-se, por assim dizer,
das suas intenções. Porque então nós mesmos
teremos muito mais facilidades para responder, graças à
afinidade existente entre o nosso perispírito e o do médium
que nos serve de intérprete.
Podemos,
certamente, tratar de Matemática através de um médium
que a desconheça por completo, mas quase sempre o Espírito
do médium possui esse conhecimento em estado latente. Isso quer
dizer que se trata de um conhecimento pessoal do ser fluídico
e não do ser encarnado, porque o seu corpo atual é um
instrumento inadequado ou rebelde a essa forma de conhecimento.
O
mesmo se dá com a Astronomia, a Poesia, a Medicina e as línguas
diversas, e ainda com todos os demais conhecimentos peculiares à
espécie humana. Por fim, temos ainda o meio penoso de elaboração,
aplicado aos médiuns completamente estranhos ao assunto tratado,
que é o de reunião das letras e das palavras como se faz
em tipografia.
Como
já dissemos, os Espíritos não têm necessidades
de vestir os seus pensamentos com palavras. Eles o percebem e os transmitem
entre si. Os seres encarnados pelo contrário, só podem
comunicar-se pelo pensamento traduzido em palavras. Enquanto a letra,
a palavra, o substantivo, o verbo, a frase, enfim, vos são necessários
para percepção, mesmo mental, nenhuma forma visível
ou tangível é necessária para nós.”
Segundo
as observações de Allan Kardec, a análise dos Espíritos
Erasto e Timóteo sobre o papel dos médiuns é tão
clara quanto lógica, dela decorrendo o princípio de que
o Espírito não se serve das ideias do médium, mas
dos materiais necessários para exprimir os seus próprios
pensamentos, existentes no cérebro do médium, e de que,
quanto mais rico for o cérebro, mais fácil se torna à
comunicação.
Ensina
o Codificador que quando o Espírito se exprime numa língua
familiar ao médium, encontra as palavras já formadas e
prontas para traduzir a sua ideia, e que ao se exprimir em língua
estrangeira, dispõe apenas das letras, sendo então obrigado
a ditar, por assim dizer, letra por letra, exatamente como se quisesse
escrever em língua que não dominasse.
Caso
o médium não saiba ler nem escrever, não dispõe
nem mesmo das letras em seu cérebro, sendo, então, necessário
que o Espírito lhe conduza a mão, como se faria a uma
criança; nesse caso, a dificuldade material é ainda maior.
Todos
esses fenômenos são possíveis e temos deles numerosos
exemplos. Mas compreende-se que os Espíritos devem preferir os
instrumentos mais rápidos, ou, como eles mesmos dizem, os médiuns
bem aparelhados, segundo o entendem.
| Bibliografia: |
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KARDEC, Allan.
O Livro dos Médiuns, 2.ed. São Paulo, FEESP.
1989, Cap. XIX, q. 225 |
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Tereza Cristina D'Alessandro
Abril / 2011 |