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Nesta obra Allan Kardec
reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia
como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando
o problema das penas e recompensas futuras à luz da História,
estabelecendo comparações entre as idealizações
do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos.
CAPÍTULO
VII:- Espíritos endurecidos :- UM ESPÍRITO ABORRECIDO
XUMÈNE
(Bordéus, 1862) (continuação)
Isto que te
digo pode aplicar-se também aos encarnados e tu deves
compreender a razão por que o Espiritismo não faz imediatamente
homens perfeitos, mesmo entre os adeptos mais crentes.
A crença é o primeiro passo; vindo em seguida a fé
e a transformação a seu
turno; mas, além disso, força é que muitos venham
revigorar-se no mundo espiritual.
Entre os Espíritos endurecidos, não há só
perversos e maus. Grande é o
número dos que, sem fazer o mal, estacionam por orgulho, indiferença
ou apatia.
Estes, nem por isso, são menos infelizes, pois tanto mais os
aflige a inércia quanto
mais se vêem privados das mundanas compensações.
Intolerável, por certo, se lhes torna a perspectiva do infinito,
porém eles não
têm nem a força nem a vontade para romper com essa situação.
Referimo-nos a esses
indivíduos que levam uma existência ociosa, inútil
a si como ao próximo, acabando
muita vez no suicídio, sem motivos sérios, por aborrecimento
da vida.
Em regra, tais Espíritos são menos passíveis de
imediata regeneração, do que
os positivamente maus, visto como estes ao menos dispõem de energia,
e, uma vez
doutrinados, votam-se ao bem com o mesmo ardor que lhes inspirava o
mal.
Aos outros, muitas encarnações se fazem precisas para
que progridam, e isto
pouco a pouco, domados pelo tédio, procurando, para se distraírem,
qualquer
ocupação que mais tarde venha transformar-se em necessidade
(1)
No
Livro Pão Nosso, Emmanuel, explica que para quebrar o casulo
da condição de animalidade, os Espíritos precisam
perseverar no emprego dos processos íntimos de auto renovação
através das mudanças de hábitos. Constitui-se árdua
tarefa uma vez que requer a eliminação de falsas noções
de favores gratuitos da divindade. Lembra-nos, também, de que
“as portas do céu” permanecem abertas, pedindo que
para se passar ali tenha o homem amor e sabedoria.Em face a isso muitos
desanimam e estacionam, séculos a fio, nos labirintos da inferioridade.
(2).A perseverança necessita de fé .
O Guia do médium,na comunicação de Xumenes, comenta
que “...A crença é o primeiro passo; vindo em
seguida a fé e a transformação a seu turno; mas,
além disso, força é que muitos venham revigorar-se
no mundo espiritual.(1)
A crença é
o resultado da capacidade de acreditar, assim, tudo aquilo em que se
acredita com convicção torna-se real. O individuo não
acredita no que vê;mas vê aquilo em que acredita. Enxerga
o mundo através de uma lente de crenças, atitudes, preconceitos
e idéias preconcebidas (3)... Em Mateus 9:29, Jesus diz: "Segundo
a tua fé, (será feito) em ti." (4).Trata-se de outra
maneira de dizer que aquilo em que se acredita com mais intensidade
gera a própria realidade.Estas crenças são subjetivas
resultam não só de informações que foram
absorvidas ao longo das existências como da maneira como foram
processadas. Normalmente são moldadas e formadas na infância,
pelos amigos e colaboradores, pelas leituras, educação,
e as experiências ,tanto as positivas quanto as negativas . As
piores crenças são as auto-limitadoras, pois levam a que
se acredite incapaz. Como se acredita portador de algum tipo de limitação,
seja verdade ou não, isto se torna uma verdade para o individuo.
Superar as crenças auto-limitadoras e as limitações
auto-impostas freqüentemente é o maior obstáculo
para o processo evolutivo. (5)
A palavra fé significa compromisso e fidelidade ,quando o homem
identifica em si possibilidades e assume o compromisso de ser fiel,
as diretrizes de vida que o levam a libertação , é
desse crer em si nasce a fe’. Entretanto necessário se
faz entender que a transformação moral do ser humano necessita
ser entendida como uma construção gradativa de valores,
uma proposta de crescimento que busca a plenitude, em processo libertador
da consciência.Não deve portanto ser entendida apenas como
contenção de impulsos inferiores, mas como a criação
de possibilidades novas e elevadas. A renovação interior
é tomar consciência de si em face a objetivos de perfeição
.Assim na caminhada evolutiva, o Espírito vai conhecendo as leis
de Deus, vai percebendo-lhes a perfeição inclusa e, quanto
mais as conhece, mais se identifica com elas, mais confia na justiça
e no amor do Criador, mais se conscientiza da Sua perfeição,
mais tem fé.(6) É essa a fé que nasce do entendimento.
Inabalável, indestrutível.
Torna-se a fé robusta que confere a energia para que se busque
recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos,
sejam eles,pequenos ou grandes.Gera a confiança a certeza de
se atingir os objetivos.É lúcida porque antevê pelo
pensamento ,os meios melhores , para se atingir fins que se tem em vista,
avançando confiante e sem dúvidas ! Por tudo isso, leva
a antever a possibilidade de se realizar com responsabilidade, calma
paciência e inteligência aquilo a que cada um cumpre realizar.Configura-se
em síntese , como” a fé que remove montanhas.”
| Bibliografia: |
| 1 |
KARDEC ALLAN ,O Céu
e o Inferno, cap VII:- Espíritos endurecidos :- XUMÈNE
(continuação) |
| 2 |
Francisco Cândido
Xavier ;/ Emmanuel, Livro Pão Nosso, |
| 3 |
Tracy Brian, Metas. |
| 4 |
A bíblia sagrada.Mateus
9:29 |
| 5 |
Jiddu Krishnamurti O
verdadeiro objetivo da vida |
| 6 |
Léon Denis. Depois
da Morte’ - Quinta Parte / Cap. 44.) |
|
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Laurelucia Orive Lunardi e
Leda Marques Bighetti
Setembro / 2009 |
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