O Céu e o Inferno

por

Allan Kardec

 

 

Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos.

CAPÍTULO VII:- Espíritos endurecidos :-

A RAINHA DE OUDE

5. - Vós, que vivestes nos esplendores do luxo, cercada de honras, que pensais hoje de tudo isso? - R. Que tenho direito. - P. A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais? - R. Continuo a ser rainha... que se enviem escravas para me servirem!... Mas... não sei... parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa aqui... e contudo eu... sou sempre a
mesma.(1)


Uma vez de volta ao mundo dos Espíritos, a alma conserva em percepções as sensações que tinha na Terra.(2).Sobre a individualidade da alma Allan Kardec no Livro dos Espíritos nas questões 149 e 150 pergunta.

Que sucede à alma no instante da morte?
"Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente."

A alma, após a morte, conserva a sua individualidade?
"Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?"

Como comprova a alma a sua individualidade, uma vez que não tem mais corpo material?
"Continua a ter um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito." (3)

Recentemente a Ciência tem comprovado aspectos da sobrevivência e da individualidade apos a morte. Com o desenvolvimento da medicina de emergência, surgiram inúmeras técnicas para a ressuscitação de pacientes em estados de morte clínica. Aqueles que conseguem serem recuperados, em sua grande maioria, retornam à vida, trazendo as lembranças de cenas vislumbradas durante o período em que estiveram dados "como mortos". Estas cenas apresentam componente comuns, independente do histórico tanto clinico como vivencial dos pacientes ressuscitados. Assim independentemente do grau de cultura, o sexo, a natureza das causas mortis, a idade, etc. as descrições mantêm-se sempre dentro dos mesmos padrões. O principal divulgador dessas investigações é o Dr. Raymond A. Moody Jr., que em 1975, publicou um livro intitulado Vida após a Vida (Life After Life). Neste livro o dr. Raymond Moody Jr. descreve as experiências de 150 pessoas que viveram o fenômeno de quase-morte. Ele tem pesquisado este assunto há vários anos e seus estudos recaíram sobre três categorias distintas: a experiência de pessoas que foram ressuscitadas depois de terem sido julgadas, consideradas ou declaradas mortas por seus médicos; a experiência de pessoas que, durante acidentes, doenças ou ferimentos graves, estiveram muito próximas da morte física; a experiência de pessoas que a contaram para outras que estavam presentes enquanto morriam. dr. Moody explica que "a pessoa que está morrendo tem, com freqüência, uma surpresa muito grande, pois, nesse ponto, encontra-se olhando seu próprio corpo físico de um ponto fora dele, como se fosse um espectador, uma terceira pessoa no quarto apreciando as figuras e os eventos".(4). Mais recentemente, em 2002 dois outros pesquisadores renomados Parnia e Fenwick descreveram também a manutenção da individualidade em casos de pacientes declarados clinicamente mortos após parada cardíaca. Os resultados deste estudo foi publicado no Jornal médico “Resuscitation” alem de receber extensa cobertura nas imprensas nacionais e internacionais. (5)

...´ 6 . - Se nos fosse dado enxergar-vos, ver-vos-íamos com os vossos ornatos e pedrarias? - R. Certamente... - P. E como se explica o fato de, despojado de tudo isso, conservar o vosso Espírito tais aparatos, sobretudo os ornamentos? - R. É que eles me não deixaram. Sou tão bela quanto era, e não compreendo o juízo que de mim fazeis! É verdade que nunca me vistes. 12. - Qual a impressão que vos causa em vos achardes entre nós? - R. Se eu pudesse evitá-la... Tratam-me com tão pouca cortesia...(1)

A individualidade por ocasião da morte, não se dilui ou se desfaz despido do envoltório fisico, conservam através do perispirito a forma humana como também todas as peculiaridades que o diferenciava de todos os demais. No caso da rainha de Oude os ornamentos e jóias. A sua personalidade permaneceu a mesma ,pois o Espírito não se transforma subitamente, após a morte do corpo . Em seu livro Evolução em Dois Mundos , André Luiz chama a atenção sobre a situação espiritual da criatura humana, após a morte do corpo .Comenta ele que:

.....” não obstante o fenômeno da desencarnação, a personalidade humana continua, além-túmulo, o estágio educativo que iniciou no berço, sem perder a própria identidade, somando consigo as experiências da vida carnal, da desencarnação e da metamorfose no plano extrafísico.
Perceberemos, desse modo, que a existência da criatura, na reencarnação, substancializa-se não apenas na Terra, onde atende à plantação dos sentimentos, palavras, atitudes e ações com que se caracteriza, mas também no Mundo Espiritual, onde incorpora a si mesma a colheita da sementeira praticada no campo físico, pelo desdobramento do aprendizado com que entesoura as experiências necessárias à sublime ascensão a que se destina.( 6)”.


Bibliografia:

1
Kardec Allan ,O Céu e o Inferno, cap VII:- Espíritos endurecidos :- Rainha de Oude.
2
Kardec Allan , O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 237.
3
Kardec Allan , O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questões 149,150 e 150a.
4
Raymond A. Moody Jr. , Life After Life
5
Parnia S; Fenwick P Near death experiences in cardiac arrest: visions of a dying brain or visions of a new science of consciousness. Resuscitation. 2002; 52(1):5-11
6
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira – André Luiz, Evolução em Dois Mundos .
 
 
Laurelucia Orive Lunardi
Maio / 2009

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