O Céu e o Inferno
por
ALLAN KARDEC

Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos.

CAPITULO III ESPÍRITOS EM CONDIÇÕES MEDIANAS

O homem honesto segundo Deus ou segundo os homens
1. - Caro avô, podeis dizer-me como vos encontrais no mundo dos Espíritos, dando-me quaisquer pormenores úteis ao nosso progresso?
- R. Tudo que quiseres, querida filha. Eu expio a minha descrença; porém, grande é a bondade de Deus, que atende às circunstâncias. Sofro, mas não como poderias imaginar: é o desgosto de não ter melhor aproveitado o tempo aí na Terra. Joseph Brê (1)

Já escrevia o poeta português Álvaro de Campos :-
Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos (2)


O tempo voa... Quantas vezes dizemos, ou ouvimos dizer: Não tenho tempo para fazer isso. Sou muito ocupado ! Não tenho tempo sobrando!Essas e outras expressões são comuns a muita gente que encara o tempo como algo fora do seu domínio , do seu controle, quando na verdade, está inserido na manifestação do nosso ser.

Einstein quando tentou unificar a "Mecânica Quântica" com a "Gravidade" provou que o tempo absoluto não existe, mas que cada indivíduo tem a sua medida pessoal de tempo, dependendo de onde se encontra e da maneira que se move, e criou o conceito de " tempo imaginário" (3). Allan Kardec (4) afirma em "A Gênese" "...Tantos mundos haja na vasta expansão, tantos tempos diversos haverá e incompatíveis..." Os físicos, já se interrogam sobre este novo conceito, se não será mais do que o "tempo real" , embora visto de outra forma.

Quando analisamos a relatividade do tempo vemos que o uso do nosso tempo virou passado e o que faremos será o futuro. E hoje? E o presente? Será um estado de lamentação pelas ações erradas do passado? Ou será o "sonho" a ser vivido de bom e útil no futuro? Quantas pessoas são prisioneiras de fatos passados vivendo imersas em desequilibrantes recordações, ou outras que são prisioneiras na imaginação de como gostaria que fosse o seu futuro perdendo oportunidades maravilhosas de realizar no presente ou pelo menos iniciar aqueles objetivos tão idealizados, mas que ficaram apenas no futuro.

Todos somos criados simples e ignorantes, caminhando na escalada evolutiva de acordo com escolhas realizadas, através das reencarnações.Não somos criados perfeitos, mas sim perfectíveis, ou seja, com toda as possibilidades de alcançarmos a perfeição por nossos próprios esforços, o que justifica a nossa existência terrena.Pois a natureza não dá saltos Como nos lembra Herculano Pires (5 ): "o espírito avança de reencarnação em reencarnação em busca da sabedoria". Quando postergamos para o futuro nossas escolhas, as ações ficam cada vez mais distantes de se concretizarem.

Cada um traz latente em si uma gama variada de potenciais, à medida que o tempo vai passando,se esses potenciais não são exercitados, não crescem, não se aprimoram . O caminho para o arrependimento é certo! Ou quando se chega numa determinada idade, olhamos para trás e lamentamos a falta de ousadia, onde poderíamos, ou não, ter realizado mais coisas. Ou mais tarde desencarnados , ao avaliarmos nossa trajetória , faremos como o depoimento do Sr. Joseph Brê , comentado por Allan Kardec, no cap III do Livro Céu e Inferno.Falecido em Bordéus , vinte anos depois foi evocado por sua neta e nesta comunicação quando solicitado a dar ..."quaisquer pormenores úteis ao nosso progresso"., ele comentou "...Sofro, mas não como poderias imaginar: é o desgosto de não ter melhor aproveitado o tempo aí na Terra (1)"
No livro "Há dois mil anos", Jesus diz ao senador do Império Romano, Públio Lentulus: "(...) Encontras, hoje, um ponto de referência para a regeneração de toda a tua vida, Está no seu querer o aproveitá-lo agora, ou daqui a alguns milênios".(6)

Abre os braços à ação e cresce na direção do Infinito. (7)

A reencarnação não tem como objetivo a punição, o castigo ou o pagamento de dívida; é oportunidade de elevação, de aprimoramento para o Espírito. A vida atual é reflexo do passado, conseqüência da lei de ação e reação Por que não aproveitar o Hoje para dar início à renovação, com o justo aproveitamento das horas e do tempo?

E caso não tenhamos nenhuma outra motivação que não o exemplo dado neste capitulo (1) que nos acenda no coração as palavras de Suely Schubert (8).

"...O tempo, para o trabalhador dedicado ao Cristo é hoje; é agora. Não há tempo para acomodações. Nenhuma desculpa ou dúvida. Há uma ansiedade constante em se aproveitar de forma cada vez melhor o tempo disponível. O valor do minuto que passa é inestimável. A oportunidade perdida não retorna em idêntica condição. Urge contribuir para o bem, realizar alguma coisa, antes que o relógio da Vida assinale os últimos minutos das últimas horas..."

Bibliografia:

Allan ,Kardec , " Céu e Inferno" Segunda Parte,capitulo III.
Pessoa, Fernando "Ficções do Interlúdio" Editora: Companhia das Letras
José Leite Lopes A estrutura quântica da matéria - do átomo pré-socrático às partículas elementares. - UFRJ Editora/Academia Brasileira de Ciências/ERCA-Editora e Gráfica limitada - Rio de Janeiro.
Allan, Kardec " A GÊNESE -Os milagres e as predições segundo o Espiritismo". 36a. edição
Pires J. Herculano , "Educação Para a morte".Ed.Correio Fraterno.
Francisco Cândido Xavier / Pelo Espírito: Emmanuel "Há dois mil anos".
Divaldo P.Franco/ Pelo Espírito Joanna de Ângelis -- " Alegria de Viver".
Suely C. Schubert ."Testemunhos de Chico Xavier"

Laurelucia Orive Lunardi
Maio / 2006
 

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