O Céu e o Inferno
por
ALLAN KARDEC
Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico
do Espiritismo e avalia como ciência de observação,
a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras
à luz da História, estabelecendo comparações
entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
CapituloIV : ESPÍRITOS SOFREDORES
Castigo "(...)Estendido numa enxerga ou num leito, que importa?
o homem culpado sente. sob aparente imobilidade, revolver-se e viver dentro
de si mesmo um mundo de esquecidas sensações. Fechadas as
pupilas, ele vê um clarão que desponta, ouve estranhos sons;
a alma, prestes a deixar o corpo, agita-se impaciente, enquanto as mãos
crispadas tentam agarrar as cobertas... Quereria falar, gritar aos que
o cercam: - Retenham-me! eu vejo o castigo! - Impossível! a morte
sela-lhe os lábios esmaecidos, enquanto os assistentes dizem: Descansa
em paz! E contudo ele ouve, flutuando em torno do corpo que não
deseja abandonar."(1)
"(...) A morte não é mensageira da sombra, nem do pavor,
mas a missionária da vida imperecível. É a incompreendida
intermediária entre Deus e os seres sencientes, encarregada de
reconduzir os homens ao verdadeiro lar, após terem encerrado os
seus compromissos na escola terrestre. Suavemente ou mediante ação
abrupta, sem agressão nem receio, convoca reis e vassalos, mendigos
e poderosos, crianças e anciãos, sadios ou enfermos ao despertar
do sono fisiológico, fazendo-os volver ao país da consciência
desperta, ao Grande Lar (2).
A morte do corpo físico expõe a consciência do ser,libertando
das algemas da educação social superficial , ficando exposta
como realmente é ,uma vez que cada um traz em si em sua intimidade
o conhecimento do bem e do mal. A consciência culpada implica em
grande dor moral, tão profunda quanto a natureza das faltas .Quanto
mais evoluído é o espírito mais ele sofre ao avaliar
a extensão de suas faltas e os prejuízos de que por ventura,
tenha causado.Quanto menos evoluído o clarão da consciência
culpada no momento do desencarne leva o Ser a temer o castigo.Soma-se
à consciência culpada , a desatenção as Leis
naturais e a ignorância, sempre geradora do medo. E o medo se apresenta
como um sofrimento a mais , uma barreira ao Espírito, no momento
do desencarne.
"(...) Depois da morte, os Espíritos endurecidos, egoístas
e maus são logo presas de uma dúvida cruel a respeito do
seu destino, no presente e no futuro."(1)
Sob a ótica do Espírito desencarnado o castigo será
a punição para qual ele não se sente preparado, daí
as duvidas e o movimento de fuga na tentativa de se esconder no corpo
físico, muitas vezes já em decomposição.E
o que é o castigo? É a conseqüência natural para
a alma que se distancia do objetivo da criação. É
uma soma das dores necessárias para o reequilibrio. É a
dor que desperta o ser para que ele possa retomar o caminho. A duração
dos sofrimentos na vida futura se rege por leis em que se revelam a sabedoria
e a bondade de Deus. A duração do sofrimento baseia-se no
tempo necessário para que a melhora se estabeleça.
"(...) O sofrimento é arbitrário, imposto pela Lei
de Causa e Efeito. Sua duração é a estritamente necessária
para causar a melhora do espírito, bem como o resgate de seus débitos
na medida adequada. Isto implica em penas variáveis para os mesmos
erros, o que demonstra sobretudo a sabedoria do Criador.(3)
À medida que o Espírito progride e os seus sentimentos se
depuram, seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza. Parecerá
eterno enquanto dure. Entretanto estes sofrimentos durariam eternamente,
se ele pudesse ser eternamente mau.
"(...).. se ele pudesse ser eternamente mau, isto é, se jamais
se arrependesse e melhorasse, sofreria eternamente. Mas, Deus não
criou seres tendo por destino permanecerem votados perpetuamente ao mal.
Apenas os criou a todos simples e ignorantes, tendo todos, no entanto,
que progredir em tempo mais ou menos longo, conforme decorrer da vontade
de cada um. Mais ou menos tardia pode ser a vontade, do mesmo modo que
há crianças mais ou menos precoces, porém, cedo ou
tarde, ela aparece, por efeito da irresistível necessidade que
o Espírito sente de sair da inferioridade e de se tornar feliz.
Eminentemente sábia e magnânima é, pois, a lei que
rege a duração das penas, porquanto subordina essa duração
aos esforços do Espírito. Jamais o priva do seu livre-arbítrio:
se deste faz ele mau uso, sofre as conseqüências." (4)
Deus não criou seres tendo por destino devotação
perpétua ao mal. Os criou simples e ignorantes destinados à
felicidade tendo todos, no entanto, progredir em tempo mais ou menos longo,
o decorrer á vontade de cada um.
Tanto a felicidade quanto a infelicidade após a desencarnação,
é inerente ao grau de aperfeiçoamento moral de cada Espírito.
As dores e sofrimentos que cada um experimenta são dores morais
e estão diretamente relacionadas com os atos praticados,sendo conseqüência
da Lei de Causa e Efeito.
Em relação ao sofrimento de uma consciência culpada
,poderia ser resumida em :
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O sofrimento é
inerente à imperfeição; |
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Toda imperfeição
traz consigo o próprio castigo com conseqüências
naturais e inevitáveis. |
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Podendo todo homem
libertar-se das imperfeições pela própria
vontade, pode, igualmente, anular os males consecutivos e assegurar
futuras felicidades através de boas obras, de boas ações.
|
Isto vale aqui e agora ou no mundo espiritual !As imperfeições
não corrigidas na vida corporal refletem na alma e no espírito,
sendo pois a felicidade um resultado imediato da purificação
do espírito.
A felicidade é o destino,é a força irresistível
que atrai para mais perto do Criador.
"(...).. pois é dando que se recebe, é perdoando que
se é perdoado, e é morrendo que se nasce para a Vida Eterna."(5)
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Bibliografia:
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Kardec ,Allan, "
Céu e Inferno" Segunda Parte,capitulo CapituloIV
: ESPÍRITOS SOFREDORES |
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Divaldo P. Franco /Amélia
Rodrigues (espírito)," Exuberante " publicado
Jornal Mundo Espírita de Junho de 2001 |
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Kardec ,Allan,"
O Livro dos Espíritos "questões 1003 a1008
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Kardec ,Allan,"O
Livro dos Espíritos", questão 1006 |
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INCONTRI, Dora. "
Francisco, O pobre rico de Assis ". São Paulo,
Editora Comenius, 1999 |
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Laurelucia Lunardi
Junho / 2006
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