O Céu e o Inferno por Allan Kardec
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Nesta obra
Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo
e avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz
da História, estabelecendo comparações entre as
idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos. Evocação: Excessivamente feliz, chegado, enfim, à plenitude do que mais ambicionava e bem caro paguei, aqui estou, entre vós, desde o cair da noite. Agradecido, pelo interesse que vos desperta o Espírito do pobre mendigo, que, com satisfação, vai procurar responder às vossas perguntas. Dominando todo o Universo existe uma grande lei, a lei do Progresso e, devido a ela, o homem, caminha para a perfeição através de seu esforço e do seu livre arbítrio.Sobre o uso do livre arbítrio nesta caminhada comenta Allan Kardec(2) “...Alcançado o fim marcado pela Providência para sua vida na espiritualidade, o próprio Espírito escolhe as provas às quais quer se submeter para acelerar seu adiantamento, ou seja, o gênero de existência que acredita ser o mais apropriado para lhe fornecer esses meios e cujas provas estão sempre em relação com as faltas que deve expiar. Se triunfa, se eleva; se fracassa, deve recomeçar. O Espírito sempre desfruta de seu livre-arbítrio. É em virtude dessa liberdade que escolhe as provas da vida corporal. Uma vez encarnado, delibera o que fará ou não e escolhe entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio seria reduzi-lo à condição de uma máquina.” Foi utilizando de seu livre arbítrio e no desejo de caminhar para a perfeição através de seu esforço em se harmonizar com a Lei é que Szymel Slizgol escolheu esta forma de viver.Explica Szymel que seu modo de pensar e viver nem sempre foi respeitoso,caridoso ou mesmo altruista : “...Faz muitos séculos, vivia eu com o título de rei, ou, pelo menos, de príncipe soberano. Dentro da esfera do meu poder relativamente limitado, em confronto com os atuais Estados, era eu, no entanto, absoluto senhor dos meus vassalos, como dos seus destinos, e governava-os tiranicamente, ou antes digamos o próprio termo como algoz. Dotado de caráter impetuoso, violento, além de avaro e sensual, podeis avaliar qual deveria ter sido a sorte dos pobres seres sujeitos ao meu domínio. Além de abusar do poder para oprimir o fraco, eu subordinava empregos, trabalhos e dores ao serviço das próprias paixões. Assim, impunha uma dízima ao produto da mendicidade e, ninguém poderia acumular sem que eu antecipadamente lhe tomasse uma cota avultada, dessas sobras que a piedade humana deixava resvalar para as sacolas da miséria. E mais ainda: a fim de que não decrescesse o número de mendigos entre os meus vassalos, proibia aos infelizes darem aos amigos, parentes e fâmulos necessitados a parte insignificante do que ainda lhes restava. Em uma palavra, fui tudo quanto se pode imaginar de mais cruel, em relação ao sofrimento e à miséria alheia. No meio de sofrimentos horrorosos, acabei por perder isso a que chamais - vida, tanto que minha morte era apontada como exemplo aterrador a quantos como eu, posto que em menor escala, tinham o mesmo modo de pensar.(1)” Como de exemplo de existência aterradora este Ser passou a exemplo de memória homenageada por manifestações públicas? O progresso é tão rápido?Seria ele indolor?dará saltos ? “...- P. Tende a bondade de dizer-nos em que consistiu a vossa expiação no mundo espiritual, e quanto tempo durou, a contar da vossa morte até ao momento da atenuação por efeito do arrependimento e das boas resoluções. Dizei-nos também o que foi que provocou a mudança das vossas idéias, no estado espiritual. - R. Essa pergunta desperta-me muitas recordações dolorosas! Quanto sofri eu... Mas não, que me não lamento: - apenas recordo!... Quereis saber a natureza da minha expiação? Pois ei-la na sua terrível hediondez: Carrasco que fui de todos os bons sentimentos, fiquei por muito, por longo tempo preso pelo perispírito ao corpo em decomposição. Até que esta se completasse, vime corroído pelos vermes - o que muito me torturava! E quando me vi liberto das peias que me prendiam ao instrumento do suplício, mais cruel suplício me esperava!... Depois do sofrimento físico, o sofrimento moral muito mais longo. Fui colocado em presença de todas as minhas vítimas. Periodicamente, constrangido por uma força superior, era eu levado a rever o quadro vivo dos meus crimes. E via física e moralmente todas as dores que a outrem fizera sofrer! Ah! Meus amigos, que terrível é a visão constante daqueles a quem fizemos mal! Entre vós, tendes apenas um fraco exemplo no confronto do acusado com a sua vítima. Aí tendes, em resumo, o que sofri durante três e meio séculos, até que Deus, compadecido da minha dor e tocado pelo meu arrependimento, solicitado pelos que me assistiam, permitisse a vida de expiação que conheceis.(1) ” A expiação de suas faltas seriam um castigo divino ? Em estudos anteriores a este ( outubro) foi analisada a posição de Deus não como um Pai severo e humanizado,mas como um Pai amoroso que espera o filho estar apto a reconhecer suas imperfeições.Comentário de Allan Kardec a este respeito pode se encontrada na Revista Espírita setembro de 1863(3) onde exemplifica: “.... O candidato que se apresenta para receber uma graduação, passa por uma prova. Se falhar, terá de recomeçar um trabalho penoso; esse novo trabalho é a punição da negligência que apresentou no primeiro; a segunda prova torna-se, assim, uma expiação’ Sobre sua situação comenta ainda Szymel Slizgol:- “...Como Espírito, permaneci na erraticidade durante três e meio séculos, e, quando ao fim desse tempo compreendi que a razão de ser da reencarnação era inteiramente outra que não a seguida por meus grosseiros sentidos, obtive à força de preces, de resignação e de pesares a permissão de suportar materialmente os mesmos sofrimentos que infligira, e mais profundamente sensíveis que os por mim ocasionados.(1) A expiação no mundo dos Espíritos e na Terra não constitui duplo castigo para eles, comenta Allan Kardec(4), porém um complemento, um desdobramento do trabalho efetivo a facilitar o progresso. Do Espírito depende aproveitá-lo. E não lhe será preferível voltar à Terra, com probabilidades de alcançar o céu, a ser condenado sem remissão, deixando-a definitivamente? A concessão dessa liberdade é uma prova da sabedoria, da bondade e da justiça de Deus, que quer que o homem tudo deva aos seus esforços e seja o obreiro do seu futuro.” “...Obtida a permissão, Deus concedeu que
por meu livre-arbítrio aumentasse os sofrimentos físicos
e morais. Graças à assistência dos bons Espíritos,
persisti na prática do bem, e sou-lhes agradecido por me terem
impedido de sucumbir sob o fardo que tomara. Finalmente, preenchi uma
existência de abnegação e caridade, que por si resgatou
as faltas de outra, cruel e injusta. Nascido de pais pobres e cedo órfão,
aprendi a ganhar o pão numa idade em que muitos consideram incapaz
o raciocínio.
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