O Céu e o Inferno

por

Allan Kardec

 

 

Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos.

CAPÍTULO VII:- Espíritos endurecidos :- UM ESPÍRITO ABORRECIDO


... (Bordéus, 1862)
Este Espírito apresenta-se espontaneamente ao médium, reclamando preces.
1. - Que vos leva a pedir preces? - R. Estou farto de vagar sem objetivo(1).


A palavra prece vem do latim precari e significa rogar, pedir, suplicar, implorar.
...”. Este Espírito apresenta-se espontaneamente ao médium, reclamando preces(1)
Quanto a solicitação deste Espírito as questões que se levantam são:-

Por quê a necessidade de prece deste Espírito?
Como a prece pode auxiliá-lo?
Por que ele mesmo não as faz?
Para se compreender o alívio que a prece pode proporcionar aos Espíritos sofredores, faz-se preciso saber de que maneira ela atua . Uma clara explicação sobre a prece pode ser encontrada no comentário dos Espíritos à questão 659 do O LIVRO DOS ESPÍRITOS;-

...” a prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar Nele; é aproximar-se Dele; é pôr-se em comunicação com Ele. ... Pode-se dizer, também, que a prece é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige...”(2)

De acordo com André Luís, o cérebro pode ser considerado como potente emissor e receptor de ondas mentais, ao mesmo tempo(3).

A prece é um pensamento criado pela vontade. Assim, as ondas eletromagnéticas do pensamento, carregadas das ídeo-emoções do Espírito, constituem o que se denomina fluido magnético, que é plasma fluídico vivo, de elevado poder de ação(4).

Allan Kardec(5 em relação a prece explica que:-

”Para apreendermos o que ocorre em tal circunstância, precisamos conceber mergulhados no fluido universal, que ocupa o espaço, todos os seres, encarnados e desencarnados, tal qual nos achamos, neste mundo, dentro da atmosfera. Esse fluido recebe da vontade uma impulsão; ele é o veículo do pensamento, como o ar o é do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito. Dirigido, pois, o pensamento para um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um e outro, transmitindo de um ao outro o pensamento, como o ar transmite o som.

Por quê a necessidade de prece deste Espírito?

Os Espíritos sofredores reclamam preces e estas lhes são proveitosas, porque, verificando que há quem neles pense, menos abandonados se sentem, menos infelizes(6).

A alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse e o infeliz é sempre aliviado quando encontra corações caridosos que se compadecem de suas dores. Por outro lado, ainda pela prece, estimula-se ao arrependimento e ao desejo de fazer o que é preciso para ser feliz; é nesse sentido que se pode abreviar sua pena se, por sua vez, ela secunda pela sua boa vontade(7).

Como a prece pode auxiliá-lo?

A prece tem sobre eles ação mais direta: reanima-os, incute-lhes o desejo de se elevarem pelo arrependimento e pela reparação e, possivelmente, desvia-lhes do mal o pensamento. E nesse sentido que lhes pode não só aliviar, como abreviar os sofrimentos(8).

Por que ele mesmo não as faz?

Quando se desliga do corpo, a alma passa algum tempo em estado de perturbação, a qual varia de acordo com o grau de elevação moral do desencarnante. A morte, em razão disso, resulta na vida a que o homem se impõe. Os condicionamentos físicos e psicológicos do dia-a-dia, incorporados ao painel mental de cada criatura, prosseguem inalterados, mesmo quando se rompem os liames da matéria através da desencarnação(9). Desfazer-se desses condicionamentos leva algum tempo, perdurando assim a perturbação mental que impede o impulso da vontade na realização da prece. As preces realizadas em favor desses Espíritos funcionam como terapia.

Sobre a terapia da prece comenta Joanna de Angelis(10).

...’Terapia valiosa, a oração atrai as energias refazentes que reajustam moléculas orgânicas no mapa do equilíbrio físico, ao tempo que dinamiza as potencialidades psíquicas e emocionais, revigorando o indivíduo.

A oração pelos mortos constitui valioso tributo de amor por eles, demonstração de ternura e recurso de caridade inestimável. Semelhante a telefonema coloquial, a rogativa lhes chega ungida de afeto que os sensibiliza, e o conteúdo emocional os desperta para as aspirações mais elevadas, que passam a plenificá-los. Além disso, pelo processo natural de sintonia com as Fontes geradoras da Vida, aumenta o potencial que se derrama, vigoroso, sobre os destinatários, ensejando-lhes abrir-se à ajuda que verte do Pai na sua direção(11). Daí nasce a afirmativa de que somente o amor pode atravessar o abismo da morte(12).


Bibliografia:

1
Kardec Allan ,O Céu e o Inferno, cap VII:- Espíritos endurecidos :- UM ESPÍRITO ABORRECIDO.
2
Kardec Allan , O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 659.
3
André Luiz (Mecanismos da Mediunidade),
4
Hernani T. Sant’Anna Espírito Áureo UNIVERSO E VIDA
5
Allan Kardec , O Evangelho Segundo o Espiritismo CAPÍTULO XXVII,item8.
6
Allan Kardec , O Evangelho Segundo o Espiritismo CAPÍTULO XXVII item 18
7
Allan Kardec , O Livro dos Espíritos, questão nº 664
8
Allan Kardec , Revista Espírita, 1859, pág. 315: Efeitos da prece sobre os Espíritos sofredores
9
Franco, Divaldo Pereira/ Joanna de Angelis. Lampadário Espírita - Item 11 - Turbação Espiritual - pág. 53.
10
Franco, Divaldo Pereira/ Joanna de Angelis. Momentos Enriquecedores
11
Franco, Divaldo Pereira/ Joanna de Angelis. Momentos de Saúde)
12
Francisco Cândido Xavier Emmanuel O Consolador.
 
Laurelucia Orive Lunardi
Fevereiro / 2009

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