O Céu e o Inferno
por
ALLAN KARDEC



Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos.

CAPITULO II Exemplos...Os exemplos que vamos transcrever mostram-nos os Espíritos nas diferentes fases de felicidade e infelicidade da vida espiritual. Não fomos procurá-los nas não de personagens mais ou menos ilustres da Antigüidade, cuja situação pudera ter mudado consideravelmente depois da existência que lhes conhecemos, e que por isto não oferecessem provas suficientes de autenticidade. Ao contrário, tomamos esses exemplos nas circunstâncias mais ordinárias da vida contemporânea, uma vez que assim pode cada qual encontrar mais similitudes e tirar, pela comparação, as mais proveitosas instruções...(1)

A ignorância, qualquer que seja ela, é geradora do medo. E o medo já consiste em sofrimento, uma barreira que se apresenta ao Espírito, no momento do desencarne.

Jesus nos ensinou: - "(...) Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres" Assim o mais importante é combater o medo pela raiz, a ignorância! (2)Assim o Espiritismo nos ensina que, dependendo da elevação alcançada pelo Espírito, o instante da morte pode, ou não, ser doloroso, que a felicidade e infelicidade da vida espiritual depende de como se viveu quando encarnado. Pois os estados da alma no momento da passagem são muito diversos. ( 3 )

Allan Kardec (4) resume assim o estado do Espírito no momento da morte: "(...) O Espírito sofre tanto mais quanto o desligamento do perispírito for mais lento; a presteza do desligamento está em razão do grau de adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado, cuja consciência está pura, a morte é um sono de alguns instantes, isento de todo sofrimento, e cujo despertar é pleno de suavidade".Este conhecimento não se faz através de teoria preconcebida não sendo um sistema substituindo outro sistema, mas como nos traz Allan Kardec no cap VII do livro "O Céu e o Inferno" "(...) em tudo se apóia em observações, e é isto que lhe dá sua autoridade. Então, de forma alguma se tem imaginado que as almas, após a morte, devem se encontrar em tal ou qual situação; são os seres mesmos que deixaram a terra que vêm hoje nos iniciar nos mistérios da vida futura, descrever sua posição feliz ou infeliz, suas impressões e sua transformação na morte do corpo; em uma palavra, completar sobre esse ponto os ensinamentos do Cristo". Neste capitulo, há numerosos exemplos, baseados em testemunhos de Espíritos em diversas condições após a morte do corpo físico, entre a felicidade e sofrimentos extremos. Esses testemunhos são confirmados hoje correntemente em todos os centros espíritas que realizam um trabalho cristão de assistência aos Espíritos em dificuldades.

Os depoimentos trazidos por Allan Kardec neste capitulo não são de personagens mais ou menos ilustres da antigüidade, mas "(...) Ao contrário, tomamos esses exemplos nas circunstâncias mais ordinárias da vida contemporânea, uma vez que assim pode cada qual encontrar mais similitudes e tirar, pela comparação, as mais proveitosas instruções. Quanto mais próxima de nós está a existência terrestre dos Espíritos - quer pela posição social, quer por laços de parentesco ou de meras relações - tanto mais nos interessamos por eles, tornando-se fácil averiguar-lhes a identidade. As posições vulgares são as mais comuns, as de maior número, podendo cada qual aplicá-las em si, de modo a tornarem-se úteis, ao passo que as posições excepcionais comovem menos, porque saem da esfera dos nossos hábitos. Não foram, pois, as sumidades que procuramos, e se nesses exemplos se encontram quaisquer personagens conhecidas, de obscuras se compõe o maior número". (1 )

Investido de análise racional, o Espiritismo permite discernir desta forma as normas que são realmente confirmadas pelos fatos daquelas criadas pela imaginação, os preconceitos, as superstições, ao longo dos séculos.

Este capítulo traz ao homem a certeza de que ele é de essência espiritual, e lhe dá informações preciosas sobre a evolução do Espírito, através da atenta observação da situação após o desencarne demonstrando a existência de uma lei natural, a Lei de Causa e Efeito promovendo a justiça e o equilíbrio. Desse modo de todo o texto depreende-se um alerta, um chamamento a que o homem desperte e use a vida como preparo para bem morrer e, sobretudo prosseguir na caminhada de crescimento e aperfeiçoamento.


Bibliografia:

  1. Kardec, Allan, "Céu e Inferno" Segunda Parte, capitulo I item 4 e 5.
  2. Bíblia, João 8:32.
  3. Kardec, Allan, "Céu e Inferno" Segunda Parte, capitulo I item 13.
  4. Kardec, Allan, "O Livro dos Espíritos", questão 973.

Laurelucia Orive Lunardi
Fevereiro / 2006

 

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