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Nesta obra Allan Kardec
reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia
como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando
o problema das penas e recompensas futuras à luz da História,
estabelecendo comparações entre as idealizações
do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos.
CapituloVI: Criminosos arrependidos:-
O ESPÍRITO DE CASTELNAUDARY.
(continuação)
“...O estado
em que se vê esse Espírito é o dos seres vulgarmente
designados por danados? - R. Absolutamente não, pois há
condições ainda mais horrorosas. Os sofrimentos estão
longe de ser os mesmos para todos, variando conforme seja o culpado
mais ou menos acessível ao arrependimento. Para este, aquela
casa é o seu inferno, outros trazem esse inferno em si mesmos,
pelas paixões que os atormentam sem que possam saciá-las."(1)
A palavra sofrimento
foi desenvolvida entre os gregos com o termo phérein, que, posteriormente,
passou a ser designado sufferre, em latim, significando tolerar, suportar,
permitir e, somente no século XVI, entre os franceses assumiu
a significação da experiência de uma dor(2).
Na visão pisicosociológica o sofrimento encontra-se na
origem da condição humana, uma espécie de vertigem
diante da nadificação da condição humana,
quando o ser se confronta com a angústia de sua própria
finitude, de ser desmunido, inacabado e incompleto.(3)
Existindo desde os estágios primitivos do homem o temor do desencarne,
especialmente enquanto não se tem um esclarecimento suficiente
a respeito da vida futura torna-se fonte de profundo sofrimento.Assim
á medida que o homem se torna um ser mais complexo, fatores psicológicos
contribuem para exacerbar estes temores, muitas vezes de forma inconscientes
ou ilógicas, baseadas em informações incompletas
ou falsas convicções. Crenças, ensinadas geração
após geração desde a infância, induzem o
indivíduo ao medo do inferno e do sofrimento eterno que ali encontrará
se não levar uma vida repleta de virtudes. Assim ao desencarnar
estes temores tornam-se reais, vívidos e intensos, seguindo os
apontamentos da consciência.Desta forma o “inferno”
de cada um é pessoal e intransferível como nos diz o Espírito
no texto acima citado “...Os sofrimentos estão longe de
ser os mesmos para todos, variando conforme seja o culpado(1)”
ou seja da forma como cada um encara o seu viver.
Allan Kardec comenta
neste capitulo que “...temos
visto avaros sofrerem à vista do ouro, que para eles não
passava de verdadeira quimera; orgulhosos, atormentados pelo ciúme
das honrarias prestadas a outros que não eles; homens que dominavam
na Terra, humilhados pela potência invisível, constrangidos
à obediência, em presença de subordinados, que não
mais se lhe curvavam; ateus atônitos pela dúvida, em face
da imensidade, no mais absoluto insulamento, sem um ser que os esclareça...(1)”
Este sofrimento seria
eterno?
Em O Livro dos Espíritos (4) Allan Kardec pergunta
sobre o critério de duração dos sofrimentos a que
os Espíritos respondem ser decorrência da melhora do indivíduo.
Na resposta fica clara a finalidade pedagógica do sofrimento,
pois quando ocorre o reequilibrio o sofrimento perde o sentido, extinguindo-se.
Analisando ainda a questão do sofrimento eterno “ nas ardências
do Inferno” Allan Kardec diz “....Pelos dogmas
das penas eternas, ao contrário, são no inferno confundidos
os grandes e pequenos criminosos, os culpados de momento e os reincidentes
contumazes, os endurecidos e os arrependidos. Além disso, nenhuma
tábua de salvação se lhes oferece; a falta momentânea
pode acarretar uma condenação eterna e, o que mais é,
qualquer beneficio que porventura hajam feito de nada lhes valerá.”
E para a reflexão desta questão conclui “... De
que lado, pois, a verdadeira justiça, a verdadeira bondade?”(1)
E como seria essa Justiça?Em resposta a esta questão ,nos
comentário finais deste capitulo Allan Kardec comenta:-
“...Devemos ainda notar que as mesmas faltas, ainda
que cometidas em circunstâncias idênticas, são diversamente
punidas, conforme o grau de adiantamento do Espírito delinqüente.
Aos Espíritos mais atrasados, de natureza mais grosseira, como
este de que vimos de nos ocupar, são infligidos castigos de alguma
sorte mais materiais que morais, ao passo que o contrário se
dá para com aqueles cuja inteligência e sensibilidade estejam
mais desenvolvidas. Aos primeiros impõe-se o castigo apropriado
à rudeza do seu discernimento, para compreenderem o erro e dele
se libertarem. Assim é que a vergonha, por exemplo, causando
pouca ou nenhuma impressão para estes, torna-se para aqueles
intolerável. Neste divino código penal, a sabedoria, a
bondade, a providência de Deus para com as suas criaturas revelam-se
até nas mínimas particularidades, sendo tudo proporcionado
e concatenado com admirável solicitude para facilitar ao culpado
os meios de reabilitação. As mínimas aspirações
são consideradas e recolhidas.”(1)
Concluindo comenta Allan Kardec “...No mundo dos Espíritos
há compensações para todas as virtudes, mas há
também penalidades para todas as faltas, e, destas, as que escaparam
às leis dos homens são infalivelmente atingidas pelas
leis de Deus “.
Seria o sofrimento a dor , um castigo uma punição de Deus?
Sobre este tema Joanna de Ângelis no livro Plenitude(5),
mostra a dor não como uma punição, mas como um
mecanismo da vida a serviço da própria vida. Explica que
quanto à origem do sofrimento, mesmo com todo esforço
que seja feito para abrandá-lo, se as causas não forem
removidas, a ação será paliativa. Considera ainda
que o sofrimento é uma doença da alma, que ainda se atém
às sensações e que escolhe direções
e ações que produzem desequilíbrios. Ao procurar
fugir, escamotear, anestesiar o sofrimento, são utilizados mecanismos
de alienação que resultam em preterir a realidade, somando-se
a isso a sobrecarga de complicações em razão do
tempo perdido(5) .Mostra ainda que o sofrimento é
transitório, em decorrência do desequilíbrio da
energia, mas que se “...direcionada para o bem e para
o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação,
a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos os seres
do mundo está reservada pelo Pai Criador”(5)
Em Justiça Divina(6) Emmanuel esclarece que:
"O sofrimento longe de ser uma desgraça tem
função preciosa nos planos da alma”
porque se apresenta como conseqüência de erros e violações
da Lei, mas ,por outro lado, tem função retificadora dos
desequilíbrios do Espírito. Desta forma é uma ferramenta
útil e necessária ao homem que sofre; sem ele, este não
poderia se reajustar, e despertar a consciência para a realidade
superior.
| Bibliografia: |
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1. Kardec ,Allan, O Céu
e o Inferno, CapituloVI: Criminosos arrependidos |
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2. Barus-Michel, J. (2001).
Souffrance, trajets, recours. Dimensions psycosociales de la souffrance
humaine. Bulletin de Psychologie, 54 (2), 122. |
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3. Maisonneuve, J. (1966).
Psycho-sociologie des affinités (pp.75-102). |
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4. Kardec ,Allan, “O
Livros dos Espíritos”, questão 1004. |
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5. Franco DP/ Espírito
Joanna de Ângelis. Plenitude. |
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6. Francisco C. Xavier
/ Emmanuel . Justiça Divina / Doenças da Alma. |
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Laurelucia
Orive Lunardi
Dezembro / 2007 |
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