Nesta obra Allan Kardec reafirma
o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência
de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema
das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo
comparações entre as idealizações do céu
e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos
CapituloV : Suicidas
...... Onde estais agora?
R.: Eu não sei... Dizei-me, onde estou.
Estais numa assembléia de pessoas que se ocupam de estudos espíritas
e que são benevolentes convosco.
R.: Dizei-me se vivo... Eu sufoco no caixão.
Sua alma, embora separada do corpo, está ainda completamente
mergulhada no que se poderia chamar de turbilhão da matéria
corpórea; as idéias terrestres estão ainda vivazes;
ele não se crê morto. ....(O SUICIDA DE SAMARITANA)1
Caso pudéssemos classificar
os enganos humanos o suicídio certamente seria o maior deles.Pois
a pessoa pressionada por uma quantidade variável de desafios,
nos quais muitas vezes é o perdedor , julga seus problemas serem
sem solução, e precipita-se no auto extermínio
considerando que a morte do corpo físico o livrará dos
sentimentos que o envolve. Como o sentir é característica
da alma, o suicídio ,agrava as dificuldades pois alem de não
solucionar os problemas que o levaram ao ato ainda experimenta os horrores
próprios de quem sente um corpo físico que já não
existe somado ao arrependimento e ao remorso, sem possibilidade de retorno
imediato para refazer a própria vida.
No inicio deste capitulo Allan Kardec através do depoimento do
suicida de Samaritana destaca, o sentimento de uma pessoa que dá
fim ao seu corpo físico através da secção
das artérias e veias dos pulsos ,motivado pelo desencanto e solidão.
O suicídio, sendo uma transgressão da Lei Divina (não
matarás), traz sempre uma conseqüência dolorosa para
quem o comete, que varia segundo as causas e as intenções
que o moveram.
......... Que reflexões
tivestes no momento em que sentistes a vida extinguir em vós?
R.: Eu não refleti, eu senti... Mas a minha vida não está
extinta... Minha alma está ligada ao meu corpo... Sinto os vermes
que me roem. ....(O SUICIDA DE SAMARITANA)1
A respeito desse sentir explica Allan Kardec2
..."A observação mostra, com efeito, que as conseqüências
do suicídio não são sempre as mesmas. Há,
porém, as que são comuns a todos os casos de morte violenta,
as que decorrem da interrupção brusca da vida. É
primeiro, a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço
que liga o Espírito e o corpo, porque esse laço está
quase sempre em todo o seu vigor no momento em que foi rompido, enquanto
na morte natural se enfraquece gradualmente e em geral até mesmo
se desata antes da extinção completa da vida. As conseqüências
desse estado de coisas são o prolongamento da perturbação
espírita, seguido da ilusão que, durante um tempo mais
ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra
no número dos vivos.
...... A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz,
em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado
do corpo sobre o Espírito, que assim ressente, mau grado seu,
os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação
cheia de angústias e de horror. Esse estado pode persistir tão
longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.2"
Que sentimentos tivestes no
momento em que a morte se completou?
R.: Ela o está?
Allan Kardec questionando o Espírito
São Luís quanto a duvida do Espírito suicida sobre
o seu estado, recebeu a seguinte explicação ...."
no homem que acaba de morrer; para ele, a morte é o aniquilamento
do ser; para ele, não está morto, e o diz até o
momento em que adquire a intuição de seu novo estado.
Essa ilusão é sempre mais ou menos penosa, porque nunca
é completa e deixa o Espírito numa certa ansiedade. No
exemplo acima, ela é um verdadeiro suplício pela sensação
de vermes que roem o corpo, e pela sua duração, que deve
ser a que teria a vida desse homem se não fosse abreviada. Este
estado é freqüente entre os suicidas, mas não se
apresenta sempre em condições idênticas; varia sobretudo
em duração e intensidade segundo as circunstancias agravantes
ou atenuantes da falta. A sensação dos vermes e da decomposição
do corpo não é mais especial nos suicidas; ela é
freqüente naqueles que viveram mais da vida material que da vida
espiritual....1"
O argumento espírita contra o suicídio não é
apenas moral, como se vê, mas também biológico,
firmando-se no princípio da ligação entre o Espírito
e o corpo.
A morte, como fenômeno natural, tem as suas leis que o Espiritismo
revelou através de rigorosa investigação. O sofrimento
do suicida decorre do rompimento arbitrário dessas leis; é
como arrancar à força um fruto verde da árvore.
As estatísticas mostram que a incidência do suicídio
é maior nos países e nas épocas em que a ambição
e o materialismo se acentuam, provocando mais abusos e excitando preconceitos......3
A morte, como fenômeno natural, tem as suas leis que o Espiritismo
revela através de rigorosa investigação. O sofrimento
do suicida decorre do rompimento arbitrário dessas leis, pois,
a vida não tem fim, é patrimônio eterno ,concedido
por Deus, cuja finalidade é o nosso progresso crescente, até
lograrmos a perfeição espiritual.Quem se entrega ao suicídio,
como única solução para os problemas angustiantes
da vida, comete um erro gravíssimo. Para reflexão final
Allan Kardec no livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo"4
diz que "a calma e a resignação adquiridas na maneira
de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao espírito
uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio".
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Bibliografia:
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1. Kardec, Allan, "
Céu e Inferno" Segunda Parte, Capitulo V : Suicidas. |
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2. Kardec, Allan, Livro
dos Espíritos questão 957 |
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3. J. Herculano Pires,
Educação para a Morte. |
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4. Kardec, Allan ,O Evangelho
Segundo o Espiritismo" - Capítulo V, item 16 |
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Laurelucia Orive
Lunardi
Dezembro / 2006
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