Nesta obra Allan
Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e
avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz
da História, estabelecendo comparações entre as
idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
CAPÍTULO
VII:- Espíritos endurecidos :- UM ESPÍRITO ABORRECIDO
XUMÈNE
(Bordéus, 1862)
- P. (Depois da prece.) Estais satisfeito? - R. Não como
fora para desejar.
- P. Mas o remédio, aplicado pela primeira vez, não pode
curar imediatamente
um mal antigo... - R. É possível...
- P. Quereis voltar? - R. Se me chamares...(1)
...”Guia
da médium. - Filha, terás muito trabalho com este Espírito
endurecido,
mas o maior mérito não advém de salvar os não
perdidos. Coragem, perseverança, e
triunfarás afinal. Não há culpados que se não
possam regenerar por meio da
persuasão e do exemplo, visto como os Espíritos, por mais
perversos, acabam por corrigir-
se com o tempo. O fato de muitas vezes ser impossível regenerá-los
prontamente,
não importa na inutilidade de tais esforços. Mesmo a contragosto,
as idéias sugeridas
a tais Espíritos fazem-nos refletir. São como sementes
que, cedo ou tarde, tivessem de
frutificar. Não se arrebenta a pedra com a primeira marretada.(1)
O termo português
"coragem" origina-se do francês medieval "courage",
que queria dizer grandeza de coração (coeur), no sentido
de grandeza de espírito. Designa normalmente o destemor diante
de situações arriscadas, perigosas ou dolorosas, aquelas
em que as pessoas comuns procurariam evitar, fugir, esconder-se. (2)
.
Já dizia o filosofo:
(...) Tem coração aquele que conhece o medo, mas tem somente
controle sobre o medo; aquele que olha para o abismo, mas com orgulho.
Que olha para o abismo, mas com olhos de águia — que com
garras de águia prende o abismo: isto constitui a coragem. (3)
A coragem por si so de nada adiantaria se não fosse a vontade
, que quando acionada se torna perseverança ou seja autodeterminação
refletida.
Segundo o filosofo catalão Jaime Balmes. ...”Há
dois homens em cada homem: um, inteligente, ativo, elevado, nobre em
seus pensamentos e em seus desejos, submetido às leis da razão,
cheio de ousadia e generosidade; outro inteligente, sem arrojo, sem
expediente, não se atrevendo a levantar nem a cabeça nem
o coração acima do pó da terra, envolvido inteiramente
nos instintos e nos interesses materiais. O último é um
ser de sensações e de gozos; nem lembrança de ontem,
nem previsão de amanhã; para ele, a hora presente, o gozo
presente é que constituem a felicidade; tudo o mais é
nada. Em contrapartida, o primeiro instrui-se com as lições
do passado, sabe ler no futuro, há para ele outros interesses
que os de momento; não circunscreve em tão estreito círculo
o que se chama a vida, a aspiração da alma imortal. ....
”... Quase sempre há no homem uma grande soma de forças
que ele deixa inativas. O conhecer-se acertadamente é um maravilhoso
segredo para fazer muitas e grandes coisas. Ficamos impressionados diante
de certos trabalhos realizados pela necessidade. Em situações
de necessidade, o homem transforma-se e muda, por assim dizer, de natureza.
A inteligência se engrandece, adquire uma penetração,
uma lucidez e uma precisão maravilhosas; o coração
se dilata, nada assombra a sua audácia; até o corpo adquire
mais vigor. E por quê? Criaram-se por ventura novas faculdades
no homem? Não, mas as faculdades que dormiam foram despertadas.
Onde tudo era repouso, tudo se tornou movimento, tudo convergiu para
um fim determinado. Aguilhoada pelo perigo, a vontade se desenvolve
em sua irresistível potência; ordena imperiosamente a todas
as faculdades que concorram para a ação comum; presta-lhe
sua energia e sua decisão. Espanta-se o homem ao sentir-se inteiramente
mudado; o que apenas ousaria imaginar, o impossível de ontem,
torna-se o fato realizado do presente.(4)
A regeneração, a mudança de comportamento, implica
necessariamente em coragem para enfrentar suas dificuldades e perseverança
para continuar na trilha escolhida.Encarnados e desencarnados ao compreenderem
que a renovação interior leva ao aperfeiçoamento
moral , que por decorrência promove uma mudança de comportamento.Todavia
muitos diminuem o interesse e o entusiasmo no esforço de renovação
ao perceberem que a mudança de comportamento pode demorar inúmeras
encarnações, ou seja um investimento de longuíssimo
prazo.Como se o esforço no hoje nada representasse para a caminhada
rumo a perfeição. Entretanto é necessário
manter vívida a lembrança que :
"De corpo em corpo, como quem se utiliza variadas vestiduras, peregrina
o Espírito de existência em existência, buscando
aquisições novas para o tesouro de amor e sabedoria que
lhe constituirá divina garantia no campo da eternidade."
(5)
O esforço de hoje representa inicio de renovação
, pois nenhuma caminhada prescinde do primeiro passo.
| Bibliografia: |
| 1 |
KARDEC ALLAN ,O Céu
e o Inferno, cap VII :- Espíritos endurecidos :- XUMÈNE |
| 2 |
Dicionário da
Língua Portuguesa da Porto Editora |
| 3 |
NIETZSCHE, F. Para além
do bem e do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. |
| 4 |
JAIME BALMES:- El Critério. |
| 5 |
XAVIER, Francisco Cândido.
Roteiro, pelo Espírito Emmanuel |
| |
|
Laurelucia Orive Lunardi
Agosto / 2009 |
|
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