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O Céu
e o Inferno
por
ALLAN
KARDEC
Nesta obra Allan
Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e
avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz
da História, estabelecendo comparações entre as
idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
CapituloIV : ESPÍRITOS
SOFREDORES
"(...) Permita-me o Senhor a mim, déspota orgulhoso, expiar
os crimes derivados do meu orgulho entre aqueles mesmos a quem oprimi
com a tirania! Orgulho! Repita-se constantemente a palavra para que
se não esqueça nunca que ele é a fonte de todos
os sofrimentos que nos acabrunham. (...)"Príncipe Ouran
(1)
O orgulho é o maior dos defeitos e o mais difícil de ser
combatido dizem os Espíritos Superiores que é o último
a ser eliminado. Ele nos faz ter a falsa idéia de que somos melhores
e superiores às outras pessoas. Allan Kardec comenta: "Se
o orgulho é o pai de muitos vícios é também
a negação de muitas virtudes e pode-se encontrá-lo
na base e como motivo de quase todas as nossas ações".
(2)
Não será o orgulho, o responsável pela violência
das guerras ? Pela violência urbana que conduz à marginalização
,ao crime, milhares de seres humanos, condenadas ao analfabetismo, à
fome e à miséria? E nos relacionamentos não é
o orgulho responsável pelas ofensas , pelo ciúme, pela
insegurança, insatisfação e desentendimento?
Confirmando esta afirmativa no "O Evangelho Segundo o Espiritismo"
encontraremos que(3) "O orgulho vos induz a julgardes
mais do que sois, a não aceitar uma comparação
que vos possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário,
tão acima dós vossos irmãos, quer em espírito,
quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais,
que o menor paralelo vos irrita e aborrece..."
O sofrimento após o desencarne,
o tempo preso em terríveis pertubações é
o que traz o depoimento Príncipe Ouran (...)"Liberto da
matéria, o sentimento moral aumentou-se, para mim, de tudo quanto
as cruéis sensações físicas tinham de horrível."(1)
Mas o que causava este sofrimento? È o próprio Príncipe
Ouran que explica : (....)"Orgulho! Repita-se constantemente a
palavra para que se não esqueça nunca que ele é
a fonte de todos os sofrimentos que nos acabrunham. Sim, eu abusei do
poderio e favores de que dispunha; fui duro e cruel para com os inferiores,
os quais tiveram de curvar-se a todos os meus caprichos, satisfazer
a todas as minhas depravações. Quis a nobreza, a fortuna,
as honras, e sucumbi sob peso superior às próprias forças"
(1)
O orgulhoso pensa primeiro em si, depois pensa nas necessidades dos
outros, este defeito se manifesta de várias formas e maneiras
: o orgulho racial, profissional, religioso, social . Não existe
"orgulho bom" , termo usado para qualificar sentimento em
cuja a base se assenta o egoísmo.
Orgulho e egoísmo são duas doenças da alma tão
entranhadas que é de difícil separar quando começa
uma ou termina outra. Os Espíritos em resposta à Allan
Kardec comentam que (...) "No egoísmo e no orgulho estão
as verdadeiras chagas da sociedade por serem incompatíveis com
a justiça, o amor, a caridade, pois que neutraliza todas as outras
virtudes e qualidades(4) .
O filosofo Arthur Schopenhauer, discorrendo sobre orgulho e egoísmo
comenta que (...) " Por natureza, o egoísmo é ilimitado:
o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio
ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também
incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade
possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega
até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível,
novas capacidades de deleite. Tudo o que se opõe ao ímpeto
do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio:
ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo. Quer possivelmente
desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível,
quer, pelo menos, dominar tudo: 'Tudo para mim e nada para os outros'
é o seu lema".(5)
Que sofrimento atroz deve invadir aquele que vive sobre este lema ao
se ver desencarnado, convivendo pela lei de afinidade com aqueles que
viveram também como ele portanto na mesma faixa vibratória.
Joanna de Ângelis ensina que o orgulho e o egoísmo (...)
"Acompanha-nos desde prístinas eras e estamos, portanto,
familiarizados com ele: é o árbitro impiedoso das paixões
dissolventes: alucina e envilece... É herança do primarismo
animal e constitui-se no maior adversário de nossa evolução.
É sombra em nosso entendimento em forma de vaidade, e tóxico
em nosso raciocínio na feição de orgulho. É
veneno em nosso coração, sob a máscara do ciúme,
e fogo em nossa Alma, sob a agressiva capa da revolta. Antítese
da solidariedade, constitui-se nosso estrênuo adversário,
corroendo-nos as "carnes" da alma e fomentando a hecatombe
coletiva, asfixiando os mais nobres ideais da Vida. Alimenta-se no campo
fértil da ignorância com os ingredientes venenosos da revolta
e da insensatez."(6)
O homem poderia ter uma existência venturosa tanto na terra como
no mundo espiritual, caso seguisse as Leis gravadas na sua consciência:
"Faça aos outros o que queres que te façam".(7)
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Bibliografia:
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1. Kardec ,Allan, "
Céu e Inferno" Segunda Parte,capitulo CapituloIV : ESPÍRITOS
SOFREDORES (Príncipe Ouran) |
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2. Kardec ,Allan "O
Evangelho segundo o Espiritismo" Cap X item 10 . |
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3. Kardec ,Allan, "O
Evangelho segundo o Espiritismo "Cap XI item 10 |
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4. Kardec ,Allan, "Livro
dos Espíritos" questão 785 |
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5. Schopenhauer, Arthur
"A Arte de Insultar". |
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6. Joanna de Ângelis/,
Divaldo Pereira Franco "Meditações" |
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7. Bíblia Sagrada
- São Mateus ,cap XXII ,v 34 a 40 |
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Laurelucia Orive
Lunardi
Agosto / 2006
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