O Céu e o Inferno

por

Allan Kardec

 

Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos.

CAPÍTULO VII:- Espíritos endurecidos :- UM ESPÍRITO ABORRECIDO


A RAINHA DE OUDE
(Falecida em França, em 1858)
1. - Quais as vossas sensações ao deixardes o mundo terrestre? - R. Ainda
perturbada, torna-se-me impossível explicá-las. - P. Sois feliz? - R. Tenho saudades da vida... não sei... experimento acerba dor da qual a vida me libertaria... quisera que o corpo se levantasse do túmulo...
2. - Lamentais o ter sido sepultada entre cristãos, que não no vosso país? - R.
Sim, a terra indiana menos me pesaria sobre o corpo.


A morte é uma grande desorganizadora cultural; uma vez que sua ocorrência desestabiliza o ser que se vê frente a algo que não só não lhe é claro como também não acha em si respostas satisfatórias, precisas!.A cultura a explica por meio dos rituais, que juntam as pessoas, oferecendo uma condição para a expressão dos afetos e construção de significados.Os rituais fúnebres e a elaboração do luto em si sofrem mudanças de acordo com os processos econômico-sociais vividos pelas sociedades (2) A morte pode ser percebida de diferentes formas, conforme a história de vida, a religião e a cultura do indivíduo envolvido nesse processo. De acordo com cada cultura, a concepção da morte, fica visível no modo como se fala ou não se fala dela, nos rituais que seguem o funeral, nos costumes do luto e nas sensações. Portanto, a questão da morte e do morrer se faz reflexão obrigatória (3)
As principais tradições religiosas existentes no mundo – judaísmo, cristianismo, islamismo, hinduísmo e budismo , possuem seus próprios rituais e explicações para a morte.
No Judaísmo,a mais antiga das religiões ocidentais, as idéias se fundamentam nas escrituras deixadas pelos profetas na Bíblia Sagrada. A vida é preparação para um mundo vindouro; os mortos não são velados em caixão aberto, pois a exibição do corpo é considerada desrespeito. Durante a cerimônia, o rabino discursa e os filhos homens recitam orações (4)
No Cristianismo estão reunidas todas religiões que professam os preceitos deixados por Jesus Cristo, crê nos profetas bíblicos e no Novo Testamento dos profetas cristãos. Inclui Católicos, Evangélicos, Pentecostais e Ortodoxos. Os cristãos acreditam que após a morte o Espírito vai para o céu ou para o inferno (os católicos crêem no purgatório), de acordo com os pecados que cometeu. Aceitam o Juízo Final, quando os mortos ressuscitarão para uma vida eterna junto a Deus. Os rituais de morte e luto têm similaridades, incluindo: unção, velório, enterro e orações (cultos, missas). O Espiritismo, que reúne os seguidores de Alan Kardec, é uma tradição particular nesse contexto, pois crê na reencarnação do Espírito, que é eterno e evolui. (5)
No Budismo na morte ,após a obtenção da “Verdadeira Sabedoria”, o Espírito se liberta, alcançando o Nirvana ou estado de perfeição espiritual.Os budistas adotam prioritariamente a cremação. Durante o luto é importante cultivar sentimentos de gratidão com relação aos familiares que se foram e aprender com o morto sobre a inevitabilidade da morte (6)
No Hinduísmo, a vida na terra é parte de um ciclo eterno de nascimentos, mortes e renascimentos. A pessoa pode levar uma vida voltada para o bem e se libertar desse ciclo. O cumprimento correto do drama (dever prescrito) pode levar o praticante à mukti (liberação) do karma (ciclo repetitivo de nascimento e morte). Os mortos são cremados em piras abertas, acesas pelo filho mais velho do falecido (7). Já o Islamismo ,religião de nascimento da princesa comunicante , pertence à tradição dos profetas bíblicos, mas tem Maomé como último grande profeta. Vê a morte como passagem para uma próxima etapa; no Juízo Final acontecerá a ressurreição, todas as almas retornarão a corpos jovens e sem defeitos. O caixão serve apenas para transportar o corpo até o cemitério; deve ser simples. O velório cumpre a burocracia ou o aguardo de algum parente. Quanto antes for realizado o sepultamento melhor. Não há luto; para o islamita a morte deve ser vista como natural (8).

“... - Não se pôde fazer constar na respectiva certidão de óbito o lugar do vosso
nascimento; podereis no-lo dizer, agora? - R. Sou oriunda do mais nobre dos sangues
da Índia. Penso que nasci em Delhi...” Professáveis a religião muçulmana ou a hindu? - R. Muçulmana; eu, porém, era bastante poderosa para que me ocupasse de Deus. - P. No ponto de vista da felicidade humana, quais as diferenças que assinalais entre a vossa religião e o Cristianismo? - R. A religião cristã é absurda; diz que todos são irmãos.”(1)

Os espíritos comentam na questão 237 do livro dos Espíritos (9) que
“...Uma vez de volta ao mundo dos Espíritos, a alma conserva as percepções que tinha na Terra.(1)
Assim sendo o respeito e os cuidados , com que deve ser recebida e tratada a comunicação dos desencarnados sofredores, devem ser redobrados, pois as crenças em que esteve ligado quando encarnados continuam após o desencarne ,sendo portanto uma violência mostrar-lhe a passagem da vida na qual ele esta inserido pela ótica cristã ou mesmo espírita .O mesmo cuidado, nos atendimentos de desencarnados que mesmo cristãos ,não aceitavam quando encarnados a Doutrina Espírita. Para reflexão fica destacada as palavras de Emmanuel (10)
...” A vida no Além é também atividade, trabalho, luta, movimento”
Necessário se faz lembrar que as mudanças virão com o tempo, no qual a realidade se incumbirá do lento despertar que alterando a maneira de pensar do desencarnado levar [a com que ele trabalhe consigo , bastando portanto à aquele que o atende durante sua comunicação recebê-lo com todo sentimento amoroso, e se possível lançando pequenas idéias que contribuam para posteriores reflexões.Lembrando o Mestre.
... “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também” (11)


Bibliografia:

1
Kardec Allan ,O Céu e o Inferno, cap VII:- Espíritos endurecidos :- Um Espírito Aborrecido. A Rainha De Oude
2
Ziegler, Jean. Os vivos e a morte.
3
Rodrigues, U. T. - O tema da morte)
4
Asheri Michael Judaísmo Vivo: as Tradições e as Leis dos Judeus Praticantes
5
Paul Johnson ,História do Cristianismo.
6
Hagen Steve ,Budismo: Claro e Simples.
7
Stoddart William ,O Hinduísmo.
8 www.mundoislamico.com
9 Kardec Allan , O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 237
10 Francisco Cândido Xavier - Emmanuel ,PALAVRAS DE EMMANUEL
11 Allan Kardec , O Evangelho Segundo o Espiritismo, (Mateus 7.12) .
 
Laurelucia Orive Lunardi
Abril / 2009

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