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Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter
científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação,
a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras
à luz da História, estabelecendo comparações
entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
CapituloVI : Criminosos arrependidos:- O ESPÍRITO DE
CASTELNAUDARY
“...Rumores e outras estranhas e várias manifestações
ocorridas numa casinha perto de Castelnaudary, faziam-na tomar por habitada
de fantasmas, mal-assombrada, etc.”1
Há
muito tempo o homem é desafiado pelos mistérios que há
em si e nos seus semelhantes. O medo dos Espíritos, principalmente
daqueles que morreram em circunstâncias violentas, é um
traço comum em todas as culturas.
A mitologia greco-romana foi pródiga de fatos sobrenaturais,
a Idade Média está povoada de fenômenos de feitiçaria
.Anterior a isso, as civilizações primitivas viviam assombradas
com o sobrenatural2. Estes termos : sobrenatural ,mistérios
e mesmos feitiçaria eram utilizados pela inexistência na
época de explicações para os fenômenos nem
mesmo o conhecimento das leis que os regiam.
O homem
moderno tem ouvido falar de castelos e casas assombradas. Exemplos são
obtidos em toda a parte, mesmo hoje no século XXI. Em 2001 ,
por exemplo,William Hudson, de 26 anos, e sua família, abandonaram
sua residência na Avenida Manitoba nº 492, em North End,
Winnipeg, Canadá, convictos de que a moradia estava assombrada
por "uma alma atormentada". "A alma torturada ,segundo
William , teria reclamado a propriedade da casa e não queria
deixá-la ;bateu em sua esposa, aterrorizou os seus filhos e causou
coisas muito ruins forçando-os a sair".Em abril de 2001,
William levou um pastor e um padre até sua casa para exorcizarem
o "Espírito maligno"3. Outro exemplo recente saiu
na revista Veja, em sua edição de maio de 20024, trazendo
a declaração do o primeiro-ministro Yoshiro Mori,do Japão
que corajosamente declarou que além de ouvir ruídos estranhos
à noite na residência oficial, ainda tinha que ver as portas
e janelas se abrirem, como que por efeito de mãos invisíveis,
isto é, sem que ninguém as tocassem.
Alma atormentada,
alma penada, assombração estes são algum dos muitos
nomes que o imaginário popular utiliza para definir : Alma de
pessoa morta que continua vivendo na terra,sem abandonar sua casa, seu
trabalho, etc. Geralmente, segundo este conceito essa pessoa cometeu
algum crime hediondo e sua alma está pagando por isso. O termo
“penada” por exemplo, é utilizado como adjetivo ,por
ser visto como pena, uma condenação ou castigo a que tais
seres, na visão popular, estariam sujeitos. A justificativa seria
que a presença da alma do morto do entre os vivos significasse
motivo de sofrimento e, até, de ensinamento para o mesmo, portanto
uma pena.
A Filosofia
Espírita, no entanto, afasta completamente esta explicação,
de vez que como doutrina, destrói os dogmas religiosos de todos
os tempos, entre os quais a idéia de “penas e castigos
eternos”, simbolizada no Céu e no Inferno das religiões
tradicionais, isto sem falar no Purgatório. Para o Espiritismo,
ninguém fica temporária ou definitivamente “condenado”
a permanecer aqui ou em qualquer outro lugar “espiritual”
do Universo.5.
Como explicar
a presença deste Espírito na casinha perto de Castelnaudary?
Allan Kardec
explica6 que “...certos Espíritos podem sentir-se atraídos
por coisas materiais. Podem sê-lo por determinados lugares, onde
parecem estabelecer domicílio, até que desapareçam
as circunstâncias que os faziam buscar esses lugares.”
Este era o caso do Espírito de Castelnaudary :-
“...17. - Tende a bondade de nos descrever a vossa situação
antes de vos evocarmos pela primeira vez. Não é preciso
acrescentarmos que este pedido tem por fim sabermos como ser-vos úteis,
e não a simples e fútil curiosidade.”
- R. Já vos disse que nada mais compreendia além do
meu crime, e que não podia abandonar a casa em que o cometi,
a não ser para vagar no Espaço, solitário e obscuro;
disso não poderia eu dar-vos uma idéia, porque nunca pude
compreender o que se passava. Desde que me alçava ao Espaço,
era tudo negrume e vácuo, ou, antes, não sei mesmo o que
era...”1
Segundo
Allan Kardec a alma penada é “... Um Espírito errante
e sofredor, incerto de seu futuro, e a quem podeis proporcionar o alívio
que, muitas vezes, solicita ao se comunicar convosco“7
Desde que
os homens puderam estabelecer relações regulares com o
mundo invisível, uma das primeiras conseqüências do
Espiritismo foi o ensino dos serviços que por meio dessas relações
podem prestar aos seus irmãos desencarnados.Aos sofredores jamais
faltaram socorros em qualquer época e, se as evocações
lhes proporcionam uma nova via de compreensão, aproveitam ainda
mais, talvez, aos encarnados, por lhes proporcionar novos meios de fazer
o benefício, instruindo-se ao mesmo tempo sobre as condições
da vida futura.1
| Bibliografia: |
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1.
Kardec ,Allan, O Céu e o Inferno, CapituloVI : Criminosos
arrependidos |
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2.
Marchi, Cesare. Grandes Pecadores, Grandes Catedrais |
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3.
Greg Di Cresce, Journal Winnipeg Sun |
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4.
Revista Veja, edição 1751Nº 19, 15 de maio de
2002. |
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5.
Kardec ,Allan, O Céu e o Inferno, As Penas Futuras –
Segundo o Espiritismo, item III . |
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6.
Kardec ,Allan,"O Livro dos Médiuns,cap IX". |
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7.
Kardec ,Allan,"O Livro dos Espíritos", questão
1015 |
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Laurelucia
Orive Lunardi
Outubro / 2007 |
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