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O Céu
e o Inferno
Por
ALLAN KARDEC
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Nesta obra
Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo
e avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz
da História, estabelecendo comparações entre as
idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
CAPITULO
I - O PASSAMENTO
Item 4 e 5 - O fluido perispiritual só pouco a pouco se
desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação
só é completa e absoluta quando não mais reste
um átomo do perispírito ligado a uma molécula do
corpo. "A sensação dolorosa da alma, por ocasião
da morte, está na razão direta da soma dos pontos de contacto
existentes entre o corpo e o perispírito, e, por conseguinte,
também da maior ou menor dificuldade que apresenta o rompimento."
Não é preciso portanto dizer que, conforme as circunstâncias,
a morte pode ser mais ou menos penosa. Estas circunstâncias é
que nos cumpre examinar.(1)
Para iniciar
sua jornada terrena, o Ser necessita de três elementos essenciais:
o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado
pelo mesmo principio vital, a alma Espírito encarnado
que tem no corpo a sua habitação e o perispirito
substância semi-material que serve de primeiro envoltório
ao Espírito e liga a alma ao corpo(2). Durante o processo
de reencarnação, desencadeado pela concepção,
o processo morfogênico, a ligação entre Espírito
e o embrião se faz através do perispirito ,célula
a célula.Assim cada célula do corpo físico corresponde
a uma célula do corpo espiritual e cada função
orgânica corresponde a uma função perispirítica.
Após o nascimento o perispirito passa a expandir-se, moldando
e sustentando o novo organismo em crescimento, modelando, também,
os elementos em renovação - até os últimos
instantes da vida biológica(3).
No livro Evolução em Dois Mundos, o Espírito André
Luiz, através da psicografia de Francisco C. Xavier e Waldo Vieira
(4), nos informa que as atividades funcionais do corpo físico
são sustentadas por sete centros vitais, localizados na estrutura
perispiritual em associação dinâmica com a rede
plexiforme e as glândulas endócrinas no corpo físico,
estabelecendo assim a harmonia do sistema psico-fisiológico do
individuo. Os centros vitais podem ser compreendidos como discos energéticos,
verdadeiros centros reguladores de energias que partem do corpo mental
para o corpo físico e vice-versa, de modo que cada conjunto de
órgãos ou sistemas do corpo físico têm seu
centro de força correspondente. Assim o perispírito rege
a vida física, dinamizando a energia vital através de
seus centros.São eles : Centro coronário (no alto
da cabeça) dirige e comanda os outros centros;Centro cerebral
(na região frontal da cabeça) está ligado a hipófise
e influencia as glândulas endócrinas controla a sensibilidade
e preside as sensações captadas pelos órgãos
dos sentidos (visão, audição ,tato etc);Centro
laríngeo (no pescoço)dirige o timo ,tireóide
paratireóide e fenômenos vocais em geral;Centro cardíaco
(na região precordial)na posição do coração,
é o primeiro a receber o impacto da emoção;Centro
esplênico ( na região do baço) mais ou menos
na altura do baço regula a circulação da vida através
do sangue ;Centro gástrico (na região do estômago)
relacionado com o estômago está envolvido na alimentação(digestão,
absorção e excreção) é fortemente
influenciado pelas emoções interferindo em todo metabolismo.
Centro genésico (no baixo ventre) relacionado com os órgãos
sexuais(5).
O fenômeno da morte nada mais é do que o desligamento de
todos os fios fluídicos do perispírito, liberando o Espírito
do corpo material.O desprendimento se dá "molécula
por molécula conforme se unira"(6).Compreendemos,
portanto, que esses laços fluídicos, aos quais os Espíritos
superiores se referem na resposta a Allan Kardec, serem esses delicados
elos que mantém conectados os centros vitais no perispirito à
estrutura corporal e que somente irão se romper quando houver
uma interrupção do equilíbrio biológico,
químico-físico, capaz de produzir a cessão irreversível
das funções vitais do corpo, devido a falência dos
órgãos pela idade, por certas patologias, acidentes, etc.,
definindo-se a morte orgânica.
A operação desse processo, chamado desencarnação,
inicia-se, normalmente, pelas extremidades inferiores do corpo físico,
terminando no cérebro.Assim como o nascer, o desencarne não
se faz sozinho, operadores espirituais através de complexo trabalho
de magnetização, isolam o sistema nervoso simpático
neutralizando, mais tarde, "as fibras inibidoras do cérebro".
Dirigindo-se ao plexo solar (centro gástrico), desatam laços
"que localizam forças físicas", provocando o
extravasamento, pelo umbigo, de "certa porção de
substância leitosa", que fica pairando em torno, enquanto
começam a surgir sintomas de esfriamento dos membros inferiores.
Passes sobre o centro emocional (centro cardíaco) relaxam os
elos que mantêm "a coesão celular" nesse centro,
ao tempo em que nova "cota de substância desprende-se do
corpo, do epigastro à garganta"(7). Foge, então,
o pulso, cessa a capacidade de raciocinar e sobrevém o coma e
ocorre a "histogênese espiritual" e , também,
o fenômeno conhecido como "visão panorâmica"
de todo o passado, em vertiginosa sucessão de imagens(8).
Esse fenômeno de recapitulação tem sido registrado,
na medicina, nos casos das chamadas Experiências de Quase Morte
sob a sigla EQM. Segundo um estudo referente à "' Experiência
de Quase-Morte (EQM) realizado pelo Instituto Gallup, tendo por base
as populações adultas dos EUA, 35% dos americanos que
estiveram próximos da morte (o que corresponde a 8 milhões
de pessoas) tiveram essa experiência(9). Em dezembro
de 2001, a revista cientifica "The Lancet" publicou um artigo(10)
sobre a investigação de EQM, realizada em 344 pacientes
que sofreram parada cardíaca e foram ressuscitados, com sucesso,
em dez hospitais holandeses. Os pacientes foram entrevistados, logo
nos primeiros dias, após terem passado pela experiência
e acompanhados, 2 e 8 anos depois, para a devida avaliação.
Do total de sobreviventes pesquisados, 41 pacientes (12%) descreveram
uma experiência profunda, com elementos que caracterizam uma EQM,ou
seja: a) uma sensação de estar morto; b)Paz e Ausência
de dor; c) Experiência Fora do Corpo (EFC); d) Experiência
do túnel; e) Seres da luz; f) Ser de luz; g) Recapitulação
da vida; h) Relutância em voltar; i)". Transformação
da personalidade((11).O perispírito, quando atrelado
ao corpo somático, é como se sofresse uma espécie
de absorção, abafamento do campo energético, limitado,
a sua influência à zona consciente, e os fluidos densificados
da matéria física. No desacoplamento do perispírito
em relação ao corpo, o campo perceptivo se alarga(12);
o quê explica e justifica as observações feitas
por Pim Van Lommel e cols no artigo acima citado publicado no "The
Lancet"(10).
No processo do desencarne a liberação energética
do corpo físico e do perispírito, que se encontravam dela
impregnados, desde o primeiro instante da concepção, realiza-se
de forma suave ou abrupta de acordo com a sua distribuição,
que é peculiar a cada ser, a cada órgão, a cada
célula; há nos centros vitais ou de força, maior
atividade vital e pontos de ligação com maior densidade
entre o Espírito-perispírito e o corpo físico;
destes o que tem mais forte esta união com o Espírito,
via perispírito, é o centro coronário ou regente
sendo o último que se desliga, desfazendo-se as conexões
Espírito-perispírito-glândula pineal, a "glândula
da vida espiritual"(13). O rompimento destes laços
fluídico-magnéticos que compõe o cordão
fluídico ou de prata, representa o selo da desencarnação,
iniciando-se pelas extremidades e terminando no cérebro(14).Uma
vez ocorrido tal desligamento no processo da morte, o Espírito
não mais pode voltar a animar aquele que foi o seu veículo
de carne. Despojado do corpo físico, pelo desencarne o Espírito
permanece com o perispírito, veículo de sua manifestação
no Plano Espiritual. Como no perispírito fica arquivado tudo
que aprendemos, experimentamos e assimilamos(15) Allan Kardec,
"A GÊNESE ",cap. XI it. 18,p. 214-215. ), carregamos
para a"outra vida" a vida atual.
Allan Kardec no item 5(16) diz : "Estabeleçamos
em primeiro lugar, e como princípio, os quatro seguintes casos,
que podemos reputar situações extremas dentro de cujos
limites há uma infinidade de variantes":
1° - Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento
do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.
2° - Se nesse momento a coesão dos dois elementos estiver
no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura
que reage dolorosamente sobre a alma.
3° - Se a coesão for fraca, a separação torna-se
fácil e opera-se sem abalo.
Daí resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está
subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito;
que tudo o que puder atenuar essa força, e acelerar a rapidez
do desprendimento, torna a passagem menos penosa.
È oportuno lembrar que dentre às forças adesivas
que une o corpo ao perispírito o estado moral da alma é
o principal fator no desprendimento , esclarece Allan Kardec(17)
que.(...): "O estado do Espírito por ocasião da morte
pode ser assim resumido: Tanto maior é o sofrimento, quanto mais
lento for o desprendimento do perispírito; a presteza deste desprendimento
está na razão direta do adiantamento moral do Espírito;
para o Espírito desmaterializado, de consciência pura,
a morte é qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar
é suavíssimo." Pois o corpo inerte nada mais sente,
o sentir está ligado ao Espírito ,dependendo do que o
une a matéria quanto mais estiver desligado da influência
da matéria, ou seja, quanto mais estiver desmaterializado, menos
sentirá as sensações penosas.... Acrescenta Allan
Kardec(18) "para o homem cuja alma se desmaterializou
e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas, o desprendimento
quase se completa antes da morte real, isto é, ao passo que o
corpo ainda tem vida orgânica, já o Espírito penetra
a vida espiritual, apenas ligado por elo tão frágil que
se rompe com a última pancada do coração."
Todavia, para o homem "materializado e sensual que mais viveu do
corpo que do Espírito, e para o qual a vida espiritual nada significa,
nem sequer lhe toca o pensamento, tudo contribui para estreitar os laços
materiais, e, quando a morte se aproxima, o desprendi mento, conquanto
se opere gradualmente também, demanda contínuos esforços."
Concluindo e para nossa reflexão IRMÃO JACOB em "
Voltei " ensina que: " (...) se o homem não se preparou,
convenientemente, para a renúncia aos hábitos antigos
e comodidades dos sentidos corporais, demorar-se-á preso ao mesmo
campo de luta em que a veste de carne se decompõe e desaparece.
E se esse homem complicou o destino, assumindo graves compromissos à
frente dos semelhantes, através de ações criminosas,
debater-se-á, chorará e reclamará embalde, porque
as leis que mantêm coesos os astros do Céu e as células
da Terra lhe determinam o encarceramento nas próprias criações
inferiores."(19).
Bibliografia:
- (1)
- Allan ,Kardec , " Céu e Inferno" Segunda Parte,capitulo
I item 4 e5.
- (2)
- Allan ,Kardec "O Livro Dos Espíritos "- 76a. ed.
- p.104 questão 135)
- (3)
- Zalmino Zimmermann "Perispírito" - 2a Edição
Revista e Ampliada - p.40
- (4)
- Francisco C. Xavier e Valdo Wieira pelo Espírito André
Luiz "Evolução em Dois Mundos, 22a ed., Rio de
Janeiro: FEB, 1993.
- (5)
- Leda Marques Bighetti Fundamentos e Dinâmica do Passe Ed BELE,
Ribeirão Preto ,2004 pg 130-132.
- (6)
- Allan Kardec ,"A Gênese ",cap. XI it.18,p. 214-215.
- (7)
- Francisco C. Xavier e Valdo Wieira pelo Espírito André
Luiz" Obreiros da Vida Eterna" 22a ed., Rio de Janeiro:
FEB, 1996 pp 209, Cap.XIII.
- (8)
- Francisco Cândido XAVIER, por ANDRÉ LUIZ "Evolução
em dois mundos" 22a ed., Rio de Janeiro: FEB, 1993 , p.93: Cap.
XII.
- (9)
- George Gallup Jr., Adventures in Immortality, ed. Hardcover ,1982).
- (10)
- Van Lommel P, Van Nees R, Meyer V, Efferich I. "Near-death
experience in survivors of cardiac arrest: a prospective study in
the Netherlands".The Lacet vol 358; p:2039-2041, 2001
- (11)
- Melvim Morse & Paul Perry, "Transformados pela Luz ",
Prefácio p.3. Ed Nova Era.
- (12)
- Jorge Andréa "Psicologia Espírita" Vol.
II;
- (13)
- Zalmino Zimmermann "Perispírito" - 2a Edição
Revista e Ampliada p. 483 / 486.
- (14)
- Francisco Cândido XAVIER, por ANDRÉ LUIZ "Obreiros
da Vida Eterna" (222 ed., Rio de Janeiro: FEB, 1996, pp. 209
a 212: Cap. XIII).
- (15)
- Allan Kardec ,"A GÊNESE ",cap. XI it. 18,p. 214-215.
- (16)
- Allan ,Kardec , " Céu e Inferno" Segunda Parte,capitulo
I,item 5.
- (17)
- Allan ,Kardec , " Céu e Inferno" p. 172.
- (18)
- Allan ,Kardec ," Céu e Inferno" p.170.
- (19)
- Francisco Cândido XAVIER, por IRMÃO JACOB "Voltei",
ed. FEB, p. 63 e 64.
- 7 -
MELO, Jacob. "O Passe". 8ª ed.: FEB,1992, pg 60.
- 8 -
MOREIRA, Fernando Augusto. "Fisiologia da Alma". Revista
Internacional de Espiritismo, Out/2000, pg.399.
Laurelucia
Orive Lunardi
Outubro / 2005
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