| |
O Céu e o
Inferno
por
ALLAN KARDEC
Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do
Espiritismo e avalia como ciência de observação, a
nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras
à luz da História, estabelecendo comparações
entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
CAPÍTULO VIII
OS Anjos
Nada mais atual que este tema! Teoria dos Anjos; Anjos protetores,
revistas sobre anjos, lojas vendendo figurinhas e bibelôs de anjos
até perfume par atrair anjos...etc.
O quê é imaginação? O quê é
verdade?
O que a lógica nos mostra como verdade?
 |
|
Pintura realizada por Gustave Dore (1832-1883),
como ilustração da Divina Comédia,
escrita por Dante Allighieri representando a hierarquia
dos anjos.
|
|
Na Internet
encontramos um grande número de sites esotéricos que trazem
esta definição de anjos"Os anjos são mensageiros
ou embaixadores enviados por Deus aos homens; e mensageiros dos homens
a Deus. Os anjos são seres espirituais, pessoais e livres; dotados,
portanto, de inteligência e vontade, criados por Deus do nada."
Verdade:- A palavra "anjo" é derivada
da palavra grega "angelos" que significa "mensageiro".
O termo utilizado no Antigo Testamento é malk, que em hebraico
o termo exato é "um que vai" ou "enviado",
significa delegado ou embaixador.
O resto da definição apresentada acima foi estabelecido
pela Igreja Católica no Concílio IV de Latrão (1215)
e Concílio Vaticano I (1870). "A Igreja os venera, os
ama e são "motivo de doçura e de ternura" (João
XXIII, 9-VIII-1961). Crer na existência dos anjos é uma
verdade de fé. Quem negue sua existência com pertinácia,
sabendo que é dogma de fé, comete pecado mortal e incorre
em excomunhão (cfr. Código de Direito Canônico,
cânon 1364). São Tomás (1225-1274), dedicou aos
anjos as questões 50 a 64 da Summa Theologica onde afirma
que a natureza dos anjos é puramente imaterial e espiritual,
que seu número é incalculável. Ainda segundo ele,
os anjos nem sempre existiram. Eles foram criados por Deus, talvez antes
do mundo material e do homem. São dotados de livre-arbítrio
e é exatamente por causa dele que uma parte cai no pecado da
soberba, do orgulho e da inveja, tornando-se anjos decaídos,
demônios incapazes de amar a Deus e ao homem criado por Ele. Segundo
estes documentos:- os anjos fora separados em três grupos divididos
em três hierarquias, e cada hierarquia em três coros:
- Os Serafins, os Querubins e os Tronos
- As Dominações, as Virtudes e as Potestades
- Os Principados, os Arcanjos e os Anjos
Segundo essa classificaçaõ, são definidas funções.Vejamos:
"Os Serafins - do grego "séraph", abrasar,
queimar, consumir. Assistem ante o trono de Deus e é seu privilégio
estar unidos a Deus de maneira mais íntima, nos ardores da caridade.Os
Querubins - do hebraico "chérub", que São
Jerônimo e Santo Agostinho interpretam como "plenitude de sabedoria
e ciência". Assistem também ante o trono de Deus, e
é seu privilégio ver a verdade de um modo superior a todos
os outros Anjos que estão abaixo deles. Os Tronos - algumas
vezes são chamados "Sedes Dei", (Sejas de Deus) também
assistem ante o trono de Deus, e é sua missão assistir aos
Anjos inferiores na proporção necessária. Já
o coro angélico Dominações são assim chamados
porque dominam sobre todas as ordens angelicais encarregadas de executar
a vontade de Deus. Distribuem aos Anjos inferiores suas funções
e seus ministérios. Os Potestades ou "condutores da
ordem sagrada", executam as grandes ações que tocam
no governo universal do mundo e da Igreja, operando para isso prodígios
e milagres extraordinários. O coro angélico Virtudes
cujo nome significa "força", são encarregados
de eliminar os obstáculos que se opõem ao cumprimento das
ordens de Deus, afastando os anjos maus que assediam as nações
para desviá-las de seu fim, e mantendo assim as criaturas e a ordem
da Divina Providência. Os Principados como seu nome indica,
estão revestidos de uma autoridade especial: são os que
presidem os reinos, as províncias, e as dioceses; são assim
denominados pelo motivo de que sua ação é mais extensa
e universal. Os Arcanjos são enviados por Deus em missões
de maior importância junto aos homens. Os Anjos são
os que têm a guarda de cada pessoa em particular, para desviá-la
do mal e encaminhá-la ao bem, defendê-la contra seus inimigos
visíveis e invisíveis, e conduzi-la ao caminho da salvação.
Velam por sua vida espiritual e corporal e, a cada instante, enviam as
luzes, forças e graças que necessitam."
Observamos então que de 1870 á 2004 estas idéias
persistem. Na doutrina Espírita como é vista esta questão?
No cap VIII do Céu
e Inferno Allan Kardec apresenta uma analise clara, lógica e detalhada
das idéias propostas acima. No item 12, por exemplo, ele escreve
"Que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas
aos anjos, não restam dúvidas. A revelação
espírita neste ponto confirma a crença de todos os povos,
fazendo-nos conhecer ao mesmo tempo a origem e natureza de tais seres."
Entenda-se que a presença de seres extraordinários criados
a parte por Deus, distintos dos homens em geral, dotados de todas as virtudes,
voltados para a felicidade eterna, sem que nada fizessem para merecer
esta dádiva falam de incoerência Divina que se afirma ainda
mais nos "anjos decaídos" que possuem as mesmas
fraquezas humanas (soberba, orgulho e inveja). Allan Kardec neste
capitulo discorre sobre esta e outras discrêpancias atribuídas
aos homens e aos anjos,apoiando sua assertiva na resposta dada pelos espíritos
no livro dos Espíritos na questão 128 " Os seres que
chamamos anjos, arcanjos, serafins, formam uma categoria especial, de
natureza diferente da dos outros Espíritos?
R:- Não;
são Espíritos puros: estão no mais alto grau da escala
e reúnem em si todas as perfeições."
No item 13 deste capitulo Allan Kardec define anjos como " as almas
dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura
comporta fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes porem
de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento
que consiste na não ociosidade, mas nas funções que
a Deus apraz confiar-lhe , e por cujo desempenho se sentem ditosas tendo
ainda nele um meio de progresso".
Quanto a classificação e a funçaõ dos anjos
eatabaelcida nos Concilios, Allan Kardec, neste capitulo, considera que
às varias ordens de angelitude e suas responsabilidades ali adotadas
"estão relacionadas com o governo do mundo físico e
da Humanidade. E considerando que ,segundo a Gênese o mundo físico
e a Humanidade não existiam senão a seis mil anos o que
faziam tais anjos anteriormente a essa era?"
Em resumo neste capitulo estuda-se a evolução através
do amor e do trabalho "Os Espíritos são criados simples
e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem
inferior para outra mais elevada, até a perfeição,
onde gozam de inalterável felicidade" ( ??)
Espíritos imortais que somos criados simples, isto é com
ausência de tendências para o bem ou para o mal e ignorantes,
ou seja desconhecedores das coisas e das leis naturais, nos caracterizamos
pelo predomínio dos instintos, pelos resíduos da animalidade
ainda atuantes em nossa essência, a revelar-se no modo de sentir
pensar e agir. Estes resíduos vão sendo eliminados nas
diferentes oportunidades durantes as vidas sucessivas a que estamos
sujeitos Da irracionalidade à angelitude há longa jornada.
A Doutrina Espírita ensina que poderemos caminhar mais depressa,
com mais segurança, com menos sofrimento, com menos problemasou
mais conflitos, dependendo isto do modo como cada um responde aos convites
da vida. O chamado para o serviço do bem é a oportunidade
que Deus oferece a todos para acelerar a caminhada rumo à perfeição.
Podemos caminhar felizes e confiantes assim que nos disponhamos a desenvolver
e a viver o conhecimento das Leis Divinas, através do estudo,
e sensibilizando o coração, praticando o Bem. Anjos
todos seremos um dia! Anjos no sentido de apresentarmo-nos com
a potencialidade perfectível dinamizada ao seu máximo, todos
seremos um dia. Ficando bem claro que tal ápice jamais significará
privilégios ou favores, mas sim, frutos de um trabalho pessoal
e intransferível, que renovando o homem, desenvolve-lhe através
da ação consciente a potencialidade divina.
Bibliografia:
Código de Direito Canônico, cânon 1364
Concílio IV de Latrão e Concílio Vaticano I; São
Tomás de Aquino; Summa Theologica I:108. ( apud Mons. Gaume,
Tratado del Espíritu Santo, Granada, Imp. Y Lib. Española
de D. José Lopez Guevara, 1877, p. 137)
Allan Kardec "Livro dos Espíritos".
Allan Kardec "Céu e Inferno" capitulo VIII.
Francisco Cândido Xavier - pelo espírito Emmanuel "A
CAMINHO DA LUZ"
Francisco Cândido Xavier - pelo espírito André Luiz
"NO MUNDO MAIOR"
Laurelucia
Orive Lunardi
Outubro / 2004
|
|