O Céu e o Inferno

por

Allan Kardec

 

Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos.

CapítuloVI: Criminosos arrependidos:- O ESPÍRITO DE CASTELNAUDARY (continuação)

9. Apesar da sua inferioridade, este Espírito é sensível aos efeitos da prece, o que também temos verificado com Espíritos igualmente perversos e da mais grosseira natureza; entretanto, Espíritos há que, esclarecidos, de mais desenvolvida inteligência, demonstram completa ausência de bons sentimentos, motejando de tudo que há de mais sagrado; a nada se comovendo e até não dando tréguas ao seu cinismo...


- R. A prece só aproveita ao Espírito que se arrepende; para aqueles que, arrebatados de orgulho, se revoltam contra Deus e persistem no erro, exagerando-o mesmo, tal como procedem os infelizes; para esses a prece nada adianta, nem adiantará senão quando tênue vislumbre de arrependimento começar a germinar-lhes na consciência. A ineficácia da prece também é para eles um castigo. Enfim, ela só alivia os não totalmente endurecidos.(1)


Palavras e frases que definem a prece já foram escritas em muitas línguas e muitas religiões ;- “ato de comunicação do homem com o sagrado”, “uma conversa com Deus”, “transporte do coração”, “explosão da fé”, “irradiação protetora” entre outras. Apesar do muito que se tem escrito, muito pouco ainda é conhecido do seu mecanismo de funcionamento.


Andrew Newberg, Professor do Departamento de Radiologia e Psiquiatria da Universidade da Pennsylvania ,em uma de suas pesquisas convidou budistas e freiras franciscanas a meditarem e orarem em uma sala fechada. Depois, no momento da mais alta devoção, ele injetou um marcador que levado até o cérebro e revelou sua atividade no momento da transcendência.Um padrão emergiu de suas experiências :uma pequena região, próxima à parte posterior do cérebro, que calcula constantemente a orientação espacial da pessoa, dando uma idéia de onde o corpo da pessoa termina e o resto do mundo começa. Durante prece intensa ou meditação, essa região tornou-se um oásis tranqüilo de inatividade, por razões ainda inteiramente desconhecidas. Esse fato explicaria a ausência de limites durante a comunhão espiritual sentida pelos religiosos ao longo das eras (2). Para outro cientista, Gregg Jacobs (3), professor assistente de psiquiatria na Escola de Medicina de Harvard, “prece é o meio que o cérebro moderno tem para se conectar com estados de consciência” , este autor publicou diversos estudos sobre como as ondas cerebrais se modificam durante a prece indo de encontro ao que já se encontra descrito na literatura espírita.


O Espiritismo faz compreender a ação da prece explicando o processo da transmissão do pensamento: quer o ser por quem se ora venha ao nosso chamado, quer o nosso pensamento chegue até ele.


Com relação á prece na questão 660 do O livros dos Espíritos,Allan Kardec recebe a seguinte orientação:
...”A prece é uma projeção do pensamento, a partir do qual irá se estabelecer uma corrente fluídica cuja intensidade dependerá do teor vibratório de quem ora ...” (4)


No livro Missionários da Luz, Andre Luiz complementa “... A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder.”(5)


Para uma adequada compreensão do processo da transmissão do pensamento, é necessário considerar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no mesmo fluido universal que ocupa o espaço, em semelhança com o ar que circunda a todos neste planeta ,a diferença é que as vibrações do fluido universal se estendem ao infinito,enquanto que a do ar são circunscritas ao planeta Terra. Então, logo que o pensamento é dirigido para um ser qualquer na Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um para o outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão da energia do pensamento e da vontade. É por esse meio que a prece é ouvida pelos Espíritos onde quer que estejam; que eles se comunicam entre si; que nos transmitem as suas inspirações; que as relações se estabelecem a distância, etc.


O escritor Francisco Carvalho, avalia as influências energéticas humanas, elaborando uma escala imaginária que vai de zero a cem graus, estabelecendo os seguintes valores: no grau zero teríamos o ódio, emoção de mais baixo teor vibratório; nos 10 graus os desejos de vingança; nos 20, a inveja, o ciúme; nos 30, o rancor, o azedume, os ressentimentos e assim por diante, até os neutros, nos 50 graus. Nos 70, já numa faixa positiva, teríamos a esperança; nos 80, a fé; nos 90, a oração e a alegria e, finalmente, nos 100, o amor, a mais forte vibração de teor positivo.(8)

Desta forma por intermédio de nossas ondas mentais, podemos auxiliar e sermos auxiliados pelas outras mentes que entram em contato conosco.(6) Por que pensamentos? Porque são a origem da quase totalidade de das ações humanas, pois o pensar antecede o agir. Desse modo, primeiro o individuo sente; imediata e simultaneamente, o pensamento dá forma ao que se está sentindo. Independente da ação material em si, no mundo fluídico energias são acionadas de tal forma que o pensamento apresenta-se revestido de cor, forma , intensidade de detalhes enfim constituindo assim a ação em si. Como não consegue ficar sem pensar cada individuo é um composto energético a buscar afinidades para estabelecimento de sintonias. Como o sentir antecede o pensar, poderia se dizer que a prece é a expressão de um sentimento que sempre alcança a Deus.


A esse respeito comenta Joanna de Angelis(7)
“...A mente que ora, sintoniza com as Fontes da Vida, enriquecendo-se de forças espirituais e lucidez... A oração sincera, feita de entrega íntima a Deus, desenvolve a percepção de realidades normalmente não detectadas. .... A oração induz à paz e produz estabilidade emocional, geradora de saúde integral...”

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Bibliografia:

1- Kardec ,Allan, “Céu e Inferno” CapítuloVI : Criminosos arrependidos:- O ESPÍRITO DE CASTELNAUDARY
2- Andrew Newberg ,” The Neuropsychology of Aesthetic, Spiritual and Mystical States, n Psychiatry Research: Neuroimaging. 10 (5) (2005)
3- Gregg Jacobs, The Ancestral Mind: Reclaim the Power,2004
4- Kardec ,Allan, O Livros dos Espíritos, questão 660
5- Xavier, F. C / Andre Luiz, Missionários da Luz, Cap.6 - FEB 1945.
6- Kardec ,Allan, O Livros dos Espíritos, questão 659
7- Franco, Divaldo Pereira/ Espírito Joanna de Ângelis. Momentos Enriquecedores.
8- Carvalho Francisco, Influências Energéticas Humanas
Laurelucia Orive Lunardi
Março / 2008
 

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