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Por ALLAN KARDEC
Nesta obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo comparações entre as idealizações do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas dessas idealizações na formulação dos dogmas cristãos. CAPÍTULO X (continuação itens 9 a 15) "Ampliamos estas citações para mostrar que os princípios do Espiritismo não têm relação alguma com os da magia. Assim, nem Espíritos às ordens dos homens; nem meios de os constranger; nem sinais ou fórmulas cabalísticas; nem descobertas de tesouros; nem processos para enriquecer, e tampouco milagres ou prodígios, adivinhações e aparições fantásticas: nada, enfim, do que constitui o fim e os elementos essenciais da magia. O Espiritismo não só reprova tais coisas como demonstra a impossibilidade e ineficácia delas. Não há, afirmamo-lo ainda uma vez, analogia alguma entre os processos e fins da magia e os do Espiritismo; só a ignorância e a má-fé poderão confundi-los. Dessa forma, tal erro não pode prevalecer, uma vez que os princípios espíritas não se furtam ao exame, e aí estão formulados inequívoca e claramente para todos.(1)" No entender de muitos, Espiritismo está relacionado com rituais, "guias" coloridas, magia ,mesa branca ,feitiçaria, roupa branca e etc. Quando não é proveniente de simples má fé, com intuito de amedrontar e subjugar, esta visão distorcida provém da falta de informação e de leitura dos textos espíritas sem o devido aprofundamento dos mesmos,uma vez que aqueles que se dispuser assim fazer verá que são absolutamente claros, não deixando margem a qualquer dúvida.Por isso é fácil entender porque em pleno século XXI ao ler os classificados dos jornais encontraremos anúncios de leitura de sorte ou previsão do futuro,da realização de "trabalhos espirituais" para a solução de problemas quer sentimentais quer financeiros,venda de imagens e de talismãs de proteção e sorte.Basta olhar o mundo ao nosso redor e analisando o processo da evolução, aprenderemos que, através de toda a peregrinação do espírito desde o barro até Deus, há progressão contínua; com muitos estágios em pontos que o Espírito às vezes se detém, para depois dar um passo à frente. No inicio de todo ano, a mídia não poupa espaço na divulgação das previsões para o ano que se inicia de astrólogos, tarólogos, lançadores de búzios, videntes de bola de cristal, "sensitivos" etc .A tecnologia utilizada nessas "leituras" variam desde adivinhação por meio das irradiações estelares (Actinomancia) ou pelo exame de carvão incandescente (Antracomancia),pela leitura das linhas das mão (Quiromancia)ou através de manchas formadas , por óleo ,vinho ou chá na água de um recipiente (Hidromancia) .A Cartomancia utiliza os baralhos, especialmente usando o Tarô e dentro de suas variantes, o de Marselha. Uma forma de adivinhação particularmente erudita, ainda que por isso, não menos infalível, trata-se de adivinhar o futuro por meio do uso de palavras, frases ou versículos extraídos ao acaso de um livro. Houve épocas em que eram extraordinariamente populares as consultas realizadas à Bíblia (Sortes Sanctorum) e à Eneida (Sortes Virgilianae), pelo método de ajustar as condutas ao sentido do primeiro verso que aparecesse em uma página aberta ao acaso destes textos. Na antiguidade o oráculo fazia um tipo de adivinhação no qual uma divindade dava, através de um sacerdote (a pítia, em Delfos; a sibila, em Cumes), respostas a questões formuladas oralmente(3). Nas sociedades antigas, em Roma, no Egito, na Grécia, os oráculos influenciaram as decisões. È o que algumas vezes as pessoas vêm buscar no centro espírita; o oráculo que lhe dê as respostas às dores do cotidiano. A tradição judaico-cristã tem na profecia um dos seus pilares da fé. O profeta tem como função transmitir ao povo as mensagens divinas, com freqüência, ele anuncia o futuro, sendo então chamado pela Bíblia de "vidente". Por causa dessa faculdade, a consciência popular geralmente identifica profecia com predição do futuro.Assim espera-se que as previsões dos "médiuns" ou "sensitivos", as "consultas" o horóscopo do jornal etc desempenhem esse papel. Entretanto o acompanhamento sério e sistemático de tais previsões mostra, que o acerto destas é duvidosa. A "técnica" utilizada pelos "adivinhos" é sempre utilizar terminologias ambíguas, sendo obscura e vaga .Deste modo sempre há uma probabilidade de que algo virá a acontecer que se "encaixe" numa dessas previsões. Quanto
a leitura de sorte ou previsão do futuro ,Allan Kardec,recebeu
dos Espíritos superiores a resposta que se segue quando perguntou
a esse respeito :-" O futuro é vedado ao homem por princípio
e só em casos raríssimos e excepcionais é que Deus
faculta a sua revelação. Se o homem conhecesse o futuro,
por certo que negligenciaria o presente e não agiria com a mesma
liberdade(2). "Mesmo sabendo Deus se o homem passará
ou não pela prova,essa será sempre necessária para
dar ao homem a responsabilidade pelas sua ação, uma vez
que tem a liberdade de fazer ou não determinada coisa.Dotado
da faculdade de escolher entre o bem e o mal, a prova tem por efeito
submetê-lo à tentação do mal, O homem para viver o presente, precisa se sentir amparado pelo passado,assim nas leituras de sorte o consulente aceita mais facilmente as previsões para o futuro quando esta vem embasada em alguma informação referente ao seu passado. Mais recentemente o passado tornou-se mais importante que as previsões do futuro , assim vidas passadas em outras existências se tornaram alvo de especulações e objeto de desejo, como se o saber "quem fui " como em um passe de mágica me torna um ser melhor. Quando
Allan Kardec(4) perguntou aos Espíritos "Por que o Espírito
encarnado perde a lembrança do seu passado"? Recebeu a resposta
que se segue " O homem não pode nem deve tudo saber; Deus
o quer assim em sua sabedoria. Sem o véu que lhe cobre certas
coisas, ficaria deslumbrado, como aquele que passa, sem transição,
da obscuridade à luz. Pelo esquecimento do passado, ele é
mais ele-mesmo." E quanto " como aproveitar a experiência
adquirida nas existência caídas no esquecimento?"
Allan Kardec,recebeu dos Espíritos superiores a resposta que
se segue:- "A cada nova existência, o homem tem mais inteligência
e pode melhor distinguir entre o bem e o mal. Onde estaria o mérito
se ele se lembrasse de todo o passado? Quando o Espírito volta
à sua vida primitiva (a vida espírita) toda a sua vida
passada se desenrola diante dele; ele vê as faltas que cometeu
e que são causa do seu sofrimento, e o que o poderia impedir
de as cometer. Compreende que a posição que lhe é
dada é justa e procura, então, a existência que
poderá reparar aquela que vem de se escoar. Procura provas análogas
àquelas pelas quais passou, ou lutas que crê adequadas
ao seu adiantamento, pedindo aos Espíritos que lhe são
superiores para ajudá-lo nessa nova tarefa que empreende, porque
sabe que o Espírito que lhe será dado por guia nessa nova
existência procurará fazê-lo reparar suas faltas,
dando-lhe uma espécie de intuição das que cometeu.
Essa mesma intuição é o pensamento, o desejo criminoso
que vos vem, freqüentemente, e ao qual resistis instintivamente,
atribuindo, no mais das vezes, vossa resistência aos princípios
que recebestes de vossos pais, enquanto que é a voz da consciência
que vos fala, e essa voz é a lembrança do passado; voz
que vos adverte para não recairdes nas faltas que já cometestes.
O Espírito, entrado nessa nova existência, se suporta essas
provas com coragem, e se resiste, eleva-se e ascende na hierarquia dos
Espíritos, quando volta entre eles."(4) Seja na Antiguidade, na Idade Média ou no momento atual, tem sempre alguém que procura tirar vantagem da situação. Hoje, há todo um aparato esotérico(5), publicação de vídeos, CDs, livros que exploram o sentimento de incerteza e insegurança que acomete as pessoas, ávidas de novidades, de fórmulas prontas e esquemas milagrosos de cura para seus males e suas dores,esquecidas que as dificuldades, a dor ,tem existência permanente, embora variável segundo as experiências vividas pelo espírito. Ela acompanha o desenvolvimento, é sua indicação, sinal de dinamização, inevitável manifestação de crescimento, mesmo que o Espírito se envolva em suas malhas, por séculos, às vezes. Jesus, quando falava de dor, sede e fome, referia-se à dor-evolução, à dor ínsita no crescimento do Espírito impulsionado pela fome de aprender e pela sede de saber(5). Repetições de atitudes tomadas no passado ,falam da resistência do ser em promover sua mudança interior.Nenhuma época foi tão rica em informações e conhecimento como a atual, não se permitir usar a razão na seleção dessas informações é deter-se na caminhada. A Evolução Espiritual não é totalmente semelhante à Evolução Biológica que se efetua sem a conscientização das espécies ,muito ao contrário do que imaginam aqueles que não conhecem a Doutrina Espírita, Evolução é uma opção. O livro Céu e Inferno(1) traz-nos inúmeras respostas para estas questões, diante das quais concluímos que aquilo que vem pronto raramente abrirá caminho para o que quer que seja pois a Evolução é Lei para ser cumprida, atingida através de nosso esforço consciente e inteligentemente dirigido, não é uma "fórmula" fácil, mágica, e tampouco se faz através de milagres ou prodígios ou adivinhações. Bibliografia:
Março / 2005 |