Céu e Inferno
Por
ALLAN KARDEC
Nesta obra Kardec
reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia
como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando
o problema das penas e recompensas futuras à luz da História,
estabelecendo comparações entre as idealizações
do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos.
CAPÍTULO VII
As penas futuras
segundo o Espiritismo
A carne é
fraca - Princípios da Doutrina Espírita sobre as penas
futuras - Código penal da vida futura
A carne é fraca.
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação;
o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é
fraca".Marcos 14:38.
Jesus nos seus últimos dias na Terra na frase acima referiu-se
a fraqueza dos homens frente às suas necessidades físicas.
No seu caminhar evolutivo o Homem encontrou enormes dificuldades para
manter a sua subsistência, mudanças climáticas violentas,
ferramentas e armas rudimentares, dificuldade de armazenamento promoveram
falta de alimento e caça.Assim acionando o instinto de conservação
e utilizando a racionalidade o Homem foi artífice de sua evolução,
pois o desenvolvimento das lutas, aptidões, seleções
diversas em face aos fatores do meio, foi levando-o a galgar estágios
mais avançados.Assim o Espírito caminha rumo a perfectibilidade.Entretanto
ecos desse período ressoam ainda em algumas ocasiões,
quando não trabalhado racionalmente, detido no instinto mais
primitivo de conservação, torna-se escravo, doentiamente
preso as necessidades materiais.Usando o alimento como exemplo dizemos
que o individuo vive para comer e não come para viver.Quantas
outras situações viciosas como a comida e a bebida são
mantidas por conta dessa "fraqueza da carne" esquecidos de
que a carne só é fraca porque o Espírito é
fraco, o que inverte a questão deixando àquele a responsabilidade
de todos os seus atos. A carne, destituída de pensamento e vontade,
não pode prevalecer jamais sobre o Espírito, que é
o ser pensante e de vontade própria.Neste capitulo Kardec estabelece
irrefutavelmente que "O Espírito é quem dá
à carne as qualidades correspondentes ao seu instinto, tal como
o artista que emprese à obra material o cunho do seu gênio.
Libertado dos instintos da bestialidade, elabora um corpo que não
é mais um tirano de sua aspiração, para espiritualidade
do seu ser, e é quando o homem passa a comer para viver e não
mais vive para comer". Certo é que a iguaria não
pode excitar o órgão do paladar, uma vez que com ele não
tem contacto; é, pois, o Espírito, cuja sensibilidade
é despertada, que atua sobre aquele órgão pelo
pensamento, enquanto que outra pessoa permanecerá indiferente
à vista do mesmo acepipe. Há tendências viciosas
que são evidentemente próprias do Espírito, porque
se apegam mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes
dependentes do organismo, e, por esse motivo, menos responsáveis
são julgados os que as possuem: consideram-se como tais as disposições
à cólera, à preguiça, à sensualidade,
etc. Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro,
deve reagir, igualmente, sobre as outras partes do organismo. Uma pessoa
sensível não é a que facilmente verte lágrimas.
Não é a abundância de lagrimas que dá sensibilidade
ao Espírito, mas precisamente a sensibilidade deste que provoca
a secreção abundante das lágrimas. O Espírito
é, assim, artífice do seu próprio corpo, que conforma,
por assim dizer, a fim de apropriá-lo à suas necessidades
e à manifestação das suas tendências. A responsabilidade
moral dos atos da vida fica, portando, intacta; mas a razão nos
diz que as conseqüências dessa responsabilidade devem ser
proporcionais ao desenvolvimento intelectual do Espírito. Assim,
quanto mais esclarecido for este, menos desculpável se torna,
uma vez que com a inteligência e o senso moral nascem as noções
do bem e do mal, do justo e do injusto. Desta forma a perfeição
corporal das raças adiantadas deixa de ser produto de criações
distintas para ser o resultado do trabalho espiritual, que aperfeiçoa
o invólucro material à medida que as faculdades aumentam.
Escusar-se, de suas faltas, em razão da fraqueza da carne, não
é, pois, senão um subterfúgio para escapar da responsabilidade
A responsabilidade moral dos atos da vida, pois, permanece inteira;
mas, a razão diz que as conseqüências dessa responsabilidade
devem estar em relação com o desenvolvimento intelectual
do Espírito; quanto mais este seja esclarecido, menos é
escusável, porque, com a inteligência e o senso moral,
nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto.
Bibliografia
consultada
Allan Kardec "Livro dos Espíritos".
Allan Kardec "Céu e Inferno" capitulo IV.
Laurelucia
Orive Lunardi
Julho / 2004