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Nesta
obra Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo
e avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz
da História, estabelecendo comparações entre as
idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
CapituloVI : Criminosos arrependidos:- O ESPÍRITO
DE CASTELNAUDARY
(continuação)
“Disseram-nos que o tempo não existe para os
Espíritos e que um século, para eles, não passa
de um instante na eternidade”. Dar-se-á efetivamente esse
fato para com todos os Espíritos? -- R. Não, decerto,
porquanto isso só se dá com os Espíritos que têm
atingido elevadíssimo grau de adiantamento; para os inferiores,
porém, o tempo é freqüentemente moroso, sobretudo
quando sofrem.
Estando em tal situação há dois séculos,
apreciará ele todo esse tempo como se fora encarnado, isto é,
o tempo parecer-lhe-á tanto ou menos longo do que quando na Terra?
- R. Mais longo: o sono não existe para ele1”.
O tempo é um dos temas que sempre atraiu a atenção
do homem , para dar dimensões mais amplas ao desenvolvimento
pessoal .Refletir sobre ele tem sido preocupação de físicos,
historiadores, psicanalistas, sociólogos, antropólogos,
e filósofos.
Aristóteles, filosofo grego (384–322 a.C) considerado o
criador do pensamento lógico deixou esta definição:
"O tempo é o número (soma) do movimento, segundo
o anterior e o posterior"2 . Daí a distinção
entre os tempos cósmicos, históricos e existenciais, de
tanta importância e conseqüências.
Para o filósofo existencialista soviético Berdiaeff (1874
– 1948): "O tempo cósmico é calculado matematicamente
sobre o movimento de rotação em torno do sol. Com ele
se estabelecem os calendários e os relógios. Ele é
simbolizado por um turbilhão3”. O tempo histórico
está como que encaixado no tempo cósmico e se pode contá-lo
matematicamente por dezenas de anos, por séculos, por milênios.
Nenhum fato , porém, pode nele se repetir. Está simbolizado
por uma linha dirigida para o futuro, para a novidade.
Os historiadores preocupam-se em analisar os movimentos históricos,
sem se preocupar com o tempo marcado mas sim com o modo como os movimentos
se entrecruzam, se integram e se rompem no tempo histórico. Já
a Sociologia analisa o tempo de cada realidade social subdividindo os
diferentes tempos. O tempo da escola, por exemplo, será subdividido
em partes, analisando-se as rotinas e vivências de cada uma delas.
Os antropólogos estudam como se dá o movimento de continuidade
e mudança nas diferentes sociedades e grupos sociais. Nesse contexto
Nicolau Berdiaeff comenta que ...”O tempo existencial não
se calcula matematicamente. Seu curso depende da intensidade com a qual
se vive nele, depende de nossos sofrimentos e de nossas alegrias".
...”Não se mede nem se avalia uma existência
pelo número de anos, nem pelo período histórico,
mas, sim, pela vivência plena e intensa, repleta de ações
que perenemente repercutirão.”3
Outro filósofo, Immanuel Kant (1724-1804) filosofo alemão,
considerado como o último grande filósofo dos princípios
da era moderna, considerava que “o tempo é a forma das
vivências ou percepções internas”4.
Einstein, o maior físico desta Era ,considerou o Tempo como medida
relativa do movimento, sem ter caráter absoluto. Segundo sua
teoria, cada acontecimento tem um único tempo5.O que é
dito com outras palavras pelo espírito Galileu em “A Gênese,
Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”
de Allan Kardec “...tempo é apenas uma medida relativa
da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não
é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração;
para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é
presente.”6.
Neste contexto a vida se constitui em uma linha ininterrupta onde a
vida espiritual é apenas a continuidade do viver, agora sem a
roupagem de carne. E neste tempo existencial infinito todas as vivencias,
escolhas e atos formam o sentir e o pensar. Desta forma nada tem de
assombroso verificar que o Espírito de Castelnaudary vivia “
... em tal situação há dois séculos1”,
e que “...o tempo lhe parecia mais longo”.
Sobre o Tempo na vida espiritual conta-nos, Luiz Sérgio (espírito)
em seu livro O Mundo que Encontrei:-
...”O tempo não existe, ou é contado de maneira
muito diferente, porque não há, praticamente, o problema
de espaço. Nosso pensamento, dependendo da nossa capacidade de
emiti-lo, nos leva rapidamente aonde desejamos ir. Os entraves são
ocasionados geralmente pela nossa incapacidade e, às vezes, pelo
meio em que nos encontrarmos7.”
Léon Denis em O Problema do Ser, do Destino e da Dor8, destaca:
"...O pensamento, dizíamos, é criador, não
atua somente ao nosso redor, influenciando nossos semelhantes para o
bem ou para o mal, atua principalmente em nós; gera nossas palavras,
nossas ações e, com ele construímos, dia-a-dia,
o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente
e futura”.
As criações mentais , em especial ,quando do uso inadequado
do livre-arbítrio desencadeando reações profundamente
desarmônicas do tipo arrependimento e remorso, contingências
responsáveis por sofrimentos prolongados, leva o pensamento ficar
detido no mal cometido.Em suas obras André Luis9
apresenta ricos exemplos de Espíritos que cultivaram em suas
existências terrena o vício e o crime ,desenvolvendo em
seus perispíritos volumes maiores ou menores de substâncias
densas, cujos pesos, pela atração magnética, os
paralisam,passando a reviver pelo pensamento todas situações
dolorosas que cultivaram pois o poder realizador da energia mental dependerá
sempre da força da vontade e do interesse que lhe sejam imprimidos.
Deste modo, a permanência ou não no sofrimento, por séculos
como é o caso deste Espírito está na razão
direta do arrependimento.Embora seja o primeiro passo na elevação
do caráter, o arrependimento por si só não basta,
é preciso reparar os males praticados.
Na Questão 999 - O Livro dos Espíritos Kardec pergunta
aos Espíritos:
"O arrependimento sincero durante a vida é suficiente
para extinguir as faltas e fazer que se mereça a graça
de Deus?
E recebe como resposta – “O arrependimento auxilia a melhora
do Espírito, mas o passado deve ser expiado"10.
O vocábulo expiação tem sua origem latim, expiatione,
que tem como significação o ato ou efeito de expiar, isto
é, castigo, penitência, cumprimento de pena.Entretanto
sabemos que Deus não castiga ninguém e o sofrimento pelo
qual estamos sendo infligidos é fruto dos nossos próprios
erros. O sofrimento é uma condição que tem finalidade
reparadora,impulsionando o arrependimento, o desejo de reparar o erro
libertando o homem. A expiação ZERA a dívida. Mas
só a REPARAÇÃO começa a contar pontos positivos
a favor do arrependido. Quanto à reparação, é
preciosa a referência constante no Cap. Vll "O Céu
e o Inferno", de Allan Kardec, "a reparação
se realiza fazendo-se o que se deixou de fazer, cumprindo-se deveres
negligenciados ou desprezados, missões em que se haja falido;
sendo humilde quando se foi orgulhoso, bondoso quando se foi duro, caridoso
quando se foi egoísta, benevolente quando se foi maldoso, trabalhador
quando se foi preguiçoso, útil quando se foi inútil,
temperante quando se foi dissoluto, exemplar quando se deu maus exemplos."
| Bibliografia: |
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1.
Kardec ,Allan, O Céu e o Inferno, CapituloVI : Criminosos
arrependidos:- O ESPÍRITO DE CASTELNAUDARY |
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2.
Enciclopédia das ciências filosóficas em compêndio
,tradução de Paulo Meneses, |
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3.
Berdiaeff Nicolau, Uma Nova Idade Média. |
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4.
KANT, I. Crítica da razão pura. |
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5.
Einstein .A ciência da lógica. 1995. |
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6.
Kardec, Allan A Gênese, Capítulo VI |
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7.
Luiz Sérgio (espírito) O Mundo que Encontrei. |
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8. Léon
Denis ,O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Cap. XXIII. |
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9. Francisco
Candido Xavier/André Luis Ação e Reação |
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10.
Kardec,Allan, O Livros dos Espíritos, Questão 99 |
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Laurelucia Orive Lunardi
Janeiro / 2008 |
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