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Nesta obra Allan Kardec reafirma
o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência
de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema
das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo
comparações entre as idealizações do céu
e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos
CapituloV : Suicidas
François-Simon Louvet.
O guia do médium. - "Esse que acaba de se dirigir a vós
foi um pobre infeliz que teve na Terra a prova da miséria; vencido
pelo desgosto, faltou-lhe a coragem, e, em vez" de olhar para o
céu como devia, entregou-se à embriaguez;desceu aos extremos
últimos do desespero, pondo termo à sua triste provação:
atirou-se da Torre Francisco I, no dia 22 de julho de 1857. Tende piedade
de sua pobre alma, que não é adiantada, mas que lobriga
da vida futura o bastante para sofrer e desejar uma reparação.
Rogai a Deus lhe conceda essa graça, e com isso tereis feito
obra meritória(1)
As causas mais comuns de tentativas e do suicídio em si, segundo
os psiquiatras, são o desgosto pela vida, devido as dificuldades
em lidar ou com as depressões,geradas por inúmeras causas
não trabalhadas, insucessos amorosos, financeiros ou profissionais.
Sabe-se hoje que o suicídio é a ponta do iceberg de uma
série de comportamentos e fantasias. Ao contrário das
definições comuns, raramente o indivíduo possui
a lucidez que se supõe, para saber que o seu ato o levará
à morte. As pesquisas clínicas recentes mostram que o
suicida não quer morrer: o que ele deseja é fugir de um
sofrimento, para ele insuportável, a morte vem como uma saída,
casual (2).
As observações das pesquisas cientificas recentes,citadas
acima, confirmam às respostas recebidas por Allan Kardec (3)
quando perguntou aos Espíritos sobre a causa deste ato sinistro.
Eles esclarecem que aqueles que chegam ao suicídio são
levados pela ociosidade, ignorância e pela falta de fé.
O suicida, que tem por fim escapar às misérias e às
decepções deste mundo é um pobre espírito
que não teve a coragem de suportá-las. E mais, a vida
nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual
, de todos os filhos de Deus.Os Espíritos advertem ainda que,
quando o suicídio é cometido responde-se por um ato criminoso.
Acrescenta ainda que "aquele que tira a própria vida
para fugir à vergonha de uma ação má, prova
que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai
entrar na vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se
privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus diferentemente
homens , perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o esforço
de reparação; mas o suicídio nada repara".
O corpo físico é a morada do Ser em evolução
não é o Ser. Suicidar-se é ilusão. Os desafios
existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando
à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência.
A oportunidade de viver e aprender são muito ricos para ser desprezada.
E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais:
o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento
moral do arrependimento e da perda de oportunidades.
.......Seis anos fazia que
esse homem morrera e ele se via ainda cair da torre, despedaçando-se
nas pedras... Aterra-o o vácuo,horroriza-o a perspectiva da queda...
e isso há 6 anos! Quanto tempo durará tal estado? Ele
não o sabe, e essa incerteza lhe aumenta as angústias.
Isso não equivale ao inferno com suas chamas? Quem revelou e
inventou tais castigos? Pois são os próprios padecentes
que os vêm descrever, como outros o fazem das suas alegrias. E
fazem-no, muita vez, espontaneamente, sem que neles se pense - o que
exclui toda hipótese de sermos nós o joguete da própria
imaginação.(1)
Reviver o momento da separação
do corpo físico é comum a todos os desencarnados, entretanto
demorar-se neste instante, depende do gênero de vida que foi levado
na Terra, do seu caráter pessoal, das ações praticadas
antes de morrer. Os depoimentos observados nas casas espíritas
que prestam socorro aos espíritas de suicidas desencarnados,bem
como as obras psicografadas da literatura espírita (4,6) mostram
que as conseqüências do suicídio não são
sempre as mesmas. Há, porém, as que são comuns a
todos os casos de morte violenta, as que decorrem da interrupção
brusca da vida. É primeiro a persistência mais prolongada
e mais tenaz do laço que liga o Espírito e o corpo porque
esse laço está quase sempre em todo o seu vigor no momento
em que foi rompido, enquanto na morte natural se enfraquece gradualmente
e em geral até mesmo se desata antes da extinção
completa da vida. As conseqüências desse estado de coisas são
os prolongamentos da perturbação espírita, seguido
da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito
acreditar que ainda se encontra no número dos vivos.
..."Cada um de nós, vibrando violentamente e retendo com
as forças mentais o momento atroz em que nos suicidamos, criávamos
os cenários e respectivas cenas que vivêramos em nossos derradeiros
momentos de homens terrestres"....(4)
Além do estacionamento por tempo variável no momento da
morte a afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz,
em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado
do corpo sobre o Espírito, que assim ressente, mau grado seu, os
efeitos da decomposição, experimentando uma sensação
cheia de angústias e de horror. Esse estado pode persistir tão
longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.
..."O argumento espírita contra o suicídio não
é apenas moral, como se vê, mas também biológico,
firmando-se no princípio da ligação entre o Espírito
e o corpo. A morte, como fenômeno natural, tem as suas leis que
o Espiritismo revelou através de rigorosa investigação.
O sofrimento do suicida decorre do rompimento arbitrário dessas
leis; é como arrancar à força um fruto verde da árvore.
As estatísticas mostram que a incidência do suicídio
é maior nos países e nas épocas em que a ambição
e o materialismo se acentuam, provocando mais abusos e excitando preconceitos.(5)..."
Os livros espíritas relatam casos de suicídios,nos quais
são inenarráveis os padecimentos daqueles que julgavam livrarem-se
dos sofrimentos que viviam . Descrevem casos que realmente causam piedade,
cujos sofrimentos ultrapassam tudo que possamos imaginar.
Despertei sob denso nevoeiro
de lama e cinza e debalde clamei socorro, à face dos padecimentos
que me asfixiavam. Coberta de chagas, qual se tóxico letal me
atingisse os mais finos tecidos da alma, gritei sem destino certo!"(6)
Suicídios violentos como, por exemplo, este de François-Simon
Louvet, arrojando-se em queda de grande altura, ou como o dos suicidas
que são manchetes hoje nos jornais , que se atiram dos mais altos
andares de prédios,que ateiam fogo em seu próprio corpo
ou que o explodem com bombas, etc., apresentarão traumatismo perispiritual
e mental intenso e doloroso.
As conseqüências deste ato impensado reflete-se nas reencarnações
futuras para a correção do traumatismo perispiritual cometido
: aqueles que esfacelam o crânio, reencarnam com a idiotia, surdez-mudez,
conforme a parte do cérebro afetada, os que tentaram o enforcamento,
reaparecem, com os processos da paraplegia infantil; os afogados com enfisema
pulmonar, tiros no coração, cardiopatias congênitas
irreversíveis, os que se utilizam de tóxicos e venenos,
sofrem sob o tormento das deformações congênitas,
úlceras gástricas etc.(7)
Em resumo a conseqüência do suicídio será sempre
uma pena proporcional à gravidade da falta e de acordo com as circunstâncias
em que ela foi cometida,havendo em todos os casos atenuantes e agravantes.
Em tese o Espírito de um suicida voltará a novo corpo terreno
em condições muito penosas de sofrimento, agravados pelas
resultantes do grande desequilíbrio que o desesperado gesto provocou
em seu corpo astral, isto é, no perispirito. E para o seu próprio
benefício, terá que repetir o programa terreno que deixou
de executar. Joanna de Ângelis no livro "Após a Tempestade"(7)
descreve essas conseqüências e alerta:
"Espera pelo amanhã, quando o teu dia se te apresente
sombrio e apavorante. Se te parecem insuportáveis as dores, lembra-te
de Jesus, ora, aguarda e confia".
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Bibliografia:
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1. Kardec ,Allan,
" Céu e Inferno" CapituloV : Suicidas |
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2. Roosevelt M.
S. Cassorla " Debate on the paper by Everardo Duarte Nunes
, Cad. Saúde Pública vol.14 n.1 Rio de Janeiro Jan./Mar.
1998 |
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3. Kardec ,Allan,"O
Livro dos Espíritos", questões 943 a 957 |
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4. Ivonne Pereira
," Memórias de um Suicida". |
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5. J. Herculano
Pires-"Educação para a Morte". |
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6. André
Luiz, psic. de Francisco Candido Xavier "Libertação"
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7. Joanna de Ângelis
psic. de Divaldo Pereira Franco no "Após a Tempestade" |
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Laurelucia
Orive Lunardi
Janeiro / 2007
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