Nesta obra
Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo
e avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz da
História, estabelecendo comparações entre as idealizações
do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos.
CAPÍTULO
X (continuação... item 9 -15).
"Por
meio das operações da moderna magia vemos reproduzirem-se
no presente as evocações, as consultas, as curas e os
sortilégios que ilustraram os templos dos ídolos e os
antros das sibilas"(1).
Relacionar
as atividades espíritas com "operações
da moderna magia", conforme o texto em destaque, é no
mínimo um equivoco. O termo magia segundo Levi, Eliphas, 1995(9)"é
a ciência tradicional dos segredos da natureza, utilizada pelos
magos como um meio de apoderar-se dos maiores segredos da natureza é
fazê-los servir à sua vontade esclarecida e inflexível..."
segundo o autor "as operações mágicas são
o exercício de um poder natural mas superior às forças
ordinárias da natureza." Em sua essência, a Magia
é uma tentativa de controlar ou de coagir as forças naturais
para desviar-se e atender os desejos do Homem. Por meio de certos atos
ou palavras pretende-se levar a interferência de Espíritos,
gênios e demônios, efeitos e fenômenos no qual se
apela par alcançar o domínio do homem e da natureza geralmente
visando maus propósitos(10). Nas sociedades primitivas,
pelo desconhecimento das leis reguladoras do mundo físico, os
povos acreditavam que a repetição de certas palavras,
ou a realização de algum ritual, poderiam produzir os
efeitos desejados, como cessar o mau tempo, atrair chuvas, estancar
erupções vulcânicas, propiciar melhores colheitas
aproximar ou afastar pessoas dos convívios, curar doenças,
causar a morte, atrair benesses ou flagelos.
Dentro
do seu primitivismo por não entender ou mesmo saber explicar
os fenômenos da natureza, atribuiu a eles uma sobrenaturalidade.
As forças naturais poderosas, tais como as tempestades, as enchentes,
os terremotos, os deslizamentos de terra, os vulcões, o fogo,
o calor e o frio, e a sua observação, impressionaram a
mente em expansão do homem, resquícios destas impressões
são observadas ainda hoje quando estas calamidades ocorrem e
são denominados de "atos de Deus", castigos dos Céus
etc.
O homem primitivo temia todas as manifestações de poder;
e adorou a todos os fenômenos naturais que não podia compreender.
Assim o primeiro objeto a ser adorado pelo homem em evolução
foi uma pedra. .Estas impressionavam o homem primitivo, da maneira pela
qual tão subitamente apareciam na superfície de um campo
cultivado ou de um pasto e da maneira como se desprendiam, deslizavam
e soterravam casas e aldeias.Eles não levavam em conta a erosão,
nem os resultados da acomodação das camadas internas da
terra. Dessas raízes resulta até hoje o uso de pedras
da sorte, as pedras do zodíaco etc, utilizadas como talismã.
Todos os clãs e tribos antigas tinham as suas pedras sagradas,
que eram mantidas como herança cultural passando de geração
em geração, que depois engastadas em uma estrutura metálica
também venerada, como ouro e a prata, se transformaram em jóias,
as coroas os anéis sinetes etc, como símbolos de poder,
domínio e sujeição.As jóias, ainda hoje
na maior parte dos povos são cultuados como fonte de poder(4).
Mais tarde os homens reverenciaram os animais pelo seu poder e a sua
astúcia. Julgavam que o apurado sentido do olfato e da visão
de certas criaturas fosse um sinal de orientação espiritual(4).
Assim como as pedras, figuras de animais até hoje são
utilizadas como talismãs, pequenos objetos (figuras, medalhas),
que tem poderes mágicos e que pode afastar o azar ou trazer sorte,
possibilitando a realização de aspirações
ou desejos(6). Esses amuletos são uma constante no
comportamento humano e, desde a antiguidade, são encontrados
nas mais variadas culturas. Geralmente feitos de pedra ou pedaço
de metal com uma inscrição gravada, os amuletos são
usados, principalmente, em volta do pescoço para proteção
contra doenças e bruxarias e para afastar desgraças e
malefícios, além de trazer sorte.
Em 2005, vamos encontrar junto aos povos ribeirinhos da Amazônia
uma tradição, o olho do boto ou do peixe-boi servindo
como amuletos utilizados para enamorar as pessoas. Ouvir o canto do
uirapuru garante a felicidade e conservar a pele do jurutau, ave de
hábitos noturnos, protege as moças virgens(5).
Não há explicação científica para
os poderes atribuídos a plantas como a arruda, o guiné
ou o comigo-ninguém-pode.Nas casas comerciais, mesmo quem mora
em apartamentos é comum encontrar essas plantas num vaso, com
o objetivo de espantar o azar(9). Na antiguidade, as plantas,
primeiro foram temidas e depois adoradas, por causa dos líquidos
intoxicantes que se derivavam delas. O homem primitivo acreditava que
a intoxicação fazia com que alguém se tornasse
divino. Supunham haver algo de inusitado e sagrado em tal experiência.
A arruda, o guiné ou o comigo-ninguém-pode a ciência
provou serem plantas tóxicas ao homem. Outras substâncias
tóxicas como o ácido lisérgico, o LSD e alguns
tipos de cogumelos alucinógenos, são utilizados para uma
pseudoligação com o divino nos dias de hoje, em algumas
seitas religiosas.
Com poderes mágicos também se supunha haver preferência
dos fantasmas por permanecerem ligados em objetos que lhes haviam pertencido
quando estavam vivos. Essa crença explica o apego às relíquias,
como jóias, pedaços de roupa cabelos, e ossos daqueles
chamados de santos.Os antigos reverenciavam os ossos de seus líderes
e os restos do esqueleto de santos e de heróis, e que são
guardados ainda hoje com respeito supersticioso em peregrinações
constantes aos seus túmulos(5).
As relíquias, nas religiões modernas, representam uma
tentativa de racionalizar o antigo culto aos amuletos e talismãs
do selvagem e assim elevá-lo a um lugar de dignidade e respeitabilidade
nos sistemas religiosos modernos. É um ato de paganismo acreditar
em talismãs e na magia, mas, supostamente, nada de errado há
em aceitar relíquias e milagres.
Allan
Kardec, recebeu dos espíritos superiores a resposta que se segue
quando perguntou a esse respeito:Nenhum objeto, medalha ou
talismã tem a propriedade de atrair ou repelir Espíritos,
pois a matéria ação alguma exerce sobre eles. Nunca
um bom Espírito aconselha tais absurdos. A virtude dos talismãs
só pode existir na imaginação de pessoas simplórias(2).
Fórmulas,
talismãs, signos, não tem atração sobre
os Espíritos que só são atraídos pelos pensamentos,
e não por coisas materiais. A crença na virtude de um
talismã, pode atrair um Espírito, visto que o que atua
é o pensamento, não passando o talismã de um sinal
que apenas lhe auxilia a concentração. Mas, da pureza
da intenção e da elevação dos sentimentos
depende a natureza do Espírito que é atraído. Se
o ser é tão simplório para acreditar na virtude
de um talismã a finalidade de seu uso será mais material
do que moral asssim sendo, o Espírito que lhe irá acorrer,
será tão imperfeito quanto a solicitação
feita.
Normalmente, a maioria das pessoas sente pena dos chamados povos primitivos
que eram escravizados pelas suas superstições e temores,
sentem repulsa pelos sacrifícios sangrentos e rituais selvagens.
No entanto conservam ainda o desejo infantil que por um passe de mágica
suas dificuldades se resolvam, e quando não se sentem protegidos
pela sociedade ou pela ciência não usam a razão
e procuram, medalhinhas, velas, incensos, plantas, cultos diferenciados
à procura do divino, esquecidas que estão imersas na Divina
Bondade.
A razão foi conquista que ocorreu no decurso dos milênios
em que a evolução, impulsionada pela Lei do progresso
exigiu ao Homem percorrer.Só o tempo vai demonstrar que a experiência
psíquica, através do conhecimento, ultrapassa a realidade
limitada pela qual os sentidos lhe permitiam perceber. O Espiritismo
veio com a chegada da razão, através dos Espíritos
Superiores que Allan Kardec, em profundo trabalho cientifico, no uso
do método experimental, codificou toda uma estrutura cientifica
filosófica de conseqüências religiosas, cujo objetivo,
a renovação moral do homem que os codificou. Tendo por
objetivo o progresso espiritual dos homens, liberta-os das amarras da
ignorância e promove a implantação da fraternidade
entre eles(8).