Nesta obra Allan Kardec
reafirma o caráter científico do Espiritismo e avalia
como ciência de observação, a nova doutrina, enfrentando
o problema das penas e recompensas futuras à luz da História,
estabelecendo comparações entre as idealizações
do céu e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos.
CAPÍTULO
VII:- Espíritos endurecidos
(continuação)
“...A Crença
é o primeiro passo; vindo em seguida a Fé e a transformação
a seu turno; mas, além disso, força é que muitos
venham revigorar-se no mundo espiritual”(1)
Na caminhada humana , a
Crença foi o primeiro passo na evolução, os homens
, ainda primitivos com produção mental muito fragmentada
,sem domínio do pensamento contínuo , projetavam nas coisas
o seu sentimento vital. Dando sequencia ao processo evolutivo a Crença
tambem evoluiu para a a fase em que o homem vai dar não apenas,
vida e vontade aos objetos e coisas, mas a sua própria alma.(2)
A Crença é hoje considerada como sendo um estado mental
que pode ser verdadeiro ou falso ,geralmente baseada em experiências,
envoltas em fortes emoções.
Ao contrário do que se imagina a Crença não está
relacionada apenas com o Divino ; um individuo materialista crê
que não há Deus, e nem uma ordem providencial conhecida;
que este mundo é a única realidade; crê que deve
tirar o maior proveito da vida, porque provavelmente é a única
que terá! Por outro lado àqueles que acreditam em Deus
têm sua Crença na maioria das vezes ligadas ao um conjunto
de princípios que servem de base a um sistema religioso, um dogma
, uma verdade divina, revelada e acatada pelos fiéis, estruturando
assim , uma Fé , ligada a convicção de algo que
se aceita como verdade sem provas de que realmente o seja . Nos novos
templos pregam-se dogmas, tão despóticos quanto os do
passado, e estes contam fiéis igualmente numerosos. Os velhos
credos religiosos que outrora escravizavam a multidão continuam
fazê-lo.
A Fé num dogma qualquer é, sem dúvida, de um modo
geral, apenas uma ilusão. Cumpre, contudo, não a desdenhar.
Graças à sua mágica pujança, o irreal torna-se
mais forte do que o real. Uma Crença aceita dá a um povo
uma comunhão de pensamentos que originam a sua unidade e a sua
força.(3) Entretanto quando individualmente
as situações vividas não encontram apoio nesta
escolha emocional (Crença),o raciocino se interpõe às
emoções e os dogmas começam a ser questionados,
levando a desestruturaçaõ da Crença e da Fé
, como consequência, a perda dos ideais que levariam ao fortalecimento
moral do individuo e suas transformações. A Fé
privilegiada pelo Cristo era muito diferente daquela contida e pregada
pela religião "organizada" pelos homens, que deixou
de possuir a qualidade de um poder que transporta montanhas, e passou
a encaixar-se na aceitação de credos e seitas dominadoras
da consciência do homem.(4)
A esses respeito comenta Emmanuel:-
“Mas o justo viverá pela Fé.” —
Paulo. (Romanos, capítulo 1, versículo 17.)
Na epístola aos romanos, Paulo afirma que o justo viverá
pela Fé.
Não poucos aprendizes interpretaram erradamente a assertiva.
Supuseram que viver pela Fé seria executar rigorosamente as cerimônias
exteriores dos cultos religiosos.
Freqüentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar
a simbologia sectária, indicariam a presença do homem
justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. E,
antes de tudo, é necessário ser criatura de Deus, em todas
as circunstâncias da existência.Paulo de Tarso queria dizer
que o justo será sempre fiel, viverá de modo invariável,
na verdadeira fidelidade ao Pai que está nos céus.
Os dias são ridentes e tranqüilos? tenhamos boa memória
e não desdenhemos a moderação.São escuros
e tristes? confiemos em Deus, sem cuja permissão a tempestade
não desabaria. Veio o abandono do mundo? o Pai jamais nos abandona.
Chegaram as enfermidades, os desenganos, a ingratidão e a morte?
eles são todos bons amigos, por trazerem até nós
a oportunidade de sermos justos, de vivermos pela Fé, segundo
as disposições sagradas do Cristianismo.(5)
Só a Fé remove montanhas, Crenças, não!
Crença, por mais forte que seja, é sempre uma hipótese.
A passagem da emoção ( Crença ) para a Fé
(razão) só será possível se puder ser testada
e certificada através da experiência livre de preconceitos.
A Fé verdadeira não é definida pelo Crer, mas sim
pelo Saber. Quando através dos questionamentos e da razão
chega-se a Certeza esta terá um peso decisivo nas atitudes, levando
a transformações capazes de modificar padrões estruturados
de comportamento e levar à revisão de valores e de posições
na vida.A Fé e verdadeira é sempre calma. Confere a paciência
que sabe esperar, porque estando apoiada na inteligência e na
compreensão das coisas, tem a confiança em si mesmo .
Fé inabalável, convicção plena, certeza
absoluta, comenta Allan Kardec, é aquela que não exige
que se abdique do raciocínio, nem insulte a inteligência.
..."Fé inabalável é somente aquela que
pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da
humanidade."(6)
“Tens Fé? Tem-na em ti mesmo, diante de Deus.” —
Paulo.(7)
| Bibliografia: |
| |
1. Kardec ,Allan, O Céu
e o Inferno, CAPÍTULO VII :- Espíritos endurecidos
:- Lapommeray comentarios |
| |
2. J. Herculano Pires
A Agonia das Religiões |
| |
3. Gustave Le Bon; As
Opiniões e as Crenças. |
| |
4. Eduardo Carvalho Monteiro,
Allan Kardec, o Druida Reencarnado |
| |
5. F C Xavier / Emmanuel,
Caminho, Verdade e Vida, 23 |
| |
6. Allan Kardec, O Evangelho
Segundo o Espiritismo, cap. XIX ,Editora FEB, 112ª Edição,
1996 |
| |
7. Biblia Sagrada : Romanos,
capítulo 14, versículo 22. |
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Laurelucia
Orive Lunardi
Agosto / 2008 |
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