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Nesta obra Allan Kardec reafirma
o caráter científico do Espiritismo e avalia como ciência
de observação, a nova doutrina, enfrentando o problema
das penas e recompensas futuras à luz da História, estabelecendo
comparações entre as idealizações do céu
e do inferno nas religiões anteriores e nas religiões
cristãs, revelando as raízes históricas, antropológicas,
sociológicas e psicológicas dessas idealizações
na formulação dos dogmas cristãos
CapituloVI : Criminosos
arrependidos (VERGER) “...
Sois punido pelo crime que cometestes? - R. Sim; lamento o que fiz e isso
faz-me sofrer.”
.”... Qual a vossa punição? - R. Sou punido porque
tenho consciência da minha falta, e para ela peço perdão
a Deus; sou punido porque reconheço a minha descrença nesse
Deus, sabendo agora que não devemos abreviar os dias de vida de
nossos irmãos; sou punido pelo remorso de haver adiado o meu progresso,
enveredando por caminho errado, sem ouvir o grito da própria consciência
que me dizia não ser pelo assassínio que alcançaria
o meu desiderato. Deixei-me dominar pela inveja e pelo orgulho; enganei-me
e arrependo-me, pois o homem deve esforçar-se sempre por dominar
as más paixões - o que aliás não fiz.”(1)
Um criminoso é um indivíduo
que viola uma ou mais leis ou regulamentos estabelecido pela sociedade.
Segundo Pinatel(2),o criminoso é um homem como
outro qualquer, só se diferenciando por uma maior aptidão
para ato criminoso; assim a personalidade criminosa seria descrita através
de traços psicológicos agrupados numa determinada característica;
essa característica englobaria os traços de agressividade,
egocentrismo, labilidade e indiferença afetiva, sendo estes os
elementos responsáveis pelo ato delituoso, enquanto as variáveis,
tais como o temperamento, as aptidões físicas, intelectuais
e profissionais, as razões aparentes, e as necessidades seriam
responsáveis pelas diferentes modalidades desse ato.
A classificação dos criminosos segundo Candido Motta(3)
pode ser assim resumida :-
Criminosos impetuosos - são aqueles que comentem crimes movidos
por impulso emotivo, por exemplo, os crimes passionais ou crimes que
ocorrem em uma discussão de trânsito. O criminoso impetuoso
costuma se arrepender em seguida.
Criminosos ocasionais - são aqueles que decorrem da influência
do meio, isto é, são pessoas que acabam caindo em "tentação"
devido a alguma circunstância facilitadora. Neste caso aplica-se
o ditado "a ocasião faz o ladrão". Os delitos
mais comuns são furto e estelionato. O criminoso ocasional tem
chances de se redimir.
Criminosos habituais - são os profissionais do crime. Normalmente
se iniciam no crime durante a adolescência e progressivamente
adquirem habilidades mais sofisticadas. Praticam todo tipo de crime.
A violência tem o intuito de intimidar a vítima.
Criminosos fronteiriços - são criminosos que se enquadram
em zona fronteiriça entre a doença mental e os indivíduos
normais. São pessoas que delinqüem devido a distúrbios
de personalidade, por exemplo, transtorno de personalidade anti-social
(psicopatia); transtornos sexuais etc. Em geral, são pessoas
frias, sem valores éticos e morais, que cometem crimes com extrema
violência desmotivada.
Loucos criminosos - são pessoas que possuem doença mental,
isto é, alteração qualitativa das funções
psíquicas que comprometem o entendimento e a autodeterminação
do indivíduo. Por exemplo: esquizofrênicos, paranóicos,
psicóticos, toxicômanos graves etc. Em geral agem sozinhos,
impulsivamente, sem premeditação e remorso.
Pela justiça terrena os criminosos são classificados segundo
o crime cometido e sofrem a sanção da lei correspondente
a ele. Os tipos de criminosos mais comuns são:
Assassino - aquele que tira a vida de outra pessoa, sem
estar em situação de legítima defesa.
Ladrão - aquele que se apropria indevidamente de algo
que pertence a outros.
Estuprador ou violador - aquele que força outra pessoa
a manter relação sexual.
Estelionatário - aquele que se aproveita da ignorância
de uma ou mais pessoas para obter vantagem para si próprio.
Sequestrador - aquele que rapta uma pessoa e exige da família
um pagamento em troca da libertação dessa.
Falsário - aquele que produz dinheiro,documentos ,ou obras
de artes falsas com fins lucrativos.
Como pode ser observado a definição e classificação
do criminoso é realizada de maneira muito consistente na literatura
penal e criminal.Já a literatura psiquiátrica é
a que mais se aproxima visão espírita Segundo o psicólogo
Adler e o psicanalista Ralph "todos os neuróticos, psicóticos
e criminosos, dão à vida um sentido privado; ninguém
é beneficiado pelas realizações dos seus objetivos
e os seus interesses não vão além de suas próprias
pessoas... Aninhado nas raízes inconscientes está sempre
o grande fator que influencia a conduta consciente - o egoísmo."(4).
Na visão espírita ...”Na raiz da violência
encontra-se a falta de desenvolvimento do senso moral, que o Espírito
aprimora através da educação, do exercício
dos valores éticos, da amplitude de consciência.”(5)
Segundo Rizzini(6) a causa geral de qualquer perturbação
psíquica reside na desobediência constante às determinações
da Lei de Deus (abandono sistemático das obrigações
impostas pela Lei). Uns estão rebelados contra a vida, o mundo
e Deus; outros estão desanimados ante os obstáculos a
remover do próprio caminho. Um dia, eclodem os variados sintomas
neuróticos ou psicóticos, conforme a intensidade da perturbação
íntima. Temos assim, como causa específica as imperfeições
afetivas do Espírito, sendo o egoísmo a base dos sentimentos
desequilibrantes da alma, esse excessivo apego ao próprio bem,
sem considerar o dos outros. É a chamada "hipertrofia congênita
do eu" ou ainda "obsessão neurótica do eu".
E quanto a punição?
Aos criminosos que são pegos, se aplica uma punição,
geralmente proporcional ao crime cometido. Leis são normas ou
conjunto de regras de conduta. Os homens precisam organizar sua legislação
para possibilitar a vi¬da em sociedade. Nas leis humanas procura-se
estabelecer os direitos e os deveres do cidadão, registrando
as respectivas punições para seus transgressores.Pelas
leis terrestres , a punição aplicada a um criminoso pode
ser de caráter corretivo, com a intenção de reeducar
o indivíduo para que não volte a cometer delito, ou de
caráter exemplar, com a intenção de desincentivar
outras pessoas a cometerem atos semelhantes(7).
As leis humanas estão sujei¬tas a modificações
no tempo e no espaço, conforme o conceito de Justiça de
cada época e de cada lugar, conforme o grau de conhecimento do
povo e seu conceito de Moral. Sendo imperfeitos e limitados, não
podem fazer leis perfeitas e sumamente justas.Usando frase, de autoria
desconhecida,mas que traz presente em seu contexto a sabedoria popular
“ A Justiça humana falha!Mas não se escapa da Justiça
Divina” levantam-se algumas questões:-
Como é e como se processa
a justiça divina? E ao desencarnarem como ficam os criminosos?
Deus, que é inteligência suprema e causa primária
de todas as coisas, estabeleceu leis, chamadas de naturais ou divinas.
Elas englobam todas as ações do homem: para consigo para
com o próximo e para com o meio ambiente.Na fase inicial, mais
rudimentar, da caminhada do Espírito à perfeição,
funciona o determinismo divino. Com o desenvolvimento do ser, desperta-se-lhe
o livre-arbítrio, a fim de que sinta responsabilidade pelos atos
praticados. A Ação inteligente do homem é um contrapeso
que Deus dispôs para estabelecer o equilíbrio entre as
forças da Natureza e é ainda isso o que o distingue dos
animais, porque ele obra com conhecimento de causa . Já a Reação
,é a conseqüência que a ação humana
acarreta ao ser defrontada com a Lei Natural(8). Pela
Lei de Causa e Efeito, toda ação praticada recebe o retorno
correspondente no devido tempo Assim, o homem tem uma lei, uma diretriz,
um modelo colocado em sua consciência, no sentido de nortear-lhe
os seus atos(9).
Disse Jesus: “Não
penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas; não vim destruí-los,
mas cumpri-los; porque em verdade vos digo que o Céu e a Terra
não passarão sem que tudo na Lei seja cumprido perfeitamente
até o último gota e o último ponto.”(10)
Estas Leis são Leis de todos os tempos e de todos os seres, não
sofrem modificações são perfeitas e sumamente justas.Assim
a Justiça de Deus é infalível, perfeita, imutável,
imparcial e nada lhe escapa: nas Leis Divinas sempre cada qual recebe
de acordo com suas próprias obras, atos, sentimentos ou atitudes.
Na questão 636 de O Livro dos Espíritos, traz que o bem
e o mal são absolutos:
"A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal
depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem
é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição
do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade."(11)
A Lei de Deus é a mesma para todos os seres, todos tendo iguais
direitos e deveres e tendo o mesmo ponto de partida e a mesma destinação.
O bem e o mal são sempre, em qualquer situação,
o bem e o mal, não se confundindo. No entanto, em relação
a quem pratica o ato há diferença, pois cada ser responde
perante Deus de acordo com o grau de conhecimento e compreensão
que adquiriu.
No livro “O Céu e o Inferno”(12)...“A
justiça humana não faz distinção de individualidade
dos seres que castiga, medindo o crime por si mesmo. Atinge indistintamente
aqueles que o cometeram e a mesma pena é atribuída ao
culpado, sem distinção de sexo ou grau de educação.
A justiça divina procede diferente: as punições
são impostas de acordo com o grau de progresso dos culpados.
Crimes iguais não significa que os indivíduos sejam iguais.
(...) Então, não são mais as trevas que castigam
e sim a intensidade da luz espiritual, que ultrapassa a inteligência
terrena e o faz sentir a angústia de uma ferida aberta”.
No capitulo VI do Livro O Céu e o Inferno é respondida,
através de depoimentos, a questão ao desencarnarem como
ficam os criminosos. Assim no depoimento à Allan Kardec, após
o seu desencarne , Verger, um jovem padre, que ferindo mortalmente o
arcebispo de Paris, Mons. Sibour, ao sair da Igreja de Saint-Étienne-du-Mont
foi condenado à morte e executado pelas leis dos homens responde
sobre esta pergunta:
“... - Sois punido pelo crime que cometestes? - R. Sim; lamento
o que fiz e isso faz-me sofrer.
“... Qual a vossa punição? - R. Sou punido porque
tenho consciência da minha falta, e para ela peço perdão
a Deus; sou punido porque reconheço a minha descrença
nesse Deus, sabendo agora que não devemos abreviar os dias de
vida de nossos irmãos; sou punido pelo remorso de haver adiado
o meu progresso, enveredando por caminho errado, sem ouvir o grito da
própria consciência que me dizia não ser pelo assassínio
que alcançaria o meu desiderato. Deixei-me dominar pela inveja
e pelo orgulho; enganei-me e arrependo-me, pois o homem deve esforçar-se
sempre por dominar as más paixões - o que aliás
não fiz.”(1)
Por esta resposta percebe-se a inexistência de um tribunal acusatório,
de um juízo final, onde Deus colocado como Juiz supremo determinaria
a pena a ser cumprida. Pelo contrário, coloca Deus , como Pai
amoroso e suas Leis estabelecidas na consciência de cada um, como
colocado à Allan Kardec pela Espiritualidade Superior(12):
.”...o homem perverso (o criminoso) necessariamente reconhece
as faltas que praticou: "Sempre as reconhece e, então, mais
sofre, porque sente em si todo o mal que praticou, ou de que foi voluntariamente
causa. Contudo, o arrependimento nem sempre é imediato. Há
Espíritos que se obstinam em permanecer no mau caminho, não
obstante os sofrimentos por que passam. Porém, cedo ou tarde,
reconhecerão errada a senda que tomaram e o arrependimento virá.
Para esclarecê-los trabalham os bons Espíritos e também
vós podeis trabalhar".
| Bibliografia: |
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1.
Kardec, Allan, O Céu e o Inferno, CapituloVI : Criminosos |
| |
2.
Pinatel, J. (1991). Criminologie clinique et personnalité
criminelle. In Cario & Favard (Eds), La personnalité
criminelle, pp. 187-197. |
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3.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Criminoso, |
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4.
Adler Alfred e J.Ralph citados in Evolução para o
Terceiro Milênio: tratado psíquico para o homem moderno,Rizzini,
C.T. |
| |
5.
Franco, Divaldo Pereira/ pelo Espírito Joanna de Ângelis
“ Momentos Enriquecedores.” |
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6.
Rizzini, C.T. Evolução para o Terceiro Milênio:
tratado psíquico para o homem moderno. |
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7.
Reale Júnior, Miguel “Novos rumos de sistema criminal,
Forense,”1983, p. 46. |
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8.
(Equipe da FEB, 1995) |
| |
9.
Kardec, Allan,"O Livro dos Espíritos", questão
621. |
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10.
Bíblia Sagrada, Mateus, Capítulo V, Vv. 17, 18 |
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11.
Kardec, Allan,"O Livro dos Espíritos", questão |
| |
12.
Kardec, Allan, O Céu e o Inferno, As Penas Futuras –
Segundo o Espiritismo, item III . |
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3.
Kardec, Allan,"O Livro dos Espíritos", questão
994 |
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Laurelucia Orive Lunardi
Agosto / 2007 |
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