| |
|
O Céu
e o Inferno
por
ALLAN KARDEC
|
Nesta obra
Allan Kardec reafirma o caráter científico do Espiritismo
e avalia como ciência de observação, a nova doutrina,
enfrentando o problema das penas e recompensas futuras à luz
da História, estabelecendo comparações entre as
idealizações do céu e do inferno nas religiões
anteriores e nas religiões cristãs, revelando as raízes
históricas, antropológicas, sociológicas e psicológicas
dessas idealizações na formulação dos dogmas
cristãos.
SEGUNDA PARTE
EXEMPLOS
CAPITULO I O PASSAMENTO
Item 3 (cont.) e 4. - O perispírito é
o envoltório da alma e não se separa dela nem antes nem
depois da morte. Ele não forma com ela mais que uma só
entidade, e nem mesmo se pode conceber uma sem outro. Durante a vida
o fluido perispirítico penetra o corpo em todas as suas partes
e serve de veículo às sensações físicas
da alma, do mesmo modo como esta, por seu intermédio, atua sobre
o corpo e dirige-lhe os movimentos .A extinção da vida
orgânica acarreta a separação da alma em conseqüência
do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo, mas
essa separação nunca é brusca.(1)
O perispírito, ou corpo fluídico, também conhecido
como corpo astral, psicossoma, corpo celeste e outras denominações,
é o corpo de que se serve o Espírito como veículo
de sua manifestação no Plano Espiritual e como intermediário
entre o corpo e o espírito quando encarnado. De natureza sutil,
o perispírito tem sua origem no Fluido Cósmico Universal.Por
sua vez o Fluido Cósmico definido por André Luiz como
"o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do
Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações
e sóis, mundo e seres, como peixes no oceano" (2), ou seja,
a matéria elementar primitiva, cujas modificações
e transformações constituem a inumerável variedade
dos corpos da Natureza.Para tal assume dois estados distintos: o de
eterização e o da materialização. As matérias
derivadas do fluido universal apresentam-se nos estados sólido,
líquido, gasoso e no estado fluídico propriamente dito,
também chamado de fluido espiritual, tanto que, enquanto os três
primeiros podem ser manipulados pela mão do homem, o último
é sensível ao poder do pensamento e da vontade dos Espíritos
( 3).
Na época de Allan Kardec, as idéias cientificas preponderantes
sobre a Matéria se baseavam nas idéias de um grande cientista,
Sir Isaac Newton (1642-1727). O Fluido Cósmico Universal idealizado
por Newton seria uma forma fluídica material mais etérea,
imponderável, inelástica , não ofereceria atrito,
e viscoso ao deslocamento dos corpos, no qual os corpúsculos
luminosos por ele imaginados como componentes da luz também podiam
se apoiar para a propagação óptica. Allan Kardec
não conhecia outro componente universal, não era leviano,
muito pelo contrario, todos os seus estudos tinham base cientifica,
motivo porque tinha que se referir às idéias de sua época.Foi
neste sentido que ele disse que o Espiritismo tinha que avançar
com a Ciência (4) .
Posteriormente as teorias de Newton foram contestadas por Maxwell e
outros cientistas. Na atualidade essa energia fundamental, é
vista na Física como a energia amorfa fundamental. Albert Einstein
(1879-1955), com sua famosa equação, provou que a matéria
nada mais é do que energia condensada, podendo ser organizada
e integrada de tal modo que ela adquire variados graus de densidades.
Os estados da matéria descritos na Física hoje não
são apenas os três estados conhecidos na época de
Allan Kardec, ou seja, sólido, líquido, gasoso mas cinco
estados: sólido, líquido, gasoso, plasma e zero absoluto
( 5 ).
Todos os corpos existentes na Terra, assim como todos existentes no
Universo têm uma característica em comum: são constituídos
por matéria. Os seres vivos, assim como tudo na Natureza são
compostos de energia podendo estar cristalizados de forma densa e de
forma sutil. Estas duas formas de matéria se interagem formando
a unidade o Ser vivo. A matéria, por ser energia, vibra em determinadas
freqüências. Quanto mais baixa for a freqüência
da vibração mais densa será a matéria e
mais acostumados estarão nossos cinco sentidos em lidar com ela.
Quando a freqüência da vibração é mais
elevada a matéria será mais sutil e mais difícil
será sua percepção pelos sentidos. Na sua essência
esta matéria consiste principalmente em prótons, nêutrons
e partículas sub atômicas, os componentes do núcleo
do átomo, ainda considerado como a unidade da matéria.
Os físicos chamam essas partículas de bárions,
da palavra grega barýs, que significa "pesado". O chamado
mundo físico, o mundo percebido pelos cinco sentidos, é
constituído de matéria densa ou matéria barionica
(6). O que diferencia todos os corpos do Universo portanto é
o tipo de matéria, ou seja, a concentração de cada
elemento diferente existente na natureza e também seu estado.
Portanto, tudo que está relacionado com o Ser Vivo está
relacionado à matéria densa e a matéria sutil que
o compõem como definiu Allan Kardec em A GÊNESE(3). Sob
a visão da ciência terrena apenas 4% da energia condensada,
corresponde à matéria que conhecemos, 96% ainda não
é conhecida (6). Acredita-se em vários estados intermediários
uma vez que é claro para a Ciência a inexistência
de passagens bruscas e estados absolutos (7).Assim quanto mais investiga
a Natureza, mais se convence o homem de que vive num reino de ondas
transformadas em luz, eletricidade, calor ou matéria, segundo
o padrão vibratório em que se exprimam." (8) Ou como
se refere André Luiz, no livro "Evolução em
Dois Mundos" (9) " que o fluido cósmico ou plasma divino
é a força em que todos vivemos, nos ângulos variados
da Natureza", motivo pelo qual Paulo de Tarso (10) afirmou que,"em
Deus nos movemos e existimos."".
O Espírito pela sua essência diferente de tudo quanto possamos
imaginar não pode exercer ação direta sobre a matéria
bruta. Considerando que no Universo na há transição
brusca na transformação do fluido universal em matéria
tangível, é razoável considerar a existência
de um elemento intermediário , também originário
do fluido universal, mas cuja condensação seja menor servindo
de intermediário vibratório entre o espírito e
o corpo físico.Em "O livro dos Espíritos" (11)
estudamos que: "O perispírito é o laço que
à matéria prende o Espírito, que o tira do meio
ambiente, do fluido universal. Participa ao mesmo tempo da eletricidade,
do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria
inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria.
E' o principio da vida orgânica, porém não o da
vida intelectual, que reside no Espírito. É, além
disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os
órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações."
È necessário lembrar que na época em que foi escrito
" O Livro dos Espíritos"(1857) considerava-se a eletricidade
como um fluido, na verdade, não se tendo exata concepção
do que vinha ser.
Allan Kardec ao questionar os Espíritos (12) -" O Espírito
propriamente dito tem alguma cobertura ou está, como pretendem
alguns, envolvido numa substância qualquer?" Recebeu a seguinte
resposta:
" O Espírito está revestido de uma substância
vaporosa para os teus olhos, mas ainda bem grosseira para nós;
muito vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e se transportar
para onde queira. Assim como o germe de um fruto é envolvido
pelo perisperma, da mesma forma o Espírito propriamente dito
está revestido de um envoltório que, por comparação,
pode-se chamar de perispírito." O que se apreende desta
resposta é que o perispírito é constituído
de matéria, porém, caracterizada por outro estado vibratório.
Varia de mundo para mundo. (13) Quando encarnado, o Espírito
se vale do perispírito para atuar sobre o corpo e sobre o meio
ambiente e, por seu intermédio, recebe sensações
dos mesmos. Durante a gestação do corpo carnal o perispírito
se liga a ele, célula a célula, Cada célula do
corpo físico corresponde a uma célula do corpo
espiritual.Cada função orgânica corresponde a uma
função perispirítica. ( 14) . Quando o Espírito
determina, estender a mão para colher uma flor por exemplo, o
corpo material obedece à ordem, porque as instruções
emitidas pelo Espírito, esta é a sua vontade, são
repassadas, através da ligações perispirituais
às células nervosas do cérebro material que simplesmente
obedecem. O cérebro funciona aqui como receptor da ordem do Espírito
e aciona a rede nervosa que atinge o órgão envolvido que
no caso era a mão. Da mesma forma os sentimentos gerados no Espírito,
que é sua fonte de origem, é levado para o corpo
carnal.Todos os sentimentos, bons ou maus: sentimentos de amor ou ódio,
alegria ou tristeza, serenidade ou angústia, e muitos outros,
irão revitalizar as células materiais ou produzir nelas
distúrbios que podem se complicar, causando mal-estar e até
doenças.Gabriel Delanne, (15)afirma: " O perispírito
está ligado ao corpo por intermédio do sistema nervoso;
toda sensação que abala a massa nervosa, desprende essa
espécie de energia, a qual se deram os mais diversos nomes: fluido
nervoso, fluido magnético, força ectênica, força
psíquica, força biológica... Essa energia age sobre
o perispírito para comunicar-lhe o movimento vibratório
particular, segundo o território nervoso que foi excitado (vibração
visual, auditiva, táctil, muscular, etc.), de maneira que a atenção
da alma seja acordada e que se produza o fenômeno da percepção.
Quando encarnados sentimentos e pensamentos reagem constantemente sobre
o perispírito, tornando-o mais denso e sombrio se forem maléficos
ou mais leve e luminoso se forem benéficos. O perispirito é
indestrutível (16), mas poderá ser lesado e mesmo mutilado,
com amplas perdas de substância face da persistência na
prática do mal, pois a energia despendida pelo Ser nestas ações
interagem no perispirito levando sua".lesão. Léon
Denis (17), afirma: "É pelas correntes magnéticas
que o perispírito se comunica com a alma. É pelos fluidos
nervosos que ele está ligado ao corpo. Esses fluidos, posto que
invisíveis, são vínculos poderosos que o prendem
à matéria, do nascimento à morte e, mesmo nos sensuais,
assim o conservam, até a dissolução do organismo".
As radiações emitidas pelo perispirito variam de natureza
e intensidade conforme o estado mental do seu portador; tais emissões
são formadas de fluidos, entenda-se aqui alguma forma de energia
ainda desconhecida pela Ciência. Conforme o Espírito vai
progredindo em moralidade, o perispirito, purifica-se e torna-se etéreo,
passa a vibrar em outra freqüência portanto em outro estado
da matéria. Segundo Rizzini (18) o perispirito, é um verdadeiro
arquivo de tudo quanto o sujeito aprendeu, experimentou e assimilou:
recordações, conhecimentos acumulados, vidas passadas,
etc., têm nele seu registro.
A extinção da vida orgânica acarreta a separação
da alma em conseqüência do rompimento do laço fluídico
que a une ao corpo, mas essa separação nunca é
brusca. O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende
de todos os órgãos, de sorte que a separação
só é completa e absoluta quando não mais reste
um átomo do perispírito ligado a uma molécula do
corpo.(1) Assim o fenômeno da morte nada mais é do que
o desligamento de todos os fios fluídicos do perispírito,
liberando o Espírito do corpo material.O desprendimento se dá
"molécula por molécula conforme se unira" (19)
Uma vez ocorrido tal desligamento no processo da morte, o Espírito
não mais pode voltar a animar aquele que foi o seu veículo
de carne. Despojado do corpo físico, pelo desencarne o Espírito
permanece com o perispírito, veículo de sua manifestação
no Plano Espiritual. Como no perispirito fica arquivado tudo que aprendemos,
experimentamos e assimilamos (18), carregamos para a"outra vida"
a vida atual.André Luiz (9) ensina que"É por essa
couraça vibratória, espécie de carapaça
fluídica, em que cada consciência constrói o seu
ninho ideal". E Emmanuel (20) sugere que "Atingindo a maioridade
moral pelo raciocínio, cabe a nós aprimorar as manifestações
do nosso perispírito e enriquecer-lhe os atributos, porque todos
os nossos sentimentos e pensamentos, palavras e obras, nele se refletem,
gerando conseqüências felizes ou infelizes, pelas quais entramos
na intimidade da luz ou da sombra, da alegria ou do sofrimento.
Bibliografia:
- Allan
Kardec, Allan, " Céu e Inferno" Segunda Parte, capitulo
I item 3.
- Francisco
Cândido Xavier e Waldo Vieira - André Luiz * "Evolução
Em Dois Mundos" 20ª edição.
- Allan
Kardec "A GÊNESE "-cap. XIV, it. 2,pág.273.
- Jornal
espírita (FEESP)- Julho 2002
- David
Halliday & Jearl Walker &Robert Resnick -"Fundamentos
da Física: Ótica e Física Moderna, vol 3".
- Hewitt,
Paul G.. Conceptual Physics, 8. ed., USA: Addison Wesley ,1998
- Xavier,
Francisco Cândido, e Vieira, Waldo; "Mecanismos da Mediunidade";
apresentação, FEB; 1960.
- Xavier,
Francisco Cândido, e Vieira, Waldo; - André Luiz * "Evolução
Em Dois Mundos" p. 129.
- Bíblia
Sagrada, Atos 17:28.
- Allan
Kardec, Allan, "O Livro dos Espíritos ", questão
257.
- Allan
Kardec, Allan, "O Livro dos Espíritos ", questão
93.
- Allan
Kardec, Allan, "O Livro dos Espíritos ", questão
94.
- Zimmermann,
Zalmino, "Perispírito" - 2a Edição
Revista e Ampliada.
- Delanne,
Gabriel "A Reencarnação". cap. VII, pág.
144,
- Gabriel
Delanne " Evolução Anímica", FEB, 4ª
edição, pág. 159.
- Léon
Denis, "Depois da Morte", 3. ª parte, item XXI, p.
176, 11.ª edição.
- Carlos
Toledo Rizzini, "Evolução para o terceiro milênio"
p. 69 a 75.
- Allan
Kardec ,"A GÊNESE ",cap. XI it. 18,p. 214-215.
- Francisco
Cândido Xavier - Emmanuel "Palavras de Emmanuel" pág.15-
- 7ª edição.
Laurelucia Orive Lunardi
Agosto / 2005
|
|